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A triste história da origem do bairro do Guamá. Conheça!

domingo, 26/07/2020, 09:17 - Atualizado em 26/07/2020, 09:17 - Autor: Com informações de Belém Antiga e Fragmentos de Belém


| Reprodução

A desconhecida história de um bairro que nasceu por estar tão longe do centro que permitia a segregação dos leprosos, quase amaldiçoados por toda uma sociedade. Lugar quase maldito, abrigou hospitais para infectoconstagiosos e cemitérios para deixar longe do cidadão saudável, as mazela das pragas que assolavam a Belém do século XIX. Quem diria que o populoso bairro do Guamá, nasceu a partir de um Leprosário.

Em 1755 a fazenda Tucunduba foi comprada pelos padres mercedários. Em 1794, foi doada a Santa Casa, depois da expulsão dos religiosos pelo Marquês de Pombal. No início do século XIX, nascia um abrigo para os hansenianos que se misturavam com a população sadia da capital. Era o primeiro leprosário da Amazônia: o “Hospício dos Lázaros do Tucunduba”.


Durante o século, foi preferencialmente, o abrigo escravos que contraiam lepra e eram abandonados nas ruas pelos senhores escravistas do Grão-Pará. A predominância escrava entre os leprosos do Tucunduba também pode ser constatada na lista de enfermos de 1854, ano em que, dos 74 recolhidos, 62 eram escravos, doença fortemente associada a condições sociais e higiênico-sanitárias desfavoráveis.

Como os negros ficavam excluídos da rede de solidariedade que tentava tratar enfermos brancos, acabavam confinado e condenados a este isolamento.


Reformado por Antônio Lemos em 1905, tentava deixar o espaço mais confortável para evitar a fugas constantes dos doentes, já depois do fim da escravidão. Mas a tentativa não apagou a fama de ser a “sala de espera da morte”, em jornais, artigos médicos e científicos.

O Guamá por estar distante e isolado do centro da cidade na época, era o lugar ideal para o “depósito de lixo social”, ou seja, um espaço que abrigaria pessoas consideradas indesejáveis, maléficas e inúteis á sociedade.

O “Hospício dos Lázaros do Tucunduba” existiu até 1938. Mas o Guamá abrigava mais Três hospitais de isolamento, os Hospitais: Domingos Freire, São Sebastião e São Roque (que se transformaram no hospital Universitário João de barros Barreto, para tratar doenças infectocontagiosas como varíola, febre amarela e tuberculose.

Além de hospitais de isolamento, no Guamá localizavam-se três cemitérios: um pequeno campo-santo, construído próximo ao Leprosário do Tucunduba, que servia para os enterramentos dos internos, desativados em 1887 o cemitério de Santa Isabel, inaugurado em 1878 e o cemitério da Ordem Terceira de são Francisco (1885) em frente ao Santa Isabel.

O isolamento foi gradativamente sendo eliminado com a ampliação da cidade e com o bairro ficando mais perto, manter a colônia era perigoso demais.

1. Padre Daniele da Samarate (1876-1924) | 2. Estação de Sto. Antonio do Prata / Acervo
No verso de um calendário italiano do ano de 1925 está a imagem acima, com os seguintes dizeres: “P. Daniele da Samarate. Missionário de Irmandade Menor dos...

Padre Daniele da Samarate (1876-1924) | 2. Estação de Sto. Antonio do Prata / Acervo

No verso de um calendário italiano do ano de 1925 está a imagem acima, com os seguintes dizeres: “P. Daniele da Samarate. Missionário de Irmandade Menor dos Capuchinhos - vítima da lepra e mártir da caridade entre os leprosos no Lazareto do Tucunduba em Belém do Pará (Brasil)”.

O Padre Daniele da Samarate está vinculado a duas instituições: a Colônia do Prata, em Igarapé-Açu e o Hospício dos Lázaros do Tucunduba, no bairro do Guamá. E indiretamente à Estrada de Ferro de Bragança.

O padre italiano chega à Colônia Agrícola do Prata em 1900, antes da existência do hospital de lázaros, quando ainda era uma aldeia agrícola-missionária para catequese de indígenas da região; logo assume a direção da Colônia. Durante sua administração é implantada a Estação do Prata em 1908, ligada à Estrada de Ferro de Bragança.

Em 1909 começa a manifestar os primeiros sintomas da hanseníase. Em 1914 interna-se no Hospício do Tucunduba. Lá, após um tempo de segregação, passa a celebrar missas e assiste outros doentes. Falece em 1924.

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