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Politicamente Correto: Evite ser cancelado nas redes sociais

Na era do politicamente correto, saber como usar contas em Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp e outras mídias exige um cuidado que vai do bom senso à educação. Saiba como se portar

domingo, 26/07/2020, 08:37 - Atualizado em 26/07/2020, 08:37 - Autor: Luiz Octávio Lucas


Professora doutora Rose Vidal sugere adotar a prática da “netiqueta” para não ter conflitos desnecessários no ambiente virtual.
Professora doutora Rose Vidal sugere adotar a prática da “netiqueta” para não ter conflitos desnecessários no ambiente virtual. | Divulgação

Uma simples crítica ao jornalista Alex Escobar, no Twitter, foi o suficiente para o geólogo Marcio Cabral ser atacado por vários fãs do apresentador da Rede Globo. “O Globo Esporte deveria nos informar que a próxima reportagem será a da NBA, para colocar a p... da tecla no mudo. Aguentar Escobar gritando NBA e forçando os nomes dos times em inglês é f...”, dizia a postagem da discórdia. O amigo de Marcio, Fernando Rodrigo, também geólogo, reforçou a crítica e marcou o apresentador na postagem. “Cara, tá aí, achei que só eu abominava isso... @AlexEscobar_ é sem graça e chato demais...”, concordou.

O que a dupla não esperava era que o próprio apresentador se manifestasse, atiçando a ira de seus seguidores. “Eeeeeeniiiiiibiiiiieeeiiiii”, debochou Escobar, antes de continuar. “Também sou polêmico e feliz”. Os seguidores do jornalista arremataram. “Tu és mito, Escobar... Esquece esses palhaços, fala para eles assistirem Fox Sports”, disse um, enquanto outro completava. “Ranzinza!”.

A situação é apenas um “leve” exemplo do que as redes sociais se tornaram. Em sua defesa, Marcio garante que apenas emitiu uma opinião corriqueira, sem levar para o lado profissional, enquanto Fernando afirma que levou as réplicas “numa boa”, consciente de que sua opinião estaria exposta ao risco de ser repelida.

“Hoje em dia está muito complicado, parece que você tem que ser perfeito a vida inteira, não pode ter tipo nenhum tipo de mácula. O pessoal faz busca sobre o teu passado em Twitter, Instagram. A tua cabeça aos 14 anos não é a mesma de quando você tem 34. A gente evolui, as pessoas acham que você tem a vida inteira que seguir um padrão”, reclama Marcio. “Isso de ter que ser perfeito a vida inteira é uma coisa que não concordo muito. As pessoas pegam pesado demais na internet”, reclama.

Mas é fato que a cobrança pelo politicamente correto está cada vez mais forte e quem se atreve a “sair da linha” corre o risco de ser “cancelado”, outro termo que virou moda na rede mundial de computadores. O grande problema é que, apesar da facilidade para se manter uma conta em Facebook, Instagram, Twitter e afins, não existe um manual obrigatório para se saber como utilizar essas ferramentas digitais. O acesso aberto ao mundo inteiro somado com a opinião livre tem gerado “tretas” em série que vão de discussões políticas, defesa de artistas, opiniões sobre aborto, racismo e tudo mais que gira em torno da vida “real”.

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BOM SENSO

Doutorando em Comunicação e Informação Digital, Mario Camarão, que também coordena o curso de Comunicação Social da Unama, explica que a palavra de ordem ao alimentar uma rede social deve ser a mesma que se deve levar para qualquer coisa na vida, “ter bom senso!”. “Seja na internet ou fora dela, é sempre muito importante. Bom senso e consensualidade devem andar juntos. Quando não se tem bom senso, o que sobra é descontentamento em relação a postura do outro, do que se compartilha e propaga nas redes”, avalia.

Mario Camarão explica que apesar de muitos classificarem o “cancelamento” como algo ruim, que remete à censura, o comportamento tem fator positivo. “Eu não chamaria de ditadura do cancelamento, mas de cultura do cancelamento. Ele surge como um combate a questões que ultrapassam o senso comum, desvirtuante nesse cenário das ‘fakenews’, cultura do ódio, reforço muito grande de pensamentos contrários ao que prega o senso comum, a lei e ultrapassa todos esses limites, principalmente quando tem racismo, ódio, preconceito...”, pontua.

O cancelamento surge como uma forma de coibir essas posturas, lembra o professor. “Nos últimos meses uma série de artistas, influenciadores e políticos foram ‘cancelados’. Todos eles tiveram comportamentos que fogem do que a sociedade considera normal”, lembra. “Muitas vezes são pensamentos arraigados ao preconceito”.

O pesquisador afirma que o melhor a fazer é pensar bem antes de postar algo. “Respirar, pensar criticamente ao postar uma foto, um vídeo, um conteúdo, porque as pessoas estão mais alertas em relação ao que o outro fala produz ou compartilha”, alerta. “Isso, de certa maneira, é um risco em relação a sua imagem, porém isso não pode ser uma censura, mas é preciso estar atento e ter muito cuidado”.

Relembre famosos cancelados na internet

Léo Santana

Ao anunciar uma live, o cantor prometeu que, a cada 10 mil pessoas que assistissem ao show, 10 cestas básicas seriam doadas para comunidades carentes de Salvador. A “ajuda” gerou críticas, e o artista teve de se desculpar.

Gabriela Pugliesi

A influenciadora digital deu uma festa em pleno isolamento social e com as fotos publicadas atiçou a ira dos confinados. O resultado foi a perda de contratos e de mais de 100 mil seguidores.

Mc Biel

Acusado de agressões, traição, assédio sexual e declarações preconceituosas, o cantor de funk teve de sair do país e chegou a interromper a carreira artística.

Anitta

Rainha dos cancelamentos, a cantora se envolveu em vários episódios polêmicos como a dos áudios vazados na briga com o colunista Leo Dias, em que criticava famosos, além da rivalidade com Ludmilla.

Silvio SantosO veterano apresentador é outro cancelado em série por suas atitudes polêmicas, como quando disse que não abraçaria Claudia Leitte porque ficaria excitado em virtude do vestido que ela usava na ocasião. A cantora se manifestou nas redes sociais sobre o episódio.

Claudia Ohana

A atriz resolveu devolver dois cachorros que havia adotado de uma ONG no final de 2019. O motivo teria sido o desenvolvimento de alergia por cuidar de cães não adestrados. Seja qual for o motivo, a desistência em cuidar dos cães pegou mal e, claro, a internet não perdoou.

Aprenda a ‘netiqueta’

A professora doutora em comunicação social Rose Vidal explica o conceito da “netiqueta”, a etiqueta da internet, um bom parâmetro para usar as redes sociais sem colocar em risco a reputação, o emprego, amizades e outros prejuízos decorrente de um comportamento “cancelável”, além de dar outras dicas para não decepcionar seus seguidores. Confira!

Netiqueta

“É o conjunto de boas maneiras e normas de bom senso que proporciona o uso da internet de forma mais amigável, eficiente e agradável. É importante ressaltar que, em alguns casos, o descumprimento dessas regras gera a perda de grandes oportunidades”.

O que não postar

“Não escreva usando apenas as letras maiúsculas, isso significa que a pessoa está gritando, além do mais, ler um texto assim, é extremamente cansativo. Outra coisa é você evitar enviar mensagens de propagandas não solicitadas, correntes e outras mensagens do tipo, isso é muito desagradável, passa que você é uma pessoa tão chata quanto a mensagem”.

Emojis/Emoticons

“Evite também enviar muito. É legal quando é usado de uma forma correta. Quando você demonstra sentimentos. Os emojis não devem ser utilizados como elementos do próprio texto, visto que, em alguns casos, não é possível identificar o que a pessoa quer dizer com aquilo. Então, às vezes, você manda alguma mensagem, algum informe, aí você tem que ficar decifrando o que a pessoa quis dizer, porque tem tanto que você nem sabe o que isso significa”.

Fuga do assunto 

“Ao usar um comunicador instantâneo nunca fuja do assunto, mesmo que aquilo não lhe interesse ou seja desagradável. Diga algo, mesmo que finalizando o assunto para mostrar que você leu a mensagem. Isso também é caracterizado como comunicação não violenta”.

Ofensas

“Muito cuidado com ofensas na internet, principalmente em sites de relacionamento. Não é difícil encontrar discussões negativas e ofensas. Se alguém foi ofendido, não se deve revidar e criar uma guerra on-line, visto que isso dificilmente acabará. O melhor caminho é ignorar, se você for atacado, não ficar dando corda, alimentando esse tipo de mensagem negativa”.

Textões

“Blocos de texto muito grandes são cansativos e dificultam a leitura na internet. Por isso, utilize espaços em branco entre os parágrafos e tente ao máximo ser conciso e objetivo. Divida os textos em blocos e se possível com subtítulos. Evite os famosos textões”.

Separe os perfis 

“Evite usar perfil profissional e perfil pessoal junto. Use, crie diferentes perfis. Negócios e prazeres não devem ser misturados, assim como fotos, postagens extremamente pessoais. Evite colocar no seu perfil profissional. Preencha seus perfis com informações completas sobre você e seu negócio. Use seu nome real e sua própria fotografia. Não ponha nada na internet que você não queira que seu futuro chefe ou clientes leiam”.

Divã na rede social

“Falando das redes sociais com uso profissional, cuidado com os desabafos, como ‘falar de mim é fácil, difícil é ser como eu’, ou mesmo ‘sua inveja, faz parte da minha fama’, ‘estou de ressaca, ainda bem que hoje é sexta-feira’ e muitos outros que possam comprometer a sua imagem. Cuidado!”.

Calor da emoção 

“Evite publicar algo quando estiver cansado, irritado ou chateado. Você pode se arrepender depois e o conteúdo já está postado. Não adianta querer apagar porque o ‘print’ está aí.

Tem que ter em mente que as redes sociais são excelentes ferramentas para você divulgar o seu trabalho, divulgar quem é você, mas tem que ter um uso coerente para não cair em armadilhas e se tornar uma pessoa que Polêmicas

“Não entrar na polarização, na dicotomia e nas polêmicas de uma forma geral. É uma coisa que não vale a pena você entrar, ficar sustentando, alimentando”.

Compartilhamentos 

“Na questão da política o grande problema é que hoje as pessoas estão na pós-verdade, essa bolha ideológica que é mais perigosa que a própria ‘fakenews’, que é uma mentira, que a maioria das pessoas descobre que é e apaga das redes sociais. Agora, pós-verdade não, a pessoa acredita aquilo como uma ideologia, como uma crença, na parte emocional. E aí, ela acaba compartilhando. E hoje, as pessoas caem muito nessa, compartilhando coisas que elas não deveriam por ser uma ideologia que elas alimentam”.


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