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TRABALHO

Entregadores de aplicativos de delivery trabalham sem proteção e direitos

Autônomos viram na pandemia a chance de faturar uma renda, mas três meses após a pandemia no Pará, aguardam um apoio dos aplicativos para terem maior segurança no desempenho de suas atividades

domingo, 28/06/2020, 10:18 - Atualizado em 28/06/2020, 11:56 - Autor: Alexandre Nascimento


Os entregadores de aplicativos trabalham de forma precária na maioria dos casos em Belém, convivendo com o risco permanente de contaminação.
Os entregadores de aplicativos trabalham de forma precária na maioria dos casos em Belém, convivendo com o risco permanente de contaminação. | Antônio Melo

Estabelecimentos comerciais parcialmente fechados devido à pandemia, pessoas em isolamento e distanciamento social, embora grande parte da população tenha ignorado essas medidas. Nesse contexto, os aplicativos de entrega, principalmente os de alimentos ou refeições, viraram a solução para restaurantes e colaboradores conveniados de Belém. E podem ter se transformado na única fonte de renda de muitos autônomos, que por outro lado os colocam em risco ao novo coronavírus.

De acordo com os entregadores de aplicativo ouvidos pela reportagem, a preocupação com o serviço está relacionada à exposição deles ao Covid-19, que apesar do registro de controle dos casos na capital, ainda oferece riscos de contágio à população. “Essa situação está há mais de três meses e estamos cientes do risco que corremos, pois podemos estar indo entregar uma encomenda pra algum cliente que tenha a doença ou outra forma de sermos contaminados”, disse Paulo Andrade, 33 anos, mototaxista.

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A preocupação dos entregadores dos aplicativos de delivery ganha sentido porque devido o serviço ser autônomo as empresas não disponibilizam materiais de proteção à doença, o que acaba virando uma ‘obrigação’ do trabalhador. “A responsabilidade de máscara, álcool em gel e outros itens de segurança é nossa. Nós discordamos disso, pois os aplicativos deviam fornecer, mas temos que dar o nosso jeito para podermos fazer nossas entregas da maneira mais protegida possível”, declarou Nonato Lima, 33 anos, entregador.

Nesse sentido, alguns autônomos que se vincularam aos aplicativos para lucrar durante a pandemia que não deram atenção às medidas de prevenção contraíram a doença e assumiram os custos adicionais. O entregador Luiz Nunes, 29 anos, contraiu o novo coronavírus e ficou sem trabalhar por mais de 20 dias, e viu a solução de ganho na pandemia se transformar em pesadelo. “Não sei se peguei do restaurante ou do cliente, mas tive que me afastar porque peguei Covid. Ainda bem que me restabeleci e estou aqui novamente para garantir meu sustento e da minha família”, narrou Luiz Nunes.

Outros foram mais enfáticos ao cobrar dos aplicativos uma boa retaguarda nessa superexposição. Nacionalmente, alguns grupos planejam inclusive uma greve nacional em 1º de julho para cobrar melhores condições de trabalho.

“Todos nós que fazemos essas entregas estamos porque precisamos, a gente não se colocaria em risco a toa. Seria muito bom que recebêssemos dos aplicativos ao menos o apoio com os meios de prevenção, mas como não temos é com a gente mesmo e vamos trabalhar”, conclui Nazareno Santos, 45 anos, entregador.

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