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PREVENÇÃO

Parte da população anda sem máscara em Belém mesmo com pandemia ativa

O DIÁRIO foi às ruas da capital e constatou que muita gente já abandonou o item de proteção contra o coronavírus ou usa de maneira errada. Enquanto isso, é possível encontrar o EPI em vários ambulantes pela cidade.

sábado, 27/06/2020, 07:57 - Atualizado em 27/06/2020, 07:56 - Autor: Denilson D’Almeida


Enquanto vende máscaras, o vendedor Júnior Aragão também procura se proteger, dando o exemplo.
Enquanto vende máscaras, o vendedor Júnior Aragão também procura se proteger, dando o exemplo. | Wagner Santana

Para evitar a propagação do novo coronavírus as máscaras se tornaram obrigatórias no Pará. Caso alguém seja flagrado sem, poderá ser multado em R$ 150 de acordo com decreto estadual. No entanto, por aqui, muita gente parece não estar preocupada, nem com os riscos de ser acometida pela Covid-19, e nem em levar a multa.

Não é difícil encontrar pessoas transitando pelas ruas sem proteção no rosto ou com elas nas mãos ou no queixo, o que é errado, segundo os médicos e órgãos de saúde. Para se ter ideia, desde que a pandemia chegou no território paraense, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) já aplicou 6.104 multas a pessoas que estavam cometendo algum tipo de infração ao decreto.

O dado não distingue quantas pessoas foram flagradas sem a máscara especificamente, já que este total de multas também inclui pessoas que foram punidas por estarem fazendo aglomerações e desrespeitando alguma ordem de segurança. Qualquer agente de segurança pública pode fiscalizar o cumprimento do decreto e abordar quem não estiver com a máscara. Ainda, segundo a Segup, três cidades da Região Metropolitana de Belém lideram o ranking de multas e punições pelo descumprimento do decreto, sendo elas a própria capital (Belém), Ananindeua e Marituba.

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Na tarde de ontem (26), o DIÁRIO percorreu bairros da capital e observou um grande número de pessoas circulando sem máscaras. No bairro do Marco, por exemplo, ao longo da avenida João Paulo II, pessoas caminhavam sem o equipamento de proteção, inclusive casais. Num ponto de táxi, um dos motoristas conversava com a máscara pendurada nas mãos.

No bairro de Fátima, pessoas sem máscaras foram vistas caminhando pelas ruas e dentro de estabelecimentos comerciais – inclusive em oficinas mecânicas. No bairro de Nazaré, área considerada nobre, a falta do EPI também era frequente. Entre elas, um idoso, que jogava dominó com o amigo sem respeitar a distância mínima. Detalhe, o idoso é fumante. Nenhuma das pessoas com quem a reportagem tentou contato para obter entrevista quis conversar.

AMBULANTES

Com o cenário de pandemia e incertezas, vendedores ambulantes perceberam que vender máscaras pode ser uma boa alternativa para conseguir melhorar a renda. Júnior Aragão, 35 anos, trabalha há 16 vendendo acessórios para carros. Passa o dia no cruzamento na Generalíssimo Deodoro com a rua Antônio Barreto. Durante o período do lockdown sentiu a queda nas vendas e visualizou que poderia conseguir algo com as máscaras. Agora vende três tipos. “Estava difícil, mas agora a venda tem sido boa. As pessoas precisam trocar de máscara nas ruas, às vezes, e compram”, disse. O preço dos equipamentos que vende varia de 5 a 30 reais, sendo a protetora facial a mais cara. “Essa tem saído bastante porque não embaça os óculos, não causa desconforto”, pontuou Júnior. Na avenida Nazaré, a ambulante Vera Rodrigues, 59, deixou de vender cintos e bolsas para vender máscara. “É o que está saindo. É o que estão comprando”, frisou. “Demorei a perceber que poderia ganhar algum dinheiro com elas (com as máscaras)”, pontuou. Ela vende pelo menos 20 máscaras por dia.

FISCALIZAÇÃO

Desde a publicação do decreto estadual, 9.111 locais foram fiscalizados pela Polícia Civil e 1.053 foram fechados. Ao todo, 478 notificações foram emitidas pela Polícia, que já aplicou 534 autos de infrações a estabelecimentos comerciais que descumpriram com o decreto estadual.

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