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VÍTIMAS DE DESCARGA ELÉTRICA

Metropolitano utiliza técnicas para evitar amputação em pacientes

quinta-feira, 25/06/2020, 18:08 - Atualizado em 25/06/2020, 18:08 - Autor: Com informações da assessoria


| Reprodução

Agostinho Costa acredita que um milagre aconteceu na sua vida. O pescador, de 41 anos, sofreu uma queimadura por descarga elétrica, em São João de Pirabas, no município do nordeste paraense.

Conhecido por todos da região onde mora, principalmente por não medir esforços quando o assunto é ajudar ao próximo, Agostinho realizava reparos no telhado de um vizinho quando o acidente aconteceu.

De forma acidental, ele encostou em um fio de alta tensão. “Quando estava na parte de cima da residência, foi quando sofri a descarga elétrica. Senti meu corpo queimando. Não sentia as pernas e um dos braços. Os vizinhos me cobriram com uma espécie de tenda, pois o sol estava muito quente naquele dia", lembra.

Agostinho estava com 35% do corpo com queimaduras de terceiro grau, além de quase 90% de chances de sofrer amputação das duas pernas. A sua entrada no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), aconteceu no dia 6 de novembro de 2019.

A unidade, que pertence ao Governo do Pará, sendo gerenciada pela Pró-Saúde, em Ananindeua, possui uma ala específica e voltada para internação de pacientes com queimaduras.

Na avaliação de Ivanilson Raniéri, médico e responsável técnico pelo CTQ, no caso do paciente Agostinho houve a decisão de tratamento pela técnica chamada Curativo a Vácuo (CAV ). O procedimento acelera a cicatrização e diminui o tempo de internação dos pacientes com queimaduras, úlceras e lesões graves.

“Nós conseguimos fechar de maneira definitiva e mais rápido o ferimento com esse procedimento. Sem a aplicação do novo tipo de curativo, ele levaria quase três meses para se recuperar, com possibilidade de perder as pernas”, explicou o médico.

Após 18 dias de tratamento usando a técnica CAV, Agostinho saiu do Hospital Metropolitano com as pernas recuperadas e andando. “Se você ver como minha perna chegou aqui no Hospital - as cenas são fortes - e como elas saíram, posso dizer que é um milagre, pois se não fosse esse procedimento eu estaria sem as pernas hoje", conta Agostinho.

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Metropolitano é pioneiro no procedimento de baixo custo

Referência no atendimento de traumas e queimados de média e alta complexidades no Norte do País, o Hospital Metropolitano também é pioneiro na técnica do "Curativo a Vácuo" de baixo custo.

Imagem ilustrativa
 

“Para fazer o procedimento de forma industrial, uma unidade de saúde gasta em torno de R$ 3,7 mil por semana. Já o Metropolitano realiza o procedimento com materiais de baixo custo, com a mesma segurança, gastando apenas $ 12,74 por curativo. A economia no procedimento é algo em torno de R$ 3,6 mil”, ressalta Ivanilson.

O CAV é realizado em pacientes com lesões complexas e tem ajudado a diminuir o número de amputações. O médico explica com detalhes como o tratamento é feito nessas situações.

"Primeiro, a lesão é coberta por uma esponja esterilizada, depois é colocada uma mangueira plástica e em seguida, o local é envolvido com o papel filme - o mesmo usado para cobrir alimentos. Após esse procedimento, o tubo plástico é ligado a rede de vácuo localizada sobre os leitos dos pacientes, gerando uma pressão negativa 24h por dia", diz.

De acordo com Ivanilson, o procedimento tem uma resposta mais rápida que o curativo convencional, pois a lesão reage com maior rapidez e o tempo de internação é menor, em média 20 dias, se comparado aos procedimentos convencionais.

O procedimento também reduz o desconforto, diminui dores e riscos de infecção. Como o tempo de cicatrização é mais rápido, a técnica de pressão negativa é capaz de devolver a qualidade de vida às pessoas, já que o número de trocas dos curativos é menor, entre duas a três vezes por semana.

“Como inovação, o Centro de Tratamento de Queimados utiliza materiais de baixo custo para realizar o CAV, sem comprometer a qualidade e efetividade dos procedimentos. Assim, tornamos a tecnologia mais acessível sem onerar o orçamento de insumos hospitalares”, ressaltou o diretor hospitalar do Metropolitano, Itamar Monteiro.

Dados sobre queimadura por eletricidade no Pará

De setembro de 2019 a fevereiro deste ano, o CAV começou a ser utilizado de forma experimental no Hospital Metropolitano, assistindo 15 pessoas com lesões graves, a maioria com queimaduras por descarga elétrica. Após esses seis meses, outros 15 pacientes foram submetidos aos procedimentos de pressão negativa, todos com resultados considerados positivos.

Atualmente, o autônomo Rosivaldo Farias, de 41 anos está internado no Metropolitano recebendo o tratamento de "Curativo a Vácuo", após sofrer queimaduras de terceiro grau enquanto tentava realizar reparos na laje da sua residência, no bairro da Cabanagem. “Onde moro é complicado, pois a rede elétrica fica próxima das casas. Fui realizar um pequeno reparo. Quando eu vi, já estava no Hospital com meu corpo todo queimado”, lembra.

No ano passado, o Hospital Metropolitano recebeu 478 pacientes com queimaduras diversas, de todas as regiões do Pará. Desse número, foram registrados 204 pacientes com queimaduras elétricas, entre 20 a 49 anos, principal faixa etária desse tipo de acidente.

Para Nellyane Ferro, coordenadora de enfermagem do CTQ, a queimadura por descarga elétrica é responsável por 80% dos casos graves que são atendidos na Unidade. “Lesões elétricas costumam apresentar maior gravidade, pois além da lesão causada na superfície da pele, na maioria dos casos atinge tecidos mais profundos e o percurso que a corrente faz no momento da origem (local de entrada) da descarga até o aterramento (local de saída) no corpo do indivíduo, ocasiona lesões mais graves, podendo atingir também alguns órgãos internos”, explica.

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