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EXPECTATIVA

Fim do lockdown traz alívio para muitos trabalhadores

sábado, 23/05/2020, 07:32 - Atualizado em 23/05/2020, 07:53 - Autor: Pryscila Soares


Centro da cidade deserto virou cena comum durante o isolamento social. Com o fim gradual das restrições, profissionais como o taxista Rosevelt Ferreira aguardam pela volta da clientela
Centro da cidade deserto virou cena comum durante o isolamento social. Com o fim gradual das restrições, profissionais como o taxista Rosevelt Ferreira aguardam pela volta da clientela | Irene Almeida

As ruas do centro comercial de Belém vazias, pouca movimentação em paradas de ônibus, praças e vias que outrora registravam um grande fluxo de pessoas e veículos. O cenário é reflexo do lockdown, instituído pelo Governo do Estado, por meio do decreto nº 729/2020, como medida de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Em vigor desde o último dia 7, o decreto que suspendeu todos os serviços não essenciais e restringiu a circulação de pessoas não será mais prorrogado na Região Metropolitana de Belém, encerrando neste domingo (24).

RETOMADA

Na última quarta-feira (20), o governador do Pará, Helder Barbalho, esteve reunido com representantes do setor produtivo para discutir a retomada das atividades econômicas no Estado. Na ocasião foi apresentado o projeto “Retoma Pará”, que prevê uma metodologia para a retomada gradual responsável, seguindo os protocolos de segurança dos órgãos de saúde, de forma controlada e monitorada das atividades não essenciais. Algumas dessas atividades já devem ser retomadas a partir de segunda-feira (25). O período de isolamento social mudou a rotina da população. Muitos tiveram de se reinventar para manterem o alimento na mesa e as contas pagas. E a notícia sobre a reabertura gradual das atividades consideradas não essenciais, incluindo o comércio, soa como um alívio para muitas pessoas. É o caso do taxista Roosevelt Ferreira, 59. Ele trabalha há mais de 20 anos na área da Avenida Presidente Vargas, uma das vias mais movimentadas da capital paraense.

Mas, com o isolamento social, a clientela desapareceu e foi com uma reserva financeira que ele conseguiu sobreviver ao período de restrições. “Foi muito ruim e continua sendo, acredito que pra todo mundo. A partir do momento que liberarem o funcionamento do comércio, mesmo que haja um pouco de recessão, a tendência é melhorar para que o dinheiro volte a circular. A minha renda reduziu em 90%”, disse o taxista.

Irene Almeida
 

O trabalhador lembra que quando o vírus começou a circular pelo mundo, ele tomou a iniciativa de reunir a sua família e juntos fizeram um planejamento para eliminar gastos supérfluos, reduzindo as despesas. “O que a gente tinha guardado usamos para pagar as contas de luz, água, cartão e para outros gastos com alimentação e remédios. Essa situação é geral. Aqui tinha a dona Maria que vendia café, tinha o bombomzeiro, tinha um rapaz que vendia lanches. Todo esse pessoal foi embora por falta de clientes, deixaram de vender”, afirmou Roosevelt.

O vendedor de água de coco Lorivaldo Pereira, 49, que atua na Praça Brasil, no bairro do Umarizal, também relatou ter passado por momentos difíceis durante o período de isolamento social. Ele viu as vendas despencarem pela falta de clientes naquela área, que sempre foi muito movimentada, e precisou lançar mão de economias para arcar com suas despesas. “Acabou a reserva e semana passada voltei a trabalhar, porque o dinheiro acabou mesmo. Acredito que vai melhorar um pouco mais a partir de segunda-feira”, disse.

Criatividade foi a ferramenta para se reinventar e lucrar

Por outro lado, há pessoas que, com criatividade, conseguiram reinventar seus negócios e até faturaram, mesmo em tempos de pandemia. Foi o caso do empresário e corretor de seguros Evaldo Júnior, 39 anos, que é casado e pai de dois filhos. Proprietário de uma loja de enxoval e artigos para bebês, ele começou a empreender pela internet, utilizando redes sociais como Instagram, Facebook e WhatsApp. A cliente contatava a loja virtualmente, fazia o pedido e recebia a encomenda em casa. “Tentei manter a rotina de trabalho e a cabeça ocupada. Começamos a anunciar nossos produtos pela internet e o nosso faturamento triplicou. Está sendo muito proveitoso. As coisas vão voltar ao normal aos poucos. Essas medidas de prevenção vão continuar por um bom tempo”, pontuou o empresário.

Mãe de uma menina de cinco anos, Natani Menezes, 27, é vendedora de uma loja de confecções do comércio, situada na Rua da Treze de Maio. As vendedoras da loja tiveram de se adaptar ao momento e passaram a anunciar as peças pelas redes sociais. Porém, o faturamento da loja caiu, segundo ela, e com isso os salários também diminuíram. “Continuamos trabalhando, mas com delivery. Caiu bastante. Minha filha estuda numa escola privada e, lá, eles não abaixaram o valor da mensalidade. Ficou muito difícil pra pagar as contas. Nossa expectativa pra essa reabertura é de que melhore pra todo mundo”, declarou a jovem.

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