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Abrigados do Mangueirão produzem desenho e pintura durante quarentena

quarta-feira, 20/05/2020, 17:48 - Atualizado em 20/05/2020, 16:48 - Autor: Agência Pará


Abrigados do Mangueirão produzem desenho e pintura durante quarentena.
Abrigados do Mangueirão produzem desenho e pintura durante quarentena. | Seaster/Ascom

Pouco mais de um mês da determinação do governador Helder Barbalho em abrigar pessoas em situação de rua no Estádio Olímpico, o Mangueirão, os resultados positivos da ação emergencial têm surgido de forma significativa. Além dos atendimentos de saúde, das atividades de esporte e lazer, das práticas de higiene e do acolhimento oferecido, o incentivo ao distanciamento social como medida de prevenção ao novo coronavírus tem contribuído no despertar de habilidades artísticas entre os acolhidos.

Pintura em azulejos, desenhos à mão, caricaturas e bonecos de saco plástico tem sido alguns dos objetos confeccionados. A produção, que é feita de forma caseira, tem contribuído no processo de superação e abandono do mundo das drogas.

Eleonildo Barbosa, mais conhecido como Léo, tem 44 anos, e está abrigado no local. Para ele, o desenho e a produção de bonecos em E.V.A ajudam a distrair e acalmar. "Eu sempre quis viver da arte do desenho, sempre gostei de desenhar, o que sempre me impediu foi a bebida. Esse tempo que eu tenho ficado aqui, o desenho tem me ajudado a distrair, a ficar mais calmo. Eu vou recolhendo as tampas de quentinhas e aproveito pra reutilizar pintando", contou.

Eleonildo Barbosa, mais conhecido como Léo, o desenho e a produção de bonecos em E.V.A ajudam a distrair e acalmar.
Eleonildo Barbosa, mais conhecido como Léo, o desenho e a produção de bonecos em E.V.A ajudam a distrair e acalmar. Seaster/Ascom
 


Waldemir Ferreira sempre gostou de pintura e de arte, mas conta que desde criança teve os seus sonhos interrompidos. Por conta da morte do pai e da rejeição que sentia por parte da família, acabou se frustrando e se envolvendo com as drogas.

"Eu passei por muitas decepções, fui para a rua, me envolvi com as drogas. Mas não era essa vida que eu queria ter. Hoje eu pinto para ficar em off, para sair da crise de abstinência. Para me imaginar naquele lugar da pintura e ficar bem, fugir um pouco da realidade", disse.

Alguns quadros chamam atenção pelas técnicas utilizadas e já despertam, entre os acolhidos, o interesse em aprender. "Eu faço quadro em artazuca, a arte em azulejo com cartão telefônico, e pretendo ensinar pessoas aqui, conseguir mais material e repassar esse conhecimento", destacou Leandro, que já trabalha com pintura há 13 anos.

Já Vanderson Ataíde, se identifica com o desenho, em especial a caricatura. "Até os 15 anos eu desenhava por hobby, depois comecei a trabalhar com isso, desenhava móveis para uma marcenaria, fiz letreiros, esculturas. Sou do município de São João da Ponta e me mudei pra cá pra tentar algo melhor. Eu costumo desenhar em praças, fico na feira do Ver-o-Peso, mas o que eu queria mesmo era um lugarzinho fixo para morar e vender meus quadros", disse o desenhista enquanto produzia mais um rosto.

Em Belém, a ação de abrigamento a pessoas em situação de rua completa dois meses dia 23 de maio. Além do acompanhamento e das ações diárias de saúde e lazer, os acolhidos têm recebido documentação e atendimento paro o cadastro do auxílio emergencial.

Abrigados do Mangueirão produzem desenho e pintura durante quarentena.
Abrigados do Mangueirão produzem desenho e pintura durante quarentena. | Seaster/Ascom
Eleonildo Barbosa, mais conhecido como Léo, o desenho e a produção de bonecos em E.V.A ajudam a distrair e acalmar.
Abrigados do Mangueirão produzem desenho e pintura durante quarentena. | Seaster/Ascom

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