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Pequenos negócios podem superar isolamento social

sábado, 21/03/2020, 07:39 - Atualizado em 21/03/2020, 08:24 - Autor: Alexandra Cavalcanti e Michelle Daniel


Vendas presenciais estão comprometidas com recomendação de isolamento por causa do Covid-19.
Vendas presenciais estão comprometidas com recomendação de isolamento por causa do Covid-19. | Divulgação

Entre as principais medidas que vêm sendo recomendadas para prevenir a disseminação da pandemia do novo coronavírus, está o isolamento social. Ficar em casa e só sair em casos de extrema necessidade é uma medida necessária e fundamental. No entanto, tem causado impacto direto nas pequenas e microempresas e nos trabalhadores autônomos, que precisam fazer girar seus produtos e serviços. Em meio a esse cenário, é preciso buscar alternativas para não ficar sem renda ou ter de fechar as portas.

O educador financeiro Francinaldo Gomes explica que, mais do que nunca, a máxima que diz “quem poupa sempre tem” se mostra importante nesse momento. “As pessoas precisam sempre ter uma reserva para situações como essa. O ideal é que tivessem pensado nisso antes, para conseguir se manter financeiramente, já que muitos estão ficando sem trabalhos e ou sem poder sair de casa”, diz.

Nesse aspecto, os produtos e investimentos financeiros são sempre uma boa opção para passar por momentos como o atual. “Rendem aplicações financeiras que podem ajudar a manter o investidor com os juros dos rendimentos”, ensina.

Mas quem não se preveniu - pelo menos nesse aspecto-, pode ainda lançar mão de alternativas. Uma delas, segundo o educador, é “procurar formas de obter renda sem sair de casa, como no mercado on-line, oferecendo produtos e serviços que possam ser comercializados pela Internet, o chamado e-commerce. Uma opção é oferecer monitoria através de vídeos ou pensar na venda de produtos on-line”, sugere..

EMPRÉSTIMOS

Caso não seja possível essa opção, o educador financeiro aconselha, como último recurso, os empréstimos. “As financeiras e instituições financeiras em geral estão flexibilizando esse pagamento, dando prazos maiores, para que as pessoas possam ter dinheiro de forma mais fácil. Mas é importante ter em mente que esse deve ser o último recurso a ser usado”, avisa.

Os trabalhadores autônomos e os proprietários de micro e pequenas empresas devem ficar atentos para que esse acesso ao crédito seja “com a menor taxa de juros possível. O governo já baixou a taxa Selic, inclusive, o que é importante nesse contexto”, afirma.

Nesse momento, é importante economizar. “Se precisar sair, trocar o carro pelos aplicativos, usar bancos digitais, já que muitos não cobram taxas e disponibilizam cartões sem custos e procurar formas alternativas de ter renda”, diz.

Francinaldo Gomes lembra ainda que é possível crescer na crise. “Quem está acompanhando os mercados de ações, por exemplo, está vendo que nesse momento há empresas ótimas sendo vendida a preços mais baixos”, avalia. Ele também aconselha manter a calma. “Não tomar atitudes precipitadas. É momento de manter a calma e acompanhar os fatos até esse momento passar”, aconselha.

AJUDA

Os negócios mais impactados diretamente pela crise causada pelo coronavírus, por enquanto estão ligados às cadeias produtivas do turismo, lazer e alimentação fora de casa. Para se ter uma ideia do impacto, um pequeno restaurante que vendia cerca de 100 refeições por dia, atualmente não está conseguindo chegar nem a 30. Essa situação tem reflexo direto nas compras que esse comerciante fazia em supermercados e feiras livres. E nessa linha, os produtores rurais e as empresas de alimentos que abastecem esses negócios também acabam sentindo o impacto.

Algumas medidas vêm sendo anunciadas, como a liberação de linhas de crédito produtivo mais baratas dos bancos públicos para pequenas e médias empresas e produtores rurais, mais um corte dos juros básicos e incentivo ao consumo, em especial com injeção de recursos para aposentados, com a liberação da primeira parcela do 13º e possível novo saque do FGTS.

Esta semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes anunciou um programa de ajuda para autônomos, prevendo a concessão direta de recursos aos trabalhadores informais ao custo de R$ 5 bilhões por mês, pelo prazo de três meses, levando o total da investida a R$ 15 bilhões. Ele destacou ainda que o auxílio será de R$ 200 por beneficiário.

ESTADO

No Pará, o governador Helder Barbalho pretende injetar R$ 100 milhões na economia do Estado para fomentar o segmento que mais gera emprego no Estado - das micro e pequenas empresas. Será disponibilizada uma linha de crédito, com juros de 0,2%, para o empreendedor se manter nesta fase difícil. “São dividendos do Banpará que seriam transferidos para o Estado na execução de seu orçamento, e estamos disponibilizando para a sociedade”, anunciou.

PARA ENTENDER

SETOR IMPORTANTE

Vale lembrar, que em todo o país, as micros e pequenas empresas são 98% das empresas brasileiras e empregam quase 50% da mão de obra com carteira assinada.

Emprego informal ocupa cerca de 1,3 milhão no Pará

No Pará, cerca de 1,3 milhão de pessoas trabalham por conta própria, o que representa 36% dos ocupados no Estado que podem ser afetados pela crise na saúde provocada pelo Covid-19. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA).

De acordo com o Departamento, a ocupação informal trata-se da atividade que não possui condições legais de um vínculo empregatício formal, ou seja, sem registro em carteira, sem carga horária de trabalho regular e sem usufruir dos benefícios garantidos por lei. A pesquisa levou em consideração pessoas acima de 14 anos.

Os dados foram coletados pelo Dieese em parceria com o projeto do Observatório do Trabalho do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster).

O estudo aponta que no período de outubro a dezembro do ano passado, o número de pessoas ocupadas no mercado de trabalho paraense alcançou 3,5 milhões de pessoas, um acréscimo de 1,5% em relação ao quantitativo de ocupados nos três meses anteriores (julho a setembro).

BRASIL

No balanço nacional, até dezembro de 2019, eram cerca de 94,5 milhões de trabalhadores, sendo 26% por conta própria. Até dezembro do ano passado, o Pará foi o segundo Estado da federação que apresentou o maior percentual da sua força de trabalho ocupada na condição de trabalhador por conta própria.

O economista Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese, chama atenção para esse tipo de atividade. “O trabalho informal, em sua grande maioria, é praticado sem regulação, sem proteção e demais direitos. Nesta condição, ele precariza fortemente as relações de trabalho e pouco contribui para que tenhamos uma economia forte e com oportunidades dignas para os trabalhadores jovens ou não”, observa. “O fortalecimento do empreendedorismo, a qualificação profissional, assim como as políticas de incentivo de geração de renda e empregos formais são fundamentais para ajudar a mudar o momento atual do Mercado de Trabalho no Pará em todo o Brasil”, completa.

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