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INCLUSÃO SOCIAL

Ações ajudam catadores(as) a produzirem sabão ecológico e se alfabetizarem

sexta-feira, 21/02/2020, 07:27 - Atualizado em 21/02/2020, 07:25 - Autor: Andressa Ferreira, Enderson Oliveira e Gabriel Caldas


Raimundo Francisco, 41 anos, é um dos catadores que foi alfabetizado através do projeto do INÃ.
Raimundo Francisco, 41 anos, é um dos catadores que foi alfabetizado através do projeto do INÃ. | Gabriel Caldas/Diário Online

Nas primeiras reportagens, você viu o quanto a produção do sabão ecológico em Bragança é simples, mas fundamental para a Cooperativa de Catadores(as) de Materiais Recicláveis dos Caetés (Coomarca). Além de gerar renda, o projeto também visa sensibilizar a sociedade para a importância da coleta seletiva e reúne ações que incentivam a educação e aperfeiçoamento de outras atividades dos trabalhadores.

Uma das pessoas alcançadas é Maria de Jesus, 48 anos, catadora e presidente da Coomarca. Antes de chegar até a associação, ela trabalhava no lixão da cidade, sem condições dignas e sem apoio algum da prefeitura municipal.

Mãe de 9 filhos e avó de 12 netos, Maria viu sua vida mudar nos últimos meses. “O projeto trouxe muitas coisas boas para a minha vida e para a minha família, principalmente conhecer novas pessoas, ter mais envolvimento com o meio ambiente. Ao invés de estar jogando o óleo em esgotos ou valas para poluir os rios, nós estamos produzindo sabão, além de trazer renda para nós, para a cooperativa”, destaca.

Emocionada, Maria conta que ela e os outros catadores, antes “invisíveis” aos olhos da sociedade, passaram a ser vistos de uma forma mais respeitosa. “Após o projeto, as pessoas passaram a nos enxergar. As pessoas já nos conhecem, nos chamam para fazer a doação do óleo. Aqui, nós 16, somos uma família só. Cada projeto que chega aqui na cooperativa é bem-vindo”, enfatiza.

Nos últimos meses, os catadores também ganharam oficinas e formações temáticas. Um deles foi o curso de alfabetização, pedido feito pelos próprios catadores, como Raimundo Francisco, 41 anos.

Primeira reportagem da série: Sabão ecológico limpa a natureza e gera renda no Pará

Segunda reportagem da série: Óleo de cozinha que poluía rio em Bragança é transformado em sabão ecológico; saiba como! 

Entre monturos de materiais que foram recolhidos nas ruas, “Chicó”, como é chamado, ostenta com orgulho o certificado de conclusão do curso de alfabetização singelamente emoldurado.

“Eu aprendi o meu nome, que eu não sabia fazer direito. O dia que eu sair daqui ou morrer, vai ser uma lembrança, que vai ficar”, afirma emocionado, mostrando que as mesmas mãos que recolhem detritos e materiais que seriam descartados podem empunhar papel e caneta e construir um futuro melhor.

 

Como se nota, as mudanças então passam a ser não somente ambientais, mas sociais. Além do galpão próprio e um caminhão, os catadores ganharam casas, conquistas vindas a partir da doação de parceiros e da organização social do Inã. Mesmo assim, ainda há inúmeros desafios e a necessidade de mais ajuda é constante.

Isto, no entanto, não parece ser empecilho para os catadores dos Caetés, que se orgulham do trabalho e das vitórias diárias. Assim como Marcilene, que abriu esta série especial, a catadora Aurita de Jesus Barbosa, de 54 anos, sabe que pode transformar sua vida através da educação e de mais oportunidades.

“Eu não sabia fazer o meu nome, aprendi. Quero continuar a estudar para aprender mais e mais”, destaca ela, exibindo com orgulho seu certificado do curso de alfabetização e, mostrando que, se o mundo ainda pode ser reciclado o exemplo pode vir aqui mesmo do Pará, de toda a corrente sustentável e do bem estabelecida em Bragança.

 

Reportagem: Andressa Ferreira

Direção e edição: Enderson Oliveira

Imagens e edição de vídeo: Gabriel Caldas

Coordenação sênior: Ronald Sales

Coordenação executiva: Mauro Neto

Raimundo Francisco, 41 anos, é um dos catadores que foi alfabetizado através do projeto do INÃ.
Raimundo Francisco, 41 anos, é um dos catadores que foi alfabetizado através do projeto do INÃ. | Gabriel Caldas/Diário Online
Raimundo Francisco, 41 anos, é um dos catadores que foi alfabetizado através do projeto do INÃ. | Gabriel Caldas/Diário Online
Raimundo Francisco, 41 anos, é um dos catadores que foi alfabetizado através do projeto do INÃ. | Gabriel Caldas/Diário Online

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