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ATIVIDADE FÍSICA

Antes da corrida, é preciso fazer uma boa avaliação

domingo, 02/02/2020, 11:34 - Atualizado em 02/02/2020, 11:33 - Autor: Alexandra Cavalcanti


A prática da corrida aumentou bastante no Brasil e pode ter muitos benefícios, como perda de peso, melhora do condicionamento físico, combate ao estresse, mas é essencial que antes a pessoa faça uma avaliação da saúde
A prática da corrida aumentou bastante no Brasil e pode ter muitos benefícios, como perda de peso, melhora do condicionamento físico, combate ao estresse, mas é essencial que antes a pessoa faça uma avaliação da saúde | Fernando Araújo/Diário do Pará

A corrida tem ganhado cada vez mais adeptos no Brasil. Foi o que mostrou a última pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde sobre o tema, que apontou um crescimento de 194% na prática de corrida/caminhada, enquanto o futebol caiu quase pela metade (43,5%). Outro estudo feito pelo instituto de pesquisas esportivas Sport Trackc estimou que no país já existam seis milhões de corredores. Mas, apesar do crescimento no número de praticantes e dos benefícios, é preciso cuidados antes de colocar o tênis na pista.

Cardiologista, pós-graduado em Medicina do Exercício, Heitor Pereira alerta que para iniciar a prática da corrida, assim como outras atividades físicas, é preciso ter alguns cuidados prévios. “Devemos antes fazer uma avaliação pré-participação, principalmente quando se tem mais de 35 anos de idade, quando podem acontecer eventos cardiovasculares como a morte súbita, o que realmente devemos evitar. Essa pré-participação é feita por um médico do esporte e cardiologista familiarizado com esse tipo de avaliação”.

A partir da prática, os benefícios podem ser muitos – perda de peso, melhora do condicionamento físico, combate ao sedentarismo, ao estresse, a insônia, entre outros, além de benefícios ao coração. “Tudo é adaptação. Você tem a resposta aguda do exercício e que com a continuidade vai haver a adaptação crônica com todos os seus benefícios, como o aumento da capacidade cardiopulmonar, queda da frequência cardíaca de repouso, queda da pressãoarterial em repouso”.

Ele destaca que a lista dos benefícios da prática é ainda maior. “Beneficia não só o coração, mas o corpo todo, inclusive, diminui em mais ou menos 20% a chance de ter vários tipos de cânceres como de mama, intestino, cérebro e outros e diminui as chances de Alzheimer também”, cita. Ele lembra ainda que é fundamental aliar o exercício a outras práticas saudáveis. “Além do exercício, é preciso ter uma alimentação equilibrada, uma boa noite de sono e diminuir o estresse”. Uma das preocupações dos profissionais da área da saúde é diminuir os índices de mortes súbitas relacionadas a práticas esportivas, como a corrida. “Esse é o grande objetivo da pré-avaliação”.

Ele ressalta, no entanto, que esses acontecimentos são raros. “Mas acontecem, antes dos 35 anos ocorre provavelmente por duas patologias: a miocardiopatia hipertrófica e displasia arritmogênica do VD e, acima de 35 anos, por conta do infarto agudo do miocárdio”, explica.

Grupo durante a prática da corrida em praça de Belém
Grupo durante a prática da corrida em praça de Belém Fernando Araújo/Diário do Pará
 


O profissional de educação física e treinador de grupos de corrida, Eiji Júnior também ressalta a importância da avaliação física antes de iniciar qualquer atividade física. “É necessária uma anamnese da condição física que aquela pessoa se encontra. Saber se está sedentária ou em um nível intermediário ou avançado e o que ela pretende com aquela atividade, como perder peso, por exemplo. Além disso, é importante procurar um médico especialista na área esportiva e um nutricionista também voltado para essa área para dar as orientações sobre que alimentação seguir nos treinos”.

ORIENTAÇÃO

A partir da condição física, o profissional irá orientar sobre a questão da intensidade e da frequência. “Quem nunca praticou a corrida, o correto é iniciar sempre com a caminhada, depois ir intercalando com a corrida até chegarrealmente a correr”.

O profissional destaca que a partir da avaliação física e médica sem problemas, todos podem evoluir na corrida. “É claro que o fator biológico é importante e o meio influencia na mudança de algumas coisas também. Mas, de modo geral, todos podem evoluir para a corrida”. Depois disso, é preciso escolher o profissional de educação física para orientar o trabalho. “É necessário que seja um profissional com inscrição no Cref (Conselho Regional deEducação Física)”.

A escolha da roupa e o calçado usados na corrida merece um cuidado especial. “Oriento sempre os meus alunos que as camisetas de poliamida são as mais indicadas. Ao contrário das roupas de algodão, elas não absorvem o calor, nem retém o suor e aumentam a temperatura do corpo”.

Sobre o calçado, o profissional destaca que muito vem se discutindo o assunto. “Mas, de forma geral, posso dizer que as pessoas que desejam praticar a corrida devem fazer um teste, antes de comprar o tênis. Experimentar para saber se é confortável, se não está apertado, porque o ideal é deixar pelo menos um dedo sobrando. Além disso, deve se investir nos modelos anti impacto”.

Outra dúvida comum de quem pretende começar a corrida é com relação ao melhor horário. Eiji explica que, no caso da corrida de rua, a orientação é fugir do calor intenso, principalmente, nos horários entre 11h e 16h. “O treino de rua pode ser feito pela manhã e à noite. Os horários de muito calor não são indicados, a menos que se esteja numa área arborizada, sem a incidência direta do sol. Já fisiologicamente falando, a partir das 17h o corpo está preparado para a atividade física”.

O profissional alerta ainda que, apesar de ser o segundo maior esporte praticado pelos brasileiros, requer outros cuidados. “É necessário planejamento antes de pegar o tênis e ir para as ruas, como alguns costumam dizer, porque, assim como é grande o número de praticantes atualmente, é grande também os riscos de lesões. É importante que a pessoa passe por todas as etapas e isso requer orientação profissional adequada”, afirma.

“É uma atividade que traz vários benefícios”

Cristina Lopes e Carlos Ruan também destacam a importância da motivação
Cristina Lopes e Carlos Ruan também destacam a importância da motivação Fernando Araújo/Diário do Pará
 

Há cerca de quatro meses, o professor de educação física Carlos Ruan atua em uma empresa que presta assessoria a corredores de rua. Atualmente são três grupos divididos nos turnos da manhã e noite.

Através da assessoria é montada uma planilha de treino individual para cada participante, com orientação sobre frequência e intensidade, de acordo com as condições físicas, médicas e o objetivo do corredor. “O nosso treino é dividido em três vezes por semana, porque entendemos que o descanso é muito importante nessa atividade, assim como a hidratação durante a atividade”, detalha.

Além dos cuidados com alimentação, avaliação médica e física, o professor ressalta que para iniciar a corrida de rua é preciso investir também na motivação. “É uma atividade que traz vários benefícios, como o bem-estar físico, melhora na condição de saúde, perda de peso e outros. Mas, como é uma atividade que se pratica sozinho, é preciso força de vontade para começar”, avalia.

Essa força de vontade para começar a praticar a corrida de rua, no caso do empresário Mário Mota, de 58 anos, começou por orientação médica. “Tive depressão, sofri a perda de uma filha e uma separação. Cheguei a precisar tomar cinco remédios por dia, até que os médicos e a própria psicóloga falaram que não podiam mais fazer nada por mim, que eu precisava procurar uma atividade física. E foi então que eu comecei”, diz ele, que lembra que antes nunca tinha nem calçado um tênis.

Sete anos após iniciar a corrida, o empresário se sente uma nova pessoa. “Parei de tomar todos os remédios. Não tomo mais nenhum. Melhorei em todos os sentidos”, conta ele, que conseguiu reconstruir sua vida e agora tem um filho de três anos. “Ele é um troféu para mim”, completa.

No caso do professor universitário Philipe Feio, de 29 anos, a motivação veio da possibilidade de emagrecer. “Queria perder peso e também ganhar qualidade de vida. Comecei a correr na praça sozinho, fui tomando gosto e procurei um grupo de corrida para fazer parte. Consegui chegar aos meus objetivos e, no ano passado, participei da minha primeira maratona, em São Paulo e a cada ano vou conseguindo superar meus próprios limites”, comemora.

A pedagoga Cristina Lopes, de 43 anos, é uma das participantes mais recentes do grupo e conta que precisou de muita motivação para retornar a corrida após uma pausa de cerca de cinco anos, depois do nascimento da filha. “Recomecei em agosto do ano passado. Queria perder peso e, principalmente, ganhar disposição para encarar o dia a dia”, conta ela, que começa a correr a partir das cinco horas da manhã, três vezes por semana.

Os primeiros resultados positivos da corrida funcionaram como estímulo para Cristina continuar e se dedicar mais ainda aos treinos. “No início treinava à noite porque tinha dificuldades de acordar cedo. Mas acabei ganhando mais resistência e disponibilidade para acordar cedo e passei a correr pela manhã, junto com o grupo, que para mim representa alegria e companheirismo. Estou adorando fazer parte dele”, resume.

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