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Cesta básica aumentou o dobro da inflação para os paraenses

sexta-feira, 10/01/2020, 08:05 - Atualizado em 10/01/2020, 08:12 - Autor: Michelle Daniel


Fazer as compras do mês sem gastar muito é quase impossível para os consumidores paraenses
Fazer as compras do mês sem gastar muito é quase impossível para os consumidores paraenses | Wagner Santana

As compras que eram feitas mensalmente agora ocorrem toda semana. A quantidade dos alimentos foi cortada pela metade. E, para piorar, o consumo de energia elétrica também precisou ser economizado. Todas essas mudanças aconteceram no último ano no dia a dia do encarregado de manutenção, Laércio Oliveira, 52, por causa do aumento nos preços da alimentação do paraense. “Tudo aumenta e o jeito é tentar economizar de alguma forma para não deixar de comer. Ainda não cheguei a substituir as marcas, mas para não faltar nada na geladeira, a gente começa a mudar alguns hábitos”, diz.

Já a aeroportuária Laíse Saraiva, 50, adotou outras medidas um pouco mais drásticas. “Se estiver muito caro, não compro. Troco de supermercado se for preciso. E não saio de casa sem a minha lista de compras. Só levo o que é necessário”, comenta. “Nada melhora nos preços, pelo contrário. A cada ida ao supermercado, pago mais caro e levo poucas sacolas”, avalia.

A realidade de Laércio e Laíse é semelhante a de milhares de paraenses diante dos inúmeros aumentos na alimentação básica. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA), 2019 fechou o ano com alta de mais de 8% nos preços, quase o dobrou da inflação daquele ano, estimado em 4%. Ainda segundo o Dieese/PA, os maiores reajustes no período de janeiro a dezembro ocorreram nos preços do feijão, carne bovina, óleo de soja, açúcar e da banana. “Na maioria dos meses do ano passado, os preços básicos da alimentação dos paraenses ficaram mais caros. Em dezembro, por exemplo, a alimentação voltou a apresentar aumento de preço, tendo a cesta básica comercializada em Belém em média a R$ 414,13, com alta de 8,62% em relação ao mês anterior”, explica o economista Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese/PA. “A alimentação básica comprometeu na sua aquisição cerca de 45% do salário mínimo, que vigorou até oúltimo dia 31”, acrescenta.

Para Sena, o custo da alimentação básica para uma família padrão paraense, composta de dois adultos e duas crianças, ficou avaliada em R$ 1.242,39, “sendo necessários, portanto, aproximadamente 1,24 salários mínimos para garantir as mínimas necessidades do trabalhador e sua família, somente com alimentação”.

Ainda segundo a pesquisa, das 17 capitais analisadas de todas as regiões do país, Belém ocupa o 12º lugar no ranking das cestas básicas mais caras. Isso significa que, quem ganha um salário mínimo e mora na capital paraense, precisa trabalhar 91 horas e 17 minutos para conseguir comprar uma cesta básica.

 


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