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SAÚDE PÚBLICA

Casos de câncer de pulmão caem 72% no Pará

sábado, 04/01/2020, 11:16 - Atualizado em 04/01/2020, 11:14 - Autor: Michelle Daniel


| (Reprodução)

A Secretaria de Estado de Saúde contabilizou apenas 45 registros em 2019. Esse é o tipo de doença que causa o maior número de vítimas fatais no mundo. Especialista explica que normalmente o diagnóstico é tardio.

PREVENÇÃO

Um dos tipos de câncer mais grave que existe, de pulmão, é o segundo mais comum entre homens e mulheres no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) afirma que esse tipo é responsável pelo maior número de incidência e de mortes no mundo. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em 2019 foram registrados 45 casos no Pará, o que representa uma redução de 72% em relação ao ano de 2018.

O oncologista Luis Eduardo Wernek, médico na Oncológica do Brasil, em Belém, explica que o pulmão – responsável pela respiração – é um órgão autônomo e, geralmente, os sintomas são tardios. “É muito difícil diagnosticar o câncer de pulmão em estágios mais precoces. Esse diagnóstico fica comprometido porque as pessoas não têm o costume de fazer anualmente a tomografia, por exemplo. Ainda não há determinação de nenhum governo para que se faça um rastreamento, principalmente daquelas pessoas mais propensas a desenvolver a doença”, diz.

Entre os pacientes, os homens ainda são a maioria acometida com a doença. Do total de casos, há uma parcela significativa de fumantes, inclusive, mulheres. “Nos últimos anos, houve um aumento devido a taxa de fumantes entre elas ter crescido. Isso não quer dizer que o câncer de pulmão seja causado somente por fumo, mas ele é o fator fundamental, que tem maior peso e que mais impacta para que haja o desenvolvimento da doença”, reforça.

O Inca aponta ainda que “o tabagismo e a exposição passiva ao tabaco são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão. Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco”.

O especialista afirma que há quatro estágios do câncer de pulmão. Os dois primeiros são considerados iniciais, quando é possível cirurgia e radioterapia. Já nos estágios mais avançados, três e quatro, os tratamentos são a quimioterapia e imunoterapia (guiada por uma avaliação genética do paciente). Porém, quando diagnosticados, a maioria dos pacientes está nos estágios três ou quatro. “Infelizmente, há uma demora no diagnóstico e no tratamento. Os impactos à saúde do paciente são os piores como qualquer doença. Pior para o paciente, pois a doença avança, e para o Estado, onde o custo do tratamento chega a ser dez vezes mais caro quando comparado ao tratamento em estágio inicial”.

Segundo o oncologista, foi lançado em 2019, nos EUA, o primeiro trabalho que prova a eficiência do rastreamento da doença a partir de exames como tomografia de tórax em todas as pessoas que estão sob maior risco, “mostrando que é vantajoso fazer o rastreamento ao invés de esperar o câncer acontecer”.

PARTICULARES

Wernek reconhece que o Pará melhorou, a partir do atual governo, o acesso dos pacientes que possuem doenças graves nos hospitais regionais. Essa realidade é apontada pela Sespa. Já no ambiente privado, o rastreamento é ainda mais complicado.

“É demorado o reconhecimento dos exames que possam ser de rastreamento. Os planos de saúde não têm a visão em investir na prevenção”, aponta.

Tratamento novo é oferecido de forma gratuita em Belém

A imunoterapia se baseia em fazer uma biopsia do tumor do paciente e, com a coleta de saliva ou sangue, também é possível fazer uma avaliação genética de todo o paciente. Este exame, coletado em Belém, é enviado ao Hospital Israelita Albert Einstein, referência no país, em São Paulo, e em seguida para os Estados Unidos ou Grécia, que são únicos laboratórios no mundo que fazem essa análise.

“De acordo com o resultado que vem do genoma (genes alterados), escolhemos os medicamentos que vão ser dados ao paciente, como se fosse um tratamento alvo, uma terapia direcionada a cada paciente. Ou seja, cada paciente vai tomar um remédio diferente mesmo todos tendo câncer de pulmão. O tratamento é direcionado e diminui a toxidade. Por exemplo, não cai o cabelo e ainda aumenta a chance de cura ou de controle da doença”, detalha o médico.

E pela primeira vez no Norte, o trabalho desenvolvido nos EUA chega ao Pará, fornecendo a pacientes com câncer de pulmão em estágio avançado, todo o tratamento de forma gratuita, incluindo medicamentos ultramodernos direcionados aos genes de cada paciente e a internação e cuidados que o paciente precisar. Luis Eduardo esclarece que são apenas 20 candidatos em todo o Pará que poderão ser escolhidos para esse tratamento que os brasileiros não teriam acesso fora do âmbito da pesquisa, que já se mostrou eficiente em 18 países, na tentativa de diminuir os tumores. “Não é uma pesquisa com remédios experimentais, mas sim com remédios já consagrados, mas somente disponíveis no exterior. Por isso é muito importante para população paraense, onde 20 candidatos terão a chance de cura e de controle da doença muito maior”, ressalta.

Não é uma pesquisa com remédios experimentais, mas sim com remédios já consagrados, mas somente disponíveis no exterior” Eduardo Wernek, oncologista

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