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Senador alertou ministério sobre graves problemas na educação básica

domingo, 01/12/2019, 08:25 - Atualizado em 01/12/2019, 08:29 - Autor: Luiza Mello/De Brasília


Jader lamenta que seus alertas foram ignorados pela presidência.
Jader lamenta que seus alertas foram ignorados pela presidência. | Tamara saré/Arquivo

Um minucioso relatório de 265 páginas elaborado por uma comissão parlamentar formada em abril pela Câmara dos Deputados, revela um quadro dramático sobre o planejamento e a execução de políticas públicas conduzidas pelo Ministério da Educação, uma das pastas mais importantes para a formação de futuros cidadãos brasileiros. “O diagnóstico é desolador e mostra que a fragilidade do planejamento e da gestão do MEC afetou diretamente a formulação e a implementação das políticas educacionais”, diz o relatório, ao qual o DIÁRIO teve acesso.

O documento vai ser divulgado oficialmente na terça, 3 de dezembro. O relatório classifica a atual gestão do Ministério da Educação como “insuficiente”. As conclusões e recomendações serão entregues ao Tribunal de Contas da União de acordo com o documento, a Política Nacional de Alfabetização, que traça as diretrizes para ações e políticas governamentais, não avançou. O caderno com o conteúdo do Plano Nacional da Educação (PNE), por exemplo, só foi lançado no final do mês de agosto, ou seja, há três meses, e não chegou ainda aos estados e municípios. Ou seja, no final do ano letivo as escolas em todo o país não sabem ainda quais projetos e atividades terão prioridade para a educação básica.

A gravidade da situação da educação preocupa o senador Jader Barbalho (MDB) que já havia alertado ao presidente Jair Bolsonaro e ao atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, os riscos que o país corria, ao não priorizar recursos e atenção especial ao Ministério da Educação. “Alertei tanto ao presidente quanto ao atual ministro que a baixa execução orçamentária em diversos programas seria catastrófica para a educação. Destaquei, inclusive, que os constantes bloqueios feitos pelo governo federal na área da Educação geravam enormes preocupações nas regiões mais pobres do Brasil. E não poderia ser diferente no caso do Pará, onde a maioria da população depende das escolas públicas para conseguir estudar” lembrou o senador.

Jader lamenta que os apelos feitos ao presidente da República não tenham sido atendidos na época em que encaminhou à Bolsonaro um levantamento feito pela Consultoria de Orçamento do Senado Federal, revelando todos os bloqueios feitos no Ministério da Educação. “O resultado naquela época, em maio deste ano, já dava uma radiografia desastrosa do futuro da educação no Brasil. Ler o relatório elaborado pela comissão externa da Câmara dos Deputados muito me entristeceu, mas, confesso, não me surpreendeu”, lamenta o senador paraense.

No documento encaminhado ao presidente da República, na época, mostravam que a educação básica sofreu bloqueio de pelo menos R$ 914 milhões. “A informação sobre bloqueios na educação básica aumentou a nossa preocupação. Alertei naquela data sobre o futuro do Brasil. Cortes no orçamento ocorrem, porém é necessário levar em conta que bloqueios dessa magnitude causam real alerta. Preocupou-me, ao receber o estudo da Consultoria de Orçamento do Senado, o fato de que riscos reais e sérios prejuízos viessem a ocorrer à sociedade brasileira e, em especial, ao povo paraense”, lembrou o senador, ao destacar trechos do relatório da comissão que será lido na próxima terça, na Câmara dos Deputados.

O levantamento feito pela consultoria do Senado mostrou que foram congelados R$ 273,3 milhões do montante de R$ 881,6 milhões destinados à infraestrutura de escolas do ensino básico, ou seja, 31% do total. Outros R$ 132,6 milhões, alocados para apoiar o desenvolvimento da educação básica escolar, também foram bloqueados pelo MEC. “Grande parte dos programas voltados à educação básica, que foram atingidos pelo contingenciamento, estão alocados no orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que perdeu mais de R$ 984,8 milhões”, alertou o senador.

Emenda

Uma das sugestões que devem ser apresentadas na próxima terça é a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para blindar a pasta da Educação de bloqueios do Orçamento. A PEC evitaria cortes como os que foram feitos neste ano pelo governo Jair Bolsonaro nos repasses a universidades e à educação básica. Essa é uma entre as 18 propostas legislativas sugeridas no relatório preparado pela comissão.

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