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Casal grávido dança em trabalho de parto na Santa Casa. Veja!

terça-feira, 26/11/2019, 22:14 - Atualizado em 26/11/2019, 22:14 - Autor: Ag. Pará


Potyara Carvalho e Márcio Lopes não dispensaram a dança de salão
Potyara Carvalho e Márcio Lopes não dispensaram a dança de salão | Bruno Cecim / Ag.Pará

O atendimento acolhedor aos pacientes é uma das premissas da Política de Humanização da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. Referência no estado para casos neonatais de alta e média complexidades, a Unidade busca oferecer um olhar diferenciado que promova o protagonismo dos usuários. A abordagem foi sentida por Potyara Carvalho, 21 anos, que executou passos de dança de salão com o marido, Márcio Lopes, durante o trabalho de parto no mês passado.

Em mais de 45 horas em que esteve na maternidade aguardando o nascimento da pequena Pérola, o casal - que dança profissionalmente - foi estimulado pela equipe assistencial a compartilhar como a arte está presente em sua vida. "Durante toda a gestação a gente continuou dançando por saber dos benefícios para a saúde como a melhoria da respiração e não ficar sedentária. Claro que não podia exagerar, fazer movimentos aéreos. Mas se não fosse a dança, talvez eu tivesse sofrido mais no parto. A dança faz parte da minha vida, minha mãe dançava. É um trabalho mas a gente ama fazer", conta Potyara. "Quando eu danço o mundo é só meu, não importa o que está a minha volta. No hospital eu esqueci do mundo, era só eu, minha filha e ele. Nem tenho palavras para descrever, foi algo natural, que fluiu espontaneamente", complementou.

Veja:


A criança que já tem um mês fora do útero sentiu a dança antes mesmo de os pais confirmarem a gravidez. "Estávamos em uma competição no Rio de Janeiro e nosso técnico suspeitou", lembra Márcio, que teve que substituir a parceira no concurso e ainda assim garantiu o terceiro lugar. Hoje Pérola só dorme quando a colocam para dançar.

A identificação do talento do casal foi uma das estratégias para alívio da dor. Na Santa Casa, a equipe obstétrica utiliza também outras tecnologias não invasivas como musicoterapia, aromaterapia, banho quente, além de instrumentos como cavalinho, bola, barra de ling e banqueta em forma de lua. De acordo com a enfermeira obstétrica Conceição Barros, o parto humanizado não está relacionado à via de nascimento - natural, induzido ou por cirurgia cesariana. "É acolher de tal forma que a parturiente consiga dizer o que quer. É respeitar o protagonismo da paciente", afirmou Conceição.

Entre as formas de atendimento humanizado estão a substituição de apelidos como 'mãezinha' e 'florzinha' pelo próprio nome da parturiente; e a promoção do contato pele a pele, de acordo com a profissional que já acompanhou mais de 20 mil partos em duas décadas de atuação. "A Potyara veio bem informada, com um plano de parto pronto, ela sabia dizer o que queria e a equipe acatou. É importante esclarecer o processo e pactuar com a paciente ", lembra a enfermeira obstétrica.

Por ser um hospital de porta aberta, a Santa Casa recebe pacientes de diversos municípios. Cerca de 1.000 nascimentos são registrados mensalmente, sendo 53% cesáreas e 47% partos vaginais. "Realizamos até 40 partos por dia, as cirurgias são mais frequentes devido a algum risco materno ou fetal, já que o perfil da Santa Casa é de casos mais graves e as situações de risco habitual são encaminhadas para Unidades de retaguarda. As cesarianas são bem recebidas quando bem indicadas, mas oferecem maiores complicações com anestesia, cicatrização ou infecção", explica a gerente do Centro Obstétrico, Clélia Salustrino. Por isso, a instituição objetiva reduzir para 45% o número de cirurgias desse tipo até o final de 2020.

O casal Natália e Jorge Xavier passaram por uma indução de parto após 40 semanas de gravidez sem sinal de trabalho de parto, após passar por exames. A mãe deu à luz Isaac às 4h17 desta terça (26) relatando a realização de um sonho. "Eu nasci aqui e queria muito que ele também nascesse na Santa Casa. Depois de passar por dois hospitais fomos bem atendidos aqui e eu só tenho a agradecer. Usei a bola e barra e também caminhei bastante", contou Natália que já é mãe de outra criança e trabalha como despachante.

Ao chegar na maternidade, eles passaram pela triagem para avaliação geral de mãe e bebê e classificação de risco e deterioração. Com base na demanda, são elencadas as prioridades e dependendo do avanço do trabalho de parto, as pacientes são encaminhadas para a sala de patologia para iniciar a indução e só depois para a sala de parto. Mãe e bebê ficarão internados para os cuidados de puerpério que visa evitar a incidência de hemorragias e riscos de doenças hipertensivas. O pai continuará como acompanhante, como prevê a lei federal 11.108, de 07 de abril de 2005, que determina que os serviços de saúde do SUS, da rede própria ou conveniada, devem permitir à gestante o direito a ser acompanhada durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto. Ela pode indicar alguém como o próprio pai do bebê, a avó, um amigo ou qualquer outra pessoa de sua escolha.

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