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SAÚDE

Procura pela vacina contra o HPV ainda é baixa no Pará

terça-feira, 26/11/2019, 07:44 - Atualizado em 26/11/2019, 07:49 - Autor: Cintia Magno


Sesma e universidades realizam vacinação nas escolas para aumentar as imunizações do público-alvo
Sesma e universidades realizam vacinação nas escolas para aumentar as imunizações do público-alvo | Wagner Santana

Duas idas ao posto de saúde, respeitando o intervalo de tempo preconizado, podem garantir proteção contra o desenvolvimento de vários tipos de câncer, entre eles o de colo de útero e o de pênis. A vacina que protege contra o HPV (vírus do papiloma humano) já é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) há 5 anos, desde 2014, entretanto, esta que é a forma de prevenção mais eficaz contra essas e outras doenças ainda enfrenta resistência.

Médico infectologista, Newton Bellesi explica que o HPV é a doença sexualmente transmissível de mais fácil contágio. No caso do HPV, o uso do preservativo reduz o risco de contágio, mas não anula. Por isso a prevenção, através da vacinação, é o método mais eficaz contra os riscos oferecidos pelo vírus. “A vacina protege e reduz em mais de 90% o risco de infecção pelo HPV e reduz entre 70% a 80% o risco de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, quando se faz a vacinação completa”.

O Ministério da Saúde (MS) preconiza que a vacinação contra o HPV deva ser realizada nas crianças e adolescentes com idades entre 9 e 14 anos, no caso das meninas, e entre 11 e 14 anos no caso dos meninos. As vacinas são aplicadas em duas doses, com intervalos de seis meses entre a primeira e a segunda aplicação, e estão disponíveis permanentemente nas Unidades Básicas de Saúde, como parte do Calendário Oficial de Vacinação.

Apesar da facilidade, os dados registrados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) apontam que parte do público alvo ainda precisa procurar um posto de saúde para garantir a imunização. Segundo a Sespa, no Pará, até o início deste mês, a cobertura média de vacinação contra o HPV para meninas de 9 a 14 anos estava em 40% e, nos meninos de 11 a 14 anos, em 55%, considerando a meta de vacinação de 80% estabelecida pelo Ministério da Saúde e que deve ser cumprida até 31 de dezembro deste ano.

DESAFIO

Para a médica infectologista e pesquisadora do Instituto Evandro Chagas (IEC), Tânia Chaves, as taxas reduzidas de cobertura vacinal da população são um desafio mundial e que precisa ser abraçada por todos. No caso da vacina contra o HPV, a médica explica que uma vez vacinado, com as duas doses, o indivíduo estará protegido para aqueles tipos específicos do vírus. “Temos centenas de tipos de HPV e essa vacina quer proteger do câncer, tanto que as meninas tomam em uma faixa etária bem antes do início da vida reprodutiva justamente para já ter esses anticorpos de proteção antes desse momento”.

A médica explica que as vacinas são elaboradas a partir de partículas do próprio vírus ou bactéria. A partir dessas partículas e da adoção de metodologias de alta tecnologia, é possível chegar a um produto que estimula o próprio sistema a produzir células de defesa, que são os anticorpos.

“Com o passar do tempo, obviamente, os anticorpos caem um pouco porque, de uma maneira geral, o sistema não está tendo contato com o vírus, mas quando tem, ele aumenta a produção daqueles anticorpos porque ele tem uma memória”, aponta Tânia Chaves. “A vacina é um dos meios mais eficazes de se prevenir doenças infecciosas”.

Uma das estratégias é a imunização nas escolas

Coordenadora do Programa Municipal de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Nazaré Athayde convida a um exercício: no momento em que se chega a um posto de vacinação, quantos adolescentes são vistos? A resposta é sempre menor do que o que seria o ideal para garantir uma boa cobertura vacinal da população.

Mas, se o problema é a ida dos adolescentes até os postos de vacinação, Nazaré conta que uma das estratégias encontradas é ir até os adolescentes. Dentro das ações desenvolvidas pela Sesma, está a ida da vacinação até as escolas. “O público adolescente não chega na sala de vacinação, então, temos que desenvolver estratégias para chegar até eles”, destaca. “Então fizemos essa parceria com as universidades para que a vacina vá até as escolas”.

Para que a vacinação em si seja possível, Nazaré explica que é feito um trabalho de conscientização inicial. Uma palestra explica aos adolescentes a importância não apenas da vacina contra o HPV, mas de todas as outras que integram o calendário de vacinação. Além dos alunos, a informação também é repassada aos pais. “Nós fazemos toda uma preparação com os pais e responsáveis para que eles e os adolescentes saibam por que eles estão tomando a vacina, saberem o que estão recebendo”, conta. “Com isso é possível ir quebrando barreiras culturais”.

SEGUNDA DOSE

Recentemente, a Escola Estadual Presidente Costa e Silva, no bairro Souza, recebeu a ação que ofereceu a segunda dose da vacina contra o HPV. Para que os alunos fossem vacinados, os pais autorizaram por escrito. Aos 17 anos, a estudante Sarah Karolayne já garantiu a imunização e reconhece a importância do ato. “A vacina contra o HPV previne contra várias doenças, inclusive o câncer de colo de útero”, conta.

 

Wagner Santana
 

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