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PLANEJAR PARA CURTIR

Veja dicas de paraenses que economizam para viajar pelo mundo

domingo, 10/11/2019, 08:19 - Atualizado em 10/11/2019, 08:26 - Autor: Cintia Nolasco Magno abbadie


Tainá Nascimento, Raphaela Barros e Giuliane Couto
Tainá Nascimento, Raphaela Barros e Giuliane Couto | Wagner Santana/Diário do Pará

A satisfação causada pela perspectiva de seguir viagem rumo ao destino dos sonhos pode parecer distante quando se esbarra nos custos, independentemente de o destino ser nacional ou internacional. Diante da sensação de conhecer uma nova cultura e viver novas experiências, porém, muita gente tem conseguido aumentar a lista de cidades visitadas com ajuda de uma palavra-chave: o planejamento.

A pesquisa atenta aliada à antecedência são dois dos elementos fundamentais que permitiram que, aos 33 anos de idade, a jornalista Maissa Trajano já tenha visitado 17 países, além de todos os estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil e mais alguns estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Na volta de uma viagem realizada, ela conta que já começa a pensar nas férias do ano seguinte. Com tal antecedência, os carimbos marcados no passaporte só aumentam. “Viagem, para mim, é um custo mensal. Todo mês eu já separo um valor para isso”.

Além de consultar frequentemente os sites de vendas de passagens aéreas, Maissa conta ainda com outras estratégias para garantir o melhor preço. Um aplicativo instalado no celular alerta quando há alguma promoção de passagem para os destinos previamente cadastrados pela jornalista. “Teve uma vez em que eu estava no meio de uma reunião em família recebi um alerta de passagem para Salvador, ida e volta por R$500. Comprei na hora”, diz.

Quando se trata de destinos nacionais, Maissa conta que costuma planejar a viagem com seis meses de antecedência. Já para os internacionais, a preparação pode iniciar até um ano antes. “Quando a viagem é para fora do país eu costumo fazer o câmbio aos poucos e também com antecedência”, conta. “Na viagem para Las Vegas eu lembro que fiz o câmbio com antecedência e consegui pegar o dólar a R$3,90. Já uma amiga que viajou comigo e deixou para fazer o câmbio muito perto da viagem comprou por R$4,20, uma diferença grande”.

Wagner Santana/Diário do Pará
 

Maissa Trajano (foto) usa aplicativos que a ajudam no planejamento da viagem

Outra estratégia adotada para enxugar os custos é fugir da alta temporada. A jornalista considera que um mês propício para viagens é setembro, quando ela realizou a viagem mais recente deste ano, uma passagem pela Grécia, Itália e Suíça. Com tantas experiências acumuladas, é até difícil escolher um local preferido, mas Maissa tenta. “Culturalmente, Cuba foi uma das maiores experiências. É um povo tão acolhedor e que tem tanto carinho para dar...”, lembra, ao falar da viagem feita com um grupo de amigas.

Coincidentemente, a ilha caribenha também está no topo da lista das amigas Tainá Nascimento, 31 anos, Raphaela Barros, 31, e Giuliane Couto, 32. Desde que começaram a viajar juntas, em 2017, as amigas já foram por duas vezes a Cuba e não escondem o encantamento pelo lugar. “Cuba ficou marcado não só pelas praias, que são lindas, mas pelas pessoas que a gente conheceu, pelas experiências”, conta a designer Raphaela.

Além de Cuba, a parceria para viagens já levou as amigas, juntas, ao Rio de Janeiro, Jericoacoara (CE), Alter do Chão (PA), Peru e Colômbia. “A promoção escolhe o destino”, brinca a dentista Tainá Nascimento. “A gente já sabe mais ou menos o período que conseguimos tirar férias juntas, que é até o meio do ano. Com isso a gente já começa a olhar os preços das passagens”.

ORGANIZAÇÃO

Pra que tudo dê certo, não falta organização. As amigas já possuem uma lista de lugares que têm vontade de conhecer e, assim que surge a oportunidade de uma passagem em promoção ou mais barata, elas aproveitam. Feito isso, começam a traçar um roteiro com previsão, inclusive, de gastos durante a viagem. A planilha, muito bem organizada, normalmente fica por conta da designer Giuliane Couto. “Quando a gente define o nosso roteiro, tentamos descobrir o custo daquela cidade e definimos uma meta de até qual valor pretendemos gastar por dia”.

O estilo de viagem de cada pessoa também conta muito na hora de fazer as férias caberem no orçamento, elas acreditam. Por se conhecerem há bastante tempo e compartilharem interesses em comum durante as viagens, a sintonia e a própria economia são facilitadas. “As nossas viagens costumam ser muito ricas em experiências com as pessoas, a gente gosta de conversar, fazer amizades”, conta Raphaela. “A gente não tem problema em deixar de comer em restaurantes conhecidos para conhecer outras coisas. Normalmente a gente pergunta para os moradores onde conseguimos comer barato, negociamos, já é certo que vamos ficar hospedadas em hostel”, complementa Tainá.

EXPERIÊNCIA AJUDA NO MOMENTO DE PLANEJAR

Enriquecidos com a experiência de embarcar em uma viagem de 365 dias ao redor do mundo, a profissional de marketing Gleyci Wanzeler e o engenheiro Luiz Wanzeler, ambos com 37 anos, destacam que as experiências vivenciadas em passeios anteriores também contam, e muito, no momento de planejar uma viagem a um baixo custo. Depois de percorrer 29 países em uma única viagem, o casal alerta que ao planejar a viagem dos sonhos, antes de tudo, é preciso ter consciência financeira.

Fundadora de uma empresa de planejamento estratégico, a Espiral 360, Gleyci conta que ela e o esposo já tinham feito algumas viagens pelo Brasil antes de darem início à jornada de volta ao mundo, o que contribuiu para que eles conseguissem alinhar muito bem o roteiro e fazer previsões de gastos para a longa jornada.

“É preciso analisar todas as possibilidades, planejar rotas, simulando passagens e até estabelecer metas diárias de gastos para os dias de viagem”, orienta. “Com isso a pessoa consegue medir quanto precisará gastar e ainda gera conhecimento para ela mesma porque, a partir dessa avaliação, vai conseguir identificar que tipo de viajante ela é”, considera Luiz.

 

Luiz Wanzeler e Gleyci Wanzeler fizeram uma viagem de 365 dias pelo mundo

Independentemente do tempo da viagem e do destino, Luiz recomenda que o planejamento inicie com o mais básico: a reflexão acerca do que realmente a pessoa deseja ver ou visitar na cidade para onde pretende viajar. Para isso, é possível fazer uma lista com os locais e as experiências que, para quem irá viajar, são fundamentais. A partir disso entra a fase mais densa do planejamento que é identificar o que é viável ou não, considerando o tempo e os recursos financeiros disponíveis. “Quando se trata de viagens, muitas vezes estamos lidando com sonhos. Então a pessoa precisa entender qual é o sonho dela e tentar viabilizar a partir daí”.

Nesse sentido, o casal destaca que nem sempre todos os pontos turísticos mais famosos que integram as capas dos guias de viagens são os de maior interesse dos viajantes. “Muitas vezes a gente não precisa de dinheiro para conhecer alguns lugares, como o Ver-o-Peso aqui em Belém, por exemplo”, considera Gleyci. “Existem muitos passeios livres que todo país tem e que pode proporcionar experiências únicas e sem custo. Então depende muito da experiência que querem viver com a viagem”.

CONVERSA

Durante a volta ao mundo, Gleyci e Luiz costumavam conversar bastante com as pessoas de cada cidade. Além do enriquecimento cultural proporcionado pela troca com diferentes pessoas, a experiência possibilita identificar onde é possível comer a um custo mais baixo, negociar o melhor preço em hospedagens, descobrir passeios fora do roteiro turístico tradicional. “Quando a gente viaja também não nos preocupamos em trazer uma série de lembranças físicas e objetos do lugar. O mais valioso é o sentimento que aquele lugar te proporcionou”, finaliza Gleyci.

PLANEJAMENTO

1 - Identifique, em primeiro lugar, para onde se pretende ir, quantas pessoas irão viajar e o objetivo da viagem.

2 - Fuja dos períodos de alta temporada.

3 - Compre a passagem com antecedência. Se for preciso parcelar, será necessário pagar as parcelas e, paralelamente, fazer uma poupança para que tenha recursos para gastar durante a viagem.

4 - Para quem tem dívidas, o ideal é priorizá-las e, se possível, fazer uma reserva, mês a mês, para a viagem.

5 - Planeje cada detalhe da viagem: se o destino será para longe ou perto; como será a alimentação; se a família optará por um pacote de viagens ou organizará o roteiro sozinha, etc. Coloque todos os elementos na ponta do lápis e faça comparativos para identificar o que é mais vantajoso.

Fonte: Alexandre Damasceno, educador financeiro e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA).

APLICATIVOS

Disponível para sistemas IOS e Android, o aplicativo Skyscanner é o que alerta a jornalista Maissa Trajano sobre as passagens em promoção. Ela conta que, por precaução, ao receber o alerta, ela verifica a oferta e compra a passagem diretamente no site da companhia. Porém, também é possível fazer a compra diretamente pelo aplicativo.

Já o aplicativo Trabee Pocket foi muito utilizado pelo casal Gleyci e Luiz Wanzeler durante a viagem de volta ao mundo. Nele é possível organizar as despesas da viagem, inserindo os valores previstos ou já gastos por dia com alimentação, ingressos de museus, hospedagem, transporte, etc.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

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