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TRÂNSITO

Até quando? Obra do BRT se arrasta desde 2011

quinta-feira, 03/10/2019, 07:23 - Atualizado em 03/10/2019, 07:28 - Autor: Alexandra Cavalcanti


Na Almirante, várias estações estão com pichações e sem funcionar
Na Almirante, várias estações estão com pichações e sem funcionar | Ney Marcondes

Planejada inicialmente para durar cerca de 18 meses, a obra do BRT Belém se arrasta há quase uma década. Durante todo esse tempo, muitos acompanham incrédulos a construção que, ao que tudo indica, parece estar longe de ser concluída. Iniciada em 2011, o que avançou já se deteriora pelo tempo, enquanto o restante ainda parece estar distante de uma conclusão.

Projetado para melhorar a mobilidade na capital, com a organização do trânsito e do transporte público, o BRT Belém ainda não mostrou ao que veio e está a cargo da gestão municipal atual desde 2015, quando reiniciou a obra.

Na avenida Almirante Barroso, a principal via de entrada e saída da capital, que liga o centro da cidade ao Entroncamento, do total de 11 estações (pontos construídos para embarque e desembarque de pedestres na pista central do BRT) entregues há mais de dois anos, apenas três estão funcionando: Estação Curuzu, Estação Antônio Baena e Estação Júlio César, além do Terminal São Brás.

Do restante das estações, uma das mais deterioradas é a Estação Bosque, composta por quatro espaços. Todos estão pichados, com a fiação arrancada e as lâmpadas roubadas. Na avenida Augusto Montenegro, outra importante via de acesso para o centro da capital, com vários bairros e conjuntos residenciais em seu entorno, a situação é um pouco pior. Lá o projeto foi divididoem duas etapas.

A primeira fase já foi concluída e as seis estações, com início na Estação da Marambaia e término na Estação Sideral, estão funcionando, assim como o Terminal do Tapanã. O problema, no entanto, é que em muitos pontos não há sinalização, as calçadas por onde os pedestres precisam passar estão cheias de buracos e mato e grande parte do gradil que deveria servir de proteção para a pista central do BRT, especialmente nas proximidades da Estação Templo Centenário, não existe mais.

Pedestres caminham em meio a obra não concluída.
Pedestres caminham em meio a obra não concluída. Ney Marcondes
 

Na Almirante, várias estações estão com pichações e sem funcionar
Na Almirante, várias estações estão com pichações e sem funcionar Ney Marcondes
 

PRAZO

Na mesma avenida, uma placa anuncia as obras da segunda fase do projeto, no valor de R$ 326.640.084,25, com início em janeiro de 2015 e término previsto para agosto de 2019, com execução do Consórcio BRT Belém. Mesmo com o prazo encerrado, a obra não mostra sinais de que será concluída em breve. Das cinco estações restantes, nenhuma está em funcionamento, embora aparentemente prontas. Já o Terminal Maracacuera ainda não está terminado e o elevado Engenheiro José Augusto Affonso passa por serviço de pavimentação das pistas laterais da avenida.

Nesse local, ao longo da pista ainda não há qualquer sinalização, nem mesmo onde o trânsito precisa ser desviado. Apenas barreiras de concreto são usadas para impedir os condutores de seguirem. Existem ainda retornos irregulares na avenida, onde os bloquetes foram arrancados para dar passagem a motoristas, motociclista e ciclistas, que se arriscam nesses locais.

Nas ruas, muita insatisfação

Pela demora na conclusão, a obra do BRT Belém está cada vez mais desacreditada, especialmente por aquelas pessoas que sofrem com as consequências dessa demora. Uma delas é a estudante e assistente de loja Rafaele Silva, que mora na avenida Augusto Montenegro e todos os dias precisa transitar pela via. “Está cada vez pior. Não tem local seguro para o pedestre atravessar. Precisamos arriscar a nossa vida passando por meio dos carros. Não sei quando isso vai terminar”, disse.

Oseias Souza e Rafaele Silva lamentam a demora na conclusão da obra
Oseias Souza e Rafaele Silva lamentam a demora na conclusão da obra Ney Marcondes
 


Ao lado dela, o servente Oseias Souza não acredita que a obra seja concluída ainda este ano. “Não tem como. Aliás, ela pode ser até entregue, mas inacabada”, opinou. O estudante Indinay Paixão, que mora próximo da avenida, também utiliza a via diariamente para ir à escola e reclama da situação que precisa enfrentar. “Está muito complicado, praticamente não temos por onde passar, mas não tenho esperança que essa obra acabe tão cedo”, afirmou.

"Está muito complicado, praticamente não temos por onde passar, mas não tenho esperança que essa obra acabe tão cedo”, afirmou Indinay Paixão
"Está muito complicado, praticamente não temos por onde passar, mas não tenho esperança que essa obra acabe tão cedo”, afirmou Indinay Paixão Ney Marcondes
 


O ambulante Benedito Lopes é morador do conjunto Eduardo Angelim e todos os dias utiliza a Augusto Montenegro para chegar ao seu ponto de trabalho, que fica na própria via. Apesar de não acreditar que a obra do BRT seja concluída ainda este ano, ele espera ver a avenida concluída. “Tenho fé que um dia isso vai acontecer e vai melhorar muito a nossa vida”, diz.

PROBLEMAS

Enquanto não fica pronto, o BRT enfrenta alguns problemas. Um deles foi demonstrado ano passado em um relatório da Controladoria Geral da União (CGU), que apontou que cerca de R$ 41 milhões referentes a obra podem ter sido superfaturados. Um outro relatório, também da CGU, encaminhado para o Ministério Público Federal (MPF), mostrou problemas no projeto básico, deficiências no controle, cobrança de serviços não concluídos e preços incompatíveis.

Resposta

A Prefeitura de Belém diz que o prazo de entrega da obra é o “final do ano” e que o trabalho está em fase final. “Toda a pista de concreto está finalizada até o Terminal Maracacuera que também está pronto. Todas as estações também já foram finalizadas”, diz o texto, afirmando que estão sendo realizados apenas serviço de controle de qualidade nas pistas do elevado. A Prefeitura diz que todas as estações passarão a funcionar junto com a entregado último trecho.

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