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SETEMBRO AMARELO

‘As pessoas se afastam quando o paciente mais precisa’, diz psicóloga sobre depressão

terça-feira, 03/09/2019, 17:06 - Atualizado em 03/09/2019, 18:35 - Autor: Hélio Granado


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Diariamente, 32 pessoas cometem suicídio no Brasil, de acordo com o Centro de Valorização da Vida (CVV). A taxa de mortes é superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer, o que mostra a importância de debater e desmistificar a questão da saúde mental e de doenças como a depressão. Para a psicóloga paraenses Danielle Almeida, identificar os sintomas e auxiliar na busca de ajuda profissional são alguns dos principais passos para familiares e amigos de quem sofre com a doença. 

Danielle Almeida, que é especialista em Saúde Mental, explica que um dos principais sintomas da depressão é a dificuldade na socialização. “A pessoa vai deixando de socializar. Você percebe a pessoa mais reclusa, mais quieta no canto. Se tinha muitos amigos, passa a não os ter mais. Passa a evitar os programas. Os convites, já não aceita”, comenta a psicóloga. 

A doença mental pode, ainda, desencadear sintomas físicos. “Algumas pessoas perdem o apetite, passam a ter insônia, têm queda de cabelo. As unhas podem ficar quebradiças. O corpo também começa a falar. O que a boca cala, o corpo grita”, continua Danielle. 

 

IMPORTÂNCIA DA AÇÃO DE AMIGOS E FAMILIARES

Quando alguns dos sintomas são identificados, a ajuda de familiares e amigos do doente pode ser imprescindível: é importante conversar com a pessoa e acompanhá-la durante o processo até que ela consiga receber auxílio profissional. 

“O paciente que está depressivo tem dificuldade de falar sobre isso. Poucos são os que falam e pedem auxílio. Então, geralmente, um parente próximo - um pai, uma mãe, uma irmã, um namorado ou namorada - que percebe o comportamento deve buscar ajuda para a pessoa”, explica a psicóloga. 

“Certa vez, atendi um paciente que disse: ‘as pessoas dizem para você buscar ajuda,  procurar um Caps, procurar um psicólogo, mas ninguém pegou na minha mão e disse vem’ comigo”, relatou Danielle. 

“As pessoas ainda se afastam quando o paciente mais está precisando. Poucos são aqueles que têm o conhecimento para dizer: ‘olha, eu marquei, eu vou com você, vamos nós dois’. Porque a pessoa precisa naquele momento daquela ajuda”, complementa a especialista. 

AJUDA PROFISSIONAL

O paciente com depressão pode receber acompanhamento psiquiátrico e psicoterápico: Danielle explica que os medicamentos receitados pelo psiquiatra tratam os sintomas da depressão; já a psicoterapia, realizada com um psicólogo, trata as causas da doença. 

“Quando você toma uma medicação - seja um antidepressivo, seja um ansiolítico, seja um antipsicótico -, você está tratando sintomas como a insônia, a falta do apetite ou até mesmo o excesso de apetite. Muitas pessoas engordam em uma depressão. Outras pessoas dormem demais. Isso varia muito de paciente para paciente”, explica Danielle.

“Já, na terapia, você vai tratar a causa. É quando você vai uma vez por semana para falar o que está acontecendo. Aí é possível ver toda a vida pregressa do paciente. As situações desde a infância até chegar na fase que a pessoa se encontra”, diz a especialista em saúde mental. 

“A terapia vai buscar toda essa história para poder entender essa espécie de ‘eu fragmentado’ que chega ao consultório. Com a terapia, você vai encaixando os pedacinhos de um quebra-cabeça para, justamente, reconstruir aquele ser humano que chegou muito fragmentado. Aí sim, aos poucos, você vai ajudando o paciente que, por um tempo, estava até sem condições sequer de tomar o rumo da vida”, completa a psicóloga. 

LOCAIS PARA AUXÍLIO PROFISSIONAL

São diversos os locais e canais de comunicação em que os pacientes, familiares e amigos podem buscar ajuda profissional. 

Um dos principais é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat. O serviço funciona durante 24 horas, todos os dias. O número para falar com o serviço é o 188. 

“Existe o CVV, que ajuda muito porque a pessoa pode ligar e você não vê com quem está conversando. É um importante primeiro passo para quem tem dificuldade em conversar sobre o problema. Às vezes, é muito difícil procurar um profissional que você nunca viu na vida para falar de questões tão pessoais”, comenta Danielle. 

Além do CVV, o paciente, familiares e amigos podem buscar auxílio gratuito nos Centros de Apoio Psicossocial (Caps). Nesses espaços, como explica a psicóloga, o paciente “terá à disposição todos os profissionais - psiquiatra, psicólogo terapeuta ocupacional, enfermeiro, assistente social, dentre outros”.

De acordo com a Agência Belém, existem nove CAPS na capital paraense, sendo que cinco são de gestão estadual e quatro de gestão municipal. Os do município são a Casa de Saúde Mental da Criança e do Adolescente (CAPSI), a Casa de Saúde Mental do Adulto, a Casa Mental Álcool e Drogas e a Casa Mental Mosqueiro. 

Veja os endereços dos CAPS municipais:

Casa de Saúde Mental da Criança e do Adolescente (CAPSI) - Avenida Duque de Caxias, 945- Marco. 

Casa de Saúde Mental do Adulto - Avenida José Bonifácio, 930- São Brás. 

Casa Mental Álcool e Drogas - Avenida Gov. José Malcher, 1457 - Nazaré.

Casa Mental Mosqueiro - Rua 15 de Novembro, 551 Vila- Mosqueiro. 

Já o Governo do Estado oferece, em Belém, atendimento em centros de apoio em bairros como Marambaia, Marco, Cremação e Pedreira. A lista dos locais pode ser acessada no site do Secretaria de Estado de Saúde. 

(DOL)

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