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Facada Fest: ilustrador fala pela primeira vez sobre repercussão de sua arte

quinta-feira, 20/06/2019, 20:20 - Atualizado em 20/06/2019, 23:49 - Autor:


Publicada no início da semana, a arte que ilustra o cartaz do evento Facada Fest causou uma grande polêmica, principalmente após políticos como Éder Mauro e Carlos Bolsonaro criticarem o desenho de forma ameaçadora. A ilustração, que mostra um palhaço com uma faixa presidencial e morto por um lápis que atravessa seu corpo (uma crítica aos cortes de investimentos na Educação), acabou viralizando e ganhou grandes proporções. Muitas pessoas chegaram a relacionar o nome do evento à facada sofrida por Bolsonaro durante as eleições do ano passado, no entanto, o Facada Fest existe há quase três anos.


A reportagem do DOL conversou, no início da noite desta quinta-feira (20), com o belenense Paulo Victor Magno, autor da arte do evento e ilustrador profissional há três anos, embora, como ressalta, desenhe desde a infância, sempre incentivado por sua avó.


Paulo, que trabalha com diversos segmentos da ilustração, deixou claro que a arte para o evento dedicado aos gêneros punk e hard core é uma crítica ao governo, falou sobre as ameaças que alguns extremistas estão fazendo contra os participantes da festa e também sobre liberdade de expressão.


Confira a seguir!


Éder Mauro critica arte de evento de rock e usa tom ameaçador contra participantes (Foto: Reprodução)


Diário Online (DOL) - O que você tem a dizer sobre toda repercussão envolvendo sua arte?


Paulo Victor Magno (PVM) - Apesar do conteúdo polêmico da ilustração, eu não imaginava que esta arte teria tanta repercussão, mas eu entendo tudo isso diante desse momento de polaridade política que estamos vivendo e da grande influência das redes socias, que ultimamente andam bastante inflamadas


DOL - A intenção era criticar o presidente Jair Bolsonaro?


PVM - Não só o Bolsonaro, como o governo dele em geral


DOL - Como você recebeu o convite para fazer este trabalho?


PVM - Eu fiquei muito feliz em ser chamado pra fazer esse trabalho, pois acompanho o festival a bastante tempo e sou fã de algumas bandas que irão se apresentar no evento, em especial da banda Delinquentes


DOL - Você considera que esta arte estimula a violência ou a polarização política que vivemos?


PVM - Não, o que estimula a violência é a desigualdade social e a falta de investimentos em educação e segurança pública. Artes como essa sempre existiram, tanto da esquerda como da direita.


DOL - Vais ao evento? O que você achou das ameaças de confronto feitas por políticos?


PVM - Irei ao evento sim. Eu acho que as ameaças são totalmente descabíveis, ameaçar jovens independentemente de sua postura política foge muito do papel de um político, acho que essa energia devia ser gasta pra melhorar o bem estar da população e não pra ameaçar.


DOL - Você considera essa arte alinhada politicamente à esquerda?


PVM - A arte é liberdade, é a livre expressão do que as pessoas estão sentindo, e essa em especial é um reflexo de um momento de insatisfação coletiva


DOL - O que você tem a dizer para o público que não entendeu o conteúdo da arte?


PVM - Nesta arte o teor principal é o da educação. A mensagem que a Ilustração quis passar era justamente da educação (lápis) vencendo a palhaçada e o desmantelamento da educação. E por trás o abandono que nossa cidade está sofrendo. Somente a educação pode vencer a ignorância.


Veja outras ilustrações feitas por Paulo Victor Magno:











(Igor Wilson/DOL)

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