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Crise de remédios no País afeta pacientes crônicos paraenses

quarta-feira, 15/05/2019, 07:14 - Atualizado em 15/05/2019, 07:23 - Autor:


A crise nacional no abastecimento de remédios distribuídos somente pelo Ministério da Saúde a pacientes crônicos põe em risco também o bem-estar de milhares deles no Estado do Pará. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), 1.580 pacientes cadastrados junto ao sistema dependem das 25 medicações que o Governo Federal admite ter zerado o estoque desde o início do maio, de um total de 134, sendo que há outros 18 que devem se esgotar em um mês.


De acordo com a estimativa da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará (ARCT-PA), os números podem ser ainda maiores: mais de três mil pacientes, sem contabilizar os que já passaram por um transplante.


Embora seis delas tenham sido repostas na última semana e haja a expectativa de reposição dos demais 19 rótulos esgotados até o fim do mês, as quantidades enviadas devem cobrir apenas 30 dias de tratamento.


No próximo dia 29 deste mês, o titular da Sespa, Alberto Beltrame, que acumula ainda o cargo de presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), se reúne em Brasília (DF) com o ministro Luiz Henrique Mandetta, para contribuir em uma força-tarefa que busca construir uma solução para manutenção dos fármacos.


VELHO PROBLEMA


Diretora da ARCT-PA, Belina Soares confirma que a falta ou escassez de medicação não é algo de novo na realidade dos mais de 3,2 mil renais crônicos e 900 transplantados, segundo dados da própria Associação. “Pelo menos três remédios estão em falta. Os que ainda tem estão contados ‘certinho’, sem reserva, embora todo o planejamento tenha sido feito. E não sabemos se vai ter para o mês que vem”, teme. “Os quantitativos já estavam vindo menores em relação ao que era solicitado. Se a gente pedia 200 mil comprimidos/mês, recebíamos 120, 70”, relata. A falta atinge ainda pacientes em tratamento de câncer de mama, leucemia em crianças, artrite reumatoide, esquizofrenia, infecção crônica pelo vírus da Hepatite B e C, doença de Parkinson e Alzheimer
e inflamações diversas.


Segundo o titular da Sespa, o orçamento de R$ 5,3 bilhões para atender a todos os dois milhões de brasileiros que precisam ser medicados por conta de um mal crônico não é ‘folgado’ para atender a demanda, mas é menos problemático que os trâmites burocráticos atualmente praticados. “O ministro Mandetta, na verdade, herdou essa situação de caos, em que são necessários mais processos licitatórios de compra para estoques de curta duração, de três, quatro meses. Correria tudo bem se os processos corressem sem problemas, mas não é o que ocorre e quase que sempre. Aí a medicação acaba e a licitação ainda está
em andamento”, explica.


Ainda segundo Beltrame, como cada medicação representa um processo diferente de compra, é o estágio de cada um que acaba por definir o tempo de entrega: alguns já estão na fase de assinar o contrato, outros na fase de distribuição, outros no fim da licitação, etc. “Mais que uma crise administrativa, é uma crise humanitária”, reconhece.



(Carol Menezes/Diário do Pará)

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