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Com reajuste, preço do remédio deve subir até 4,3%

domingo, 24/03/2019, 07:22 - Atualizado em 24/03/2019, 08:27 - Autor:


À medida em que as pessoas vão envelhecendo, necessitam de cuidados maiores com a saúde e, como consequência, cada vez mais medicamentos. A professora Naglla Quemel mora com a mãe, Therezinha de Jesus de Magalhães Quemel, de 86 anos; e com uma antiga colaboradora, Maria Lucimar da Silva,de 80 anos.


Segundo Naglla, os gastos com remédios para proteção do estômago, para tratar pós-angioplastia e problemas cardíacos, além de outros, giram em torno de R$ 800,00. “Além dessas medicações, há os produtos antialergênicos como sabonetes, hidratantes e cremes que elas necessitam por terem a pele mais delicada. Esses gastos giram em torno de R$ 500 reais, totalizando quase R$ 1,3 mil em gastos mensais”, contabiliza.


Os gastos das famílias brasileiras vão aumentar a partir do próximo dia 1, com mais um aumento no preço dos medicamentos. O reajuste, feito anualmente, será proporcional e deve ficar até 4,33% a partir de 31 de março, segundo estimativa do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma). O aumento está acima da inflação oficial de 2018, que fechou o ano em 3,75%, conforme apurado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). 


A mudança levou em consideração alguns fatores que influenciaram a produção de medicamentos, entre eles estão o impacto da energia elétrica, produtividade das indústrias e câmbio. Apesar da alteração entrar em vigor a partir de abril, e os preços, aos poucos vão mudando no mercado de acordo com a renovação do estoque das farmácias. O índice ainda não está confirmado, informou o Ministério da Saúde. Dificilmente, porém, a estimativa da indústria apresentará discordância em relação ao valor oficial.


Melhor é pesquisar os preços dos medicamentos


Em 2014, 2015 e 2016 os preços tiveram aumentos de 5,68%, 7,7% e de até 12,5%, respectivamente. A professora Naglla diz que os remédios das idosas – como de boa parte dessa faixa etária - são de uso contínuo, devido a problemas permanentes que precisam de monitoramento. “Atualmente o contingente de farmácias que temos facilita a pesquisa de preço”, diz.


Os cálculos para o aumento, segundo o Ministério da Saúde, seguem critérios usados a partir de 2015, a fim de melhor adequar o índice à realidade do mercado farmacêutico, favorecendo a concorrência.


A fórmula de cálculo garante maior transparência, segundo o Ministério, “por detalhar toda metodologia de cálculo do ajuste; maior segurança, por utilizar apenas fontes oficiais e públicas; maior previsibilidade, por determinar datas de divulgação dos fatores; e maior racionalidade, por estimar com maior precisão a concorrência de mercado e por usar fontes que refletem melhor todo o mercado brasileiro de medicamentos”.


Norma Baía, 79 anos, também usa remédios contínuos e, segundo ela, qualquer aumento onera muito o orçamento familiar. Ela gasta bastante com o tratamento de gastrite esofágica, asma, pressão arterial e artrose.


“Sou pensionista do INSS e ganho pouco mais de um salário mínimo de pensão por mês e mais da metade vai com remédios. É muito pesado. E agora com mais esse aumento... Mas a gente precisa. Fazer o quê? A gente vai fazendo malabarismos”, reclama.


Dentro desse contexto não há outra saída a não ser pesquisar preços. “O envelhecimento do ser humano natural e a tendência é necessitar cada vez mais dos medicamentos para uma melhor qualidade de vida, e assim vamos pesquisando nas diversas farmácias da cidade”, diz a equoterapeuta Gisele Baía, filha de Norma, que mora com a mãe.


Josefa da Costa Sousa, 73 anos, não é aposentada e ganha menos de um salário mínimo de pensão e, se não contasse com a ajuda dos filhos, não tomaria os remédios que precisa para tratar da artrite crônica nos joelhos e a diabetes.


DIFICULDADE


“Quando preciso de atendimento vou para a UPA aqui de perto de casa. Quando há remédio lá eles fornecem. Quando não tem fico sem. Não há como comprar tudo que eu preciso na farmácia. É muito caro”, comenta.


Segundo Josefa, se não fosse ajuda de seus filhos (um deles mora e Brasília e outras duas aqui em Belém) a situação seria bem mais complicada. “O governo devia olhar mais para a situação dos mais idosos, sobretudo os que ganham um salário mínimo ou menos. Remédio é uma das coisas que mais pesam no nosso orçamento”, coloca.


(Luiz Flávio com Folhapress)

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