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Hydro nega que tenha ocorrido novo vazamento em Barcarena

quinta-feira, 28/02/2019, 07:35 - Atualizado em 28/02/2019, 07:37 - Autor:


Equipes do Instituto Evandro Chagas (IEC), Divisão Especializada ao Meio Ambiente (Dema) da Polícia Civil, e Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, foram até o município de Barcarena ontem (27), checar denúncia de suposto novo vazamento de rejeitos minerais da empresa Hydro Alunorte.


De acordo com moradores da região, a princípio, a comunidade Bom Futuro teria sido atingida com alagamentos de cor avermelhada e mau cheiro após chuva que caiu na madrugada da última terça-feira (26). Ontem, em coletiva à imprensa, o diretor de operações da empresa norueguesa, Carlos Neves, negou responsabilidade por parte da Hydro afirmando que o ocorrido não tem relação com a refinaria.


Amostras da água foram coletadas ontem pelos especialistas, e irão apontar se há ou não a contaminação no local. De acordo com Ismael Moraes, advogado da Associação dos Caboclos Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama) que representa 105 comunidades de Barcarena, assim que recebeu a denúncia de moradores, fez uma representação denunciando o caso junto à Dema. O delegado Cláudio Fonseca e Gomes, solicitou ao IEC perícia ambiental com coleta de água em razão do suposto lançamento irregular de efluentes no final da rua Sucupira, próximo ao depósito de resíduos sólidos 1 (DRS1) da Hydro.


“A moradora, dona Maria Salustiana, que reside ao final da rua onde passa o igarapé, disse que, por conta da chuva, houve vazamento de água avermelhada, cheiro forte e irritante. Ela teve de sair da casa dela. Até animais apareceram mortos, como peixes, cobra e sapo”, disse. Em um vídeo enviado ao DIÁRIO, Maria Salustiana reclama dos prejuízos que a mineradora têm causado. “Quando fiz minha casa, não tinha bacia aqui, era enxuto. A água dava pra beber e lavar roupa. Agora, que água vou tomar, que água vou lavar a roupa? Como vou criar meus bichos? E esse fedor que tá matando a gente”, questiona.




Técnicos coletaram amostras de água no município (Foto: Divulgação)


PROCESSO


Em coletiva à imprensa, representantes da mineradora afirmaram que tomaram conhecimento do vídeo. As imagens motivaram a solicitação de vistorias no local por órgãos responsáveis, análises de água e manifestações de autoridades do Estado. “Estamos esclarecendo as informações para evitar pânico, preocupações e a disseminação de informações incorretas, além de receber quem tiver interesse de conhecer a refinaria”, disse Elena Brito, assessora de comunicação da Hydro.


Carlos Neves, diretor de operações da mineradora, apresentou à imprensa o trabalho desenvolvido quanto ao processo produtivo da alumina e o destino dos resíduos sólidos do minério, falou da segurança das operações que ocorre de acordo com as normas de segurança e do sistema de gerenciamento de afluentes que teria capacidade para tratar volume de água da chuva maior do que o registrado no inverno amazônico.


Segundo ele, a empresa não é responsável pelo ocorrido na madrugada da última terça-feira (26), mas, sim, as fortes chuvas. “A melhor garantia é a transparência. Temos um monitoramento contínuo, onde pessoas da comunidade acompanham. As pessoas podem ficar tranquilas que nada está vindo dos depósitos”, disse Neves.


(Michelle Daniel/Diário do Pará)

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