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Bolsa fecha em 100 mil pontos, e BC condiciona corte de juro a reformas

quarta-feira, 19/06/2019, 23:29 - Atualizado em 19/06/2019, 23:29 - Autor:


A marca histórica de 100 mil pontos da Bolsa brasileira foi finalmente rompida nesta quarta-feira (19), reflexo de uma combinação de otimismo com a reforma da Previdência e certeza de que a taxa de juros do país vai cair neste ano.


Ainda que o Ibovespa, o principal índice acionário do Brasil, tenha batido recorde, após o fechamento do mercado o Banco Central mandou um recado claro a investidores apressados pela redução da Selic: sem reformas, a taxa não cairá dos atuais 6,50%.


A expectativa entre alguns investidores é que pudesse haver uma sinalização de corte para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), no final de julho, ou então para setembro.


Em vez disso, o BC reforçou que o risco preponderante neste momento está em "uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira", o que "pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação".


"Avanços concretos nessa agenda [de reformas] são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação", disse o BC.


Os juros estão no patamar atual, a mínima histórica, desde março de 2018.


A divulgação de dados econômicos deste primeiro semestre, que indicam cenário de estagnação ou até mesmo recessão, além de queda na inflação, aumentou as apostas de que o BC poderia sinalizar na reunião desta quarta cortes na taxa básica neste ano.


Até a semana passada, as projeções do mercado, de acordo com a pesquisa Focus feita pelo BC, eram de três cortes de 0,25 ponto em 2019, nas reuniões do Copom de setembro, outubro e dezembro. Com isso, a taxa fecharia em 5,75% ao ano.


A projeção para o crescimento do PIB em 2019 está em 0,93%, abaixo do 1,1% de 2017 e 2018.


Além de dados que indicam atividade econômica fraca, foram divulgados nas últimas semanas números que mostram queda da inflação.


O IPCA (índice de preços oficial do país) está em 4,66% no acumulado dos últimos 12 meses. A projeção para o ano é de 3,84%, para uma meta de inflação de 4,25%.


"O comitê avalia que o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável, mas entende que, neste momento, o risco [em relação às reformas] é preponderante", disse o Copom.


A cautela do BC contrasta com o otimismo do mercado, que está confiante no calendário de votação da reforma da Previdência defendido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).


Na semana passada, ele afirmou que espera aprovar as novas regras para aposentadoria no plenário antes do recesso parlamentar, que começa em 17 de julho. Para isso, terá de passar o texto na comissão especial até a última semana deste mês.


Para Isabela Guarino, economista-chefe da XP Gestão, é improvável que a Câmara consiga votar a proposta em julho, como defendido por Maia. "O mercado não acertou o timing do corte de juros, mas a expectativa do ciclo de redução está correta", afirma Guarino.


Há, porém, quem esteja mais otimista com o cronograma do Congresso.


"Acreditamos que a reforma será votada antes do recesso. A sinalização de uma aprovação no primeiro turno de votação na Câmara é a notícia que o mercado mais espera", afirma Marcos Assumpção, estrategista-chefe de ações do Itaú BBA.


"Depois de aprovada em primeiro turno, é difícil o cenário mudar para segundo turno de votação ou haver reviravoltas no Senado", diz.


Se os prazos se confirmarem, a reforma já estará aprovada em primeiro turno na Câmara antes da próxima reunião do Copom, nos dias 30 e 31 de julho. Isso abriria espaço para o corte na Selic: no consenso do Focus, a primeira redução viria em setembro, mas há entre analistas a projeção de corte no próximo mês.


Essas reduções da Selic foram antecipadas nos contratos de juros futuros negociados na B3, que têm registrado forte queda.


Isso eleva o apetite de investidores por investimentos na Bolsa, o que também explica a disparada do Ibovespa para o recorde.


Nesta quarta-feira, o índice avançou 0,90% e fechou a 100.303 pontos. Apesar da véspera de feriado, o volume de negócios ficou em linha com a média diária do ano, de R$ 15 bilhões.


Simbólica, a marca de 100 mil pontos esconde números não tão animadores. O Ibovespa levou 12 anos para dobrar de tamanho -a primeira vez que atingiu os 50 mil pontos foi em 2007.


No mesmo período, o CDI, que remunera investimentos em renda fixa e, portanto, de menor risco, rendeu mais de 200%.


Além disso, a Bolsa ainda está distante da máxima histórica corrigida pela inflação. Para bater o recorde de 2008, quando atingiu 73.438 pontos, precisaria estar valendo mais de 130 mil pontos.


Há ainda um ceticismo dos estrangeiros. Eles já sacaram R$ 3,7 bilhões da Bolsa brasileira neste ano, enquanto o Ibovespa bate recorde alavancado pelo investidor local.


Estados Unidos e Europa indicam corte de juros neste ano


Nos últimos dois dias, os bancos centrais europeu e americano sinalizaram que podem cortar os juros em um futuro próximo para estimular a economia mundial, gerando euforia no mercado internacional.


As medidas compensariam a desaceleração global causada, em parte, pela guerra comercial travada entre EUA e China.


Na terça-feira (18), o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, que vinha preparando o mercado para um aperto na política monetária, afirmou que um estímulo econômico adicional será necessário e que ainda pode cortar os juros.


O Fed (Federal Reserve), banco central americano, vinha indicando que teria paciência para decidir por uma nova alta de juros. Nesta quarta-feira, retirou a palavra paciência do comunicado que manteve a taxa básica entre 2,50% e 2,25% ao ano. Indicou ainda um possível corte na próxima reunião.


A decisão, além disso, não foi unânime. Um dos membros do comitê votou por corte de 0,25 ponto percentual.


O parecer do banco central americano fortalece a expectativa de queda da Selic.


Em relação a esse ponto, o BC do Brasil disse nesta quarta-feira que "o cenário externo mostra-se menos adverso, em decorrência das mudanças nas perspectivas para a política monetária nas principais economias".


(Folhapress)

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