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América Latina tem 135 mil homicídios por ano

terça-feira, 27/09/2016, 19:31 - Atualizado em 27/09/2016, 20:09 - Autor:


A insegurança é o grande tema político em quase toda a América Latina. No Brasil, segurança pública é o principal foco dos candidatos em quase todos os estados. A preocupação com a insegurança e o número crescente de homicídios tem causado um aumento significativo no número de candidatos originários das Polícias Militar e Civil por todo o país.



Na Venezuela, México, Brasil e até em países mais tranquilos, como a Argentina, a violência já é a principal preocupação. Os dados explicam por quê. Quase 135.000 pessoas foram assassinadas no ano passado na América Latina e no Caribe, segundo cifras do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que organizou uma reunião de especialistas durante uma semana em Buenos Aires.


Segundo especialistas, essa violência e seu combate têm um custo de cerca de 120 bilhões de dólares (R$384 bilhões) por ano, o que equivale a R$640 reais por habitante. Tanto que a América Latina poderia ter um PIB per capita 25% maior se alcançasse cifras de insegurança semelhantes às do resto do mundo.


Os países da América Latina têm muitas diferenças entre si, mas há duas coisas que claramente os une: a insegurança cidadã e a desigualdade. Nos últimos anos, com o enorme crescimento econômico em função do maior preço das matérias-primas, e com as políticas redistributivas de governos de esquerda, a pobreza diminuiu em quase todos os países. A cobertura de saúde e educação também foi ampliada, mas quase nenhuma nação conseguiu melhorar os índices de segurança. Ao contrário: a situação piorou.


A região tem enormes diferenças. No Brasil, a média é de 28 assassinatos por cada 100.000 habitantes. Em Honduras os números sçao mais alarmantes: há 84 assassinatos por cada 100.000 cidadãos(dados de 2013). Na Venezuela 53, na Colômbia 31, e no México 19. O Chile surge como país com menor taxa de homicídios, com 3 homicídios para cada 100.000 habitantes.


Segundo o BID, somente o gasto com as polícias no continente representa U$51 bilhões de dólares (cerca de R$117 bilhões de reais) por ano. “A América Latina tem em média 23 homicídios para cada 100.000 habitantes. É o dobro da média da África e cinco vezes mais que a da Ásia. [A insegurança] é o principal problema para um em cada cinco latino-americanos”, diz José Luis Lupo, representante do BID para o Cone Sul.


Todos os especialistas consultados pelo BID concordam que a solução passa pela reforma das polícias, mas não necessariamente pelo aumento do número de policiais. “Em Honduras, que tem uma situação muito delicada, a criminalidade está diminuindo fortemente com reformas concentradas no recrutamento e na formação da polícia. Existem evidências, em todos os países, de que polícia maior não significa maior segurança. O Equador também tem avançado. Antes, os policiais eram pessoas que não tinham outra opção de emprego, eram gente sem futuro. É preciso dignificar a polícia”, diz Alvarado.


Ninguém tem uma solução definitiva, mas todos concordam que este é o grande problema da América Latina do século XXI. E afeta sobretudo os pobres, que não podem contratar segurança privada.


(El País)

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