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FENÔMENO

Cientistas descobrem que Marte está “jogando poeira” na Terra

Até agora, os cientistas não conseguiam medir a distribuição dessas partículas de poeira no espaço

quinta-feira, 11/03/2021, 18:23 - Atualizado em 11/03/2021, 18:23 - Autor: Com informações Olhar Digital


Imagem ilustrativa da notícia Cientistas descobrem que Marte está “jogando poeira” na Terra
| Reprodução

Astrônomos da National Aeronautics and Space Administration (Nasa) descobriram que o planeta Terra está sendo consumida por uma cortina de micropartículas de poeira e que essa poeira é trazida para o sistema solar interior por algumas famílias de asteroides e cometas. Mas, uma equipe de cientistas da missão Juno, em órbita de Júpiter, garante que Marte é o verdadeiro culpado.

A descoberta foi publicada em 11 de novembro de 2020 no Journal of Geophysical Research: Planets, com um artigo final revisado e posteriormente publicado nesta terça-feira (9).

Instrumentos da missão Juno, foi criados para fotografar estrelas e determinar a orientação da sonda no espaço, começaram a capturar milhares de imagens de partículas de poeira que apareciam e desapareciam subitamente.

“Nós pensamos: algo está realmente errado”, disse John Leif Jørgensen, professor da Universidade da Dinamarca. “Parecia que alguém estava sacudindo uma toalha de mesa empoeirada em frente à nossa janela”.

Foi só quando os pesquisadores calcularam o tamanho e a velocidade dos objetos  e foi nas imagens que eles finalmente perceberam algo: grãos de poeira haviam se chocado com Juno a uma velocidade de 16.000 km/h, tirando “lascas” submilimétricas do corpo do satélite.

Segundo eles, a poeira estava vindo dos imensos painéis solares da Juno, os maiores e mais sensíveis detectores acidentais de poeira já construídos. “Cada fragmento que rastreamos registra o impacto de uma partícula de poeira interplanetária, permitindo-nos compilar uma distribuição da poeira ao longo do caminho da Juno”, disse Jack Connerney, investigador principal adjunto na missão.

 

A sonda Juno, atualmente em órbita de Júpiter
A sonda Juno, atualmente em órbita de Júpiter Reprodução/Nasa
 

Connerney e Jørgensen notaram que a maioria dos impactos de poeira foram registrados entre a Terra e o cinturão de asteróides que fica entre Marte e Júpiter, com lacunas na distribuição relacionadas à influência da gravidade de Júpiter. Segundo os cientistas, esta foi uma revelação radical.

Até agora, os cientistas não conseguiam medir a distribuição dessas partículas de poeira no espaço. Detectores dedicados têm áreas de coleta limitadas, portanto sensibilidade limitada a uma quantidade esparsa de poeira. Em comparação, os imensos painéis solares da Juno têm 1.000 vezes mais área de coleta do que a maioria dos detectores de poeira.

Os cientistas determinaram que a nuvem de poeira termina na Terra porque a gravidade de nosso planeta suga toda a poeira que chega perto dela. “Essa é a poeira responsável pela luz zodiacal”, disse Jørgensen.

Já a borda externa, a cerca de 2 unidades astronômicas (UA) do Sol (1 UA é a distância entre a Terra e o Sol), termina logo além de Marte. Nesse ponto, segundo os cientistas, a influência da gravidade de Júpiter atua como uma barreira, impedindo que as partículas de poeira atravessem do sistema solar interno para o espaço profundo.

Este mesmo fenômeno, conhecido como ressonância orbital, também funciona no sentido inverso, e impede a poeira originada no espaço profundo de passar para o sistema solar interno.

A influência da barreira gravitacional indica que as partículas de poeira estão em uma órbita quase circular ao redor do Sol, disse Jørgensen. “E o único objeto que conhecemos em uma órbita quase circular em torno de 2 UA é Marte, então a conclusão natural é que Marte é a fonte dessa poeira”, disse ele.

Apesar das evidências, Jørgensen ainda não conseguem explicar como a poeira escapou da atração gravitacional de Marte, e esperam que outros cientistas possam ajudá-los a encontrar esta resposta.

A descoberta da distribuição e densidade das partículas de poeira no sistema solar poderá ajudar os engenheiros a projetar espaçonaves capazes de resistir melhor a impactos, ou a determinar rotas de navegação que evitem as regiões de maior concentração do material. Viajando a 16 mil km/h, mesmo as menores partículas podem arrancar de uma espaçonave pedaços com até mil vezes a sua massa.

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A sonda Juno, atualmente em órbita de Júpiter
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