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RELIGIÃO

Papa Francisco chega ao Iraque sem máscara desafiando segurança e pandemia

Francisco aterrissou em Bagdá, onde começará uma visita de três dias a seis cidades

sexta-feira, 05/03/2021, 21:11 - Atualizado em 05/03/2021, 21:11 - Autor: Com informações MsN


Papa foi recebido no aeroporto pelo primeiro-ministro Mustafa Abdellatif Mshatat e por uma delegação do Governo
Papa foi recebido no aeroporto pelo primeiro-ministro Mustafa Abdellatif Mshatat e por uma delegação do Governo | Divulgação/PRIME MINISTER MEDIA OFFIC

O papa Francisco aterrissou em Bagdá, capital do Iraque onde começará uma visita de três dias a seis cidades. Uma viagem arriscada em meio a pandemia da Covid-19, já que o religioso saiu da aeronave sem máscara e ainda cumprimentou representantes do país. Vale lembrara que o país está atravessando uma crise de segurança.

“Uma obrigação para com uma terra há anos martirizada”, especificou o pontífice a jornalistas durante o trajeto aéreo. Primeiro papa a visitar o país e uma região de maioria xiita, Francisco quer se aproximar das minorias cristãs do Iraque e, ao mesmo tempo, estender pontes para o islamismo e encontrar um de seus principais líderes: o grão-aiatolá Ali Sistani. Foi recebido no aeroporto pelo primeiro-ministro Mustafa Abdellatif Mshatat e por uma delegação do Governo. Depois se deslocou até o palácio presidencial a bordo de um carro blindado, algo incomum para ele, e lá seria recebido pelo presidente do Iraque, Barham Ahmed Salih Qassim.

O Papa encontra um país confinado pela pandemia e submetido a rigorosas medidas de segurança. A população terá que acompanhar seus atos pelas janelas e televisores das suas casas. Exceto por uma missa para 10.000 pessoas no domingo, em um estádio de Arbil (norte), as demais aparições serão a portas fechadas.

Francisco, entretanto, considerava inadiável a viagem por alguns motivos que explicou em seu primeiro discurso diante do presidente. “Nas últimas décadas, o Iraque sofreu os desastres das guerras, o flagelo do terrorismo e conflitos sectários, baseados frequentemente em um fundamentalismo que não consegue aceitar a convivência pacífica de vários grupos étnicos e religiosos, de ideias e culturas diversas. Tudo isto trouxe morte, destruição, ruínas ainda visíveis, e não só em nível material: os danos são ainda mais profundos se pensarmos nas feridas do coração de muitas pessoas e comunidades, que levarão anos para serem curadas.”

A viagem, qualificada por altas fontes vaticanas como “o mais importante deste pontificado”, também inclui um componente geopolítico que busca estender pontes com a comunidade xiita, em permanente disputa com os Estados Unidos. Logo após desembarcar, Francisco condenou a violência e “a praga da corrupção, dos abusos de poder e da ilegalidade em que o país mergulhou nos últimos tempos”. “Chega de extremismos, facções, intolerâncias”, declarou.

Mas também lançou uma mensagem para navegantes internacionais que não devem “impor interesses ideológicos e políticos”, numa defesa da soberania do país que o acolhe nestes dias. “Que cessem os interesses particulares, esses interesses externos que são indiferentes à população local.”

Uma referência velada às múltiplas ingerências dos EUA numa terra transformada em campo de batalha dos interesses geoestratégicos, mas também de confrontação com outros países como o Irã.

Francisco sempre se opôs à guerra no Iraque de 2003, promovida sob a falsa premissa de que o regime de Saddam Hussein abrigava armas de destruição em massa. O Papa chegou a abençoar uma tenda na praça de Mayo, em Buenos Aires, que protestava contra o conflito e pedia paz, como recordava a agência argentina Télam.

“A comunidade internacional tem um papel decisivo a desempenhar na promoção da paz nesta terra e em todo o Oriente Médio. Como vimos durante o longo conflito na vizinha nação da Síria.”

As viagens do Francisco, esta é a 33ª sempre se dirigiram às periferias do mundo e do cristianismo. Lugares onde as comunidades cristãs vivem ameaçadas ou sofreram agressões causadas pelos conflitos bélicos, como no Iraque.

“O nome de Deus não pode ser usado para justificar atos de homicídio, exílio, terrorismo e opressão”, afirmou em seu primeiro discurso. “Também no Iraque a Igreja Católica deseja ser amiga de todos e, através do diálogo, colaborar de maneira construtiva com as outras religiões, pela causa da paz”, insistiu.


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