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Milhares de indígenas vão às ruas do Equador contra acordo com FMI

quinta-feira, 10/10/2019, 22:28 - Atualizado em 10/10/2019, 22:39 - Autor: Fonte: Agência Brasil


| reprodução

Pelo oitavo dia, milhares de indígenas, estudantes e trabalhadores do Equador protestaram contra o decreto 883, assinado pelo presidente Lenín Moreno, que eliminou subsídios aos combustíveis que deixavam o produto mais barato aos equatorianos de baixa-renda e pequenos comerciantes.

O presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), Jaime Vargas, afirmou que as manifestações seguirão até que o governo revise o pacote de medidas econômicas que implementou a pedido do Fundo Monetário Internacional (FMI). O fundo afirma que só irá emprestar dinheiro ao país caso os subsídios sejam eliminados.

Vargas disse que as marchas e protestos seguirão em Quito por tempo indeterminado. Os indígenas representam quase 25% da população do Equador, com dezenas de etnias que unidas já derrubaram governos anteriores.

Ontem, o presidente Moreno anunciou que voltou a Quito para dialogar com os manifestantes. Ele estava na cidade costeira de Guayaquil, centro econômico do país, para onde a sede do governo foi transferida após violentos protestos e invasões de prédios, como o da Assembleia Nacional.

A mudança da sede do governo, decretada por Moreno em 3 de outubro, tem respaldo durante a vigência do estado de exceção, que durará 30 dias.

"Vim para a cidade de Quito com a finalidade de estender minha mão e poder manifestar que já temos bons resultados em relação ao diálogo com os irmãos indígenas", disse o presidente do Equador. Os contatos, de acordo com declarações do secretário da Presidência, José Briones, estão sendo intermediados pelas Nações Unidas e pela Igreja Católica.

Ministros são responsabilizados

No entanto, Jaime Vargas, presidente do Conaie, negou que haja diálogo com o governo. Em nota publicada no site da organização, ele exigiu a liberdade de centenas de pessoas detidas nos protestos e responsabilizou os ministros María Paula Romo, de Governo, e Oswaldo Jarrín, da Defesa, pela violência por parte do Exército e da Polícia Nacional.

"Pedimos que as Nações Unidas convoquem o presidente e que a repressão pare; além disso, pedimos a liberdade dos companheiros que foram presos. Nos disseram que havia a possibilidade de dialogar e nós dissemos que não", afirmou.

De acordo com a imprensa equatoriana, mais de quinhentas pessoas foram detidas nos últimos dias. As manifestações foram marcadas por violência. A polícia reagiu com gás lacrimogêneo e cercou parte do centro de Quito, onde estão alguns dos prédios importantes do governo.

Moreno decretou toque de recolher entre às 20h e às 5h da manhã, durante um mês, nos arredores do Palácio de Carondelet, para evitar que os manifestantes se aproximem da sede do executivo.

 

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