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‘Boneca Momo’: incentivo ao suicídio em vídeos infantis preocupa. Como proteger seu filho?

quinta-feira, 21/03/2019, 10:22 - Atualizado em 21/03/2019, 14:35 - Autor:


Um desafio mortal na internet esta semana provocou angústia e pânico, deixando pais, responsáveis, grupos de escolas e especialistas em alerta sobre os perigos do mundo virtual, principalmente para as crianças.



Segundo relatos que viralizaram nas redes sociais, vídeos infantis (como os que ensinam a fazer slime, do desenho Peppa Pig e da canção Baby Shark) teriam sido invadidos, em versões editadas e com interrupções pela “Boneca Momo”, que ensina as crianças a praticar atos suicidas.




Em comunicado, o YouTube afirmou não ter recebido “nenhuma evidência recente de vídeos mostrando ou promovendo o desafio Momo no YouTube Kids“. Segundo o YouTube, "conteúdo desse tipo violaria nossas políticas e seria removido imediatamente. Também oferecemos a todos os usuários formas de denunciar conteúdo, tanto no YouTube Kids como no YouTube“, acrescentando que menores de 13 anos devem ter o uso restrito ao YouTube Kids, com supervisão de pais ou responsáveis.



“É possível que a figura chamada de 'Momo' apareça em vídeos no YouTube, mas somente naqueles que ofereçam um contexto sobre o ocorrido e estejam de acordo com nossas políticas”, disse no comunicado. 


Parem de compartilhar!


Pais desesperados correram atrás de informações após o pânico. Muitos começaram a buscar pelos vídeos no YouTube, fazendo com que os algoritmos aumentem a relevância do termo “Momo”. O Google Trends, por exemplo, registrou um aumento repentino para as buscas dos termos “momo aparece em vídeos”, “vídeo momo slime”, “vídeos momo slime”, “momo em vídeos de slime”.



Com o efeito perverso dos algoritmos é maior a probabilidade de uma criança se deparar com um vídeo que faça referência ao desafio. 


Em vez de proibir, oriente!


A preocupação é compreensível e mesmo diante da insegurança, Elayne Oliveira, pedagoga e especialista em psicologia educacional com ênfase em psicopedagogia preventiva, garante que proibir o acesso à internet não é a melhor alternativa.



“Nenhuma ferramenta digital é segura. Sempre estará sujeita à invasão de piratarias e deve ser monitorada por um adulto responsável. Proibir jamais será a saída para evitar ter contato/acesso à internet, até porque sabemos que essa tecnologia contribui para o processo de aprendizagem, para o lazer, dentre outros”, explica.



Especialista garante que proibir o acesso não é a melhor saída e dá dicas do que os pais devem fazer. (Foto: Arquivo Pessoal)


A psicóloga destaca a importância do diálogo e da presença dos pais na vida dos filhos.


“O que se faz necessário é o diálogo constante entre pais e filhos sobre o que se vê, o contato que se tem na internet. É necessário que os pais conversem, orientem sempre seus filhos, falem sobre os perigos que há e, se possível, acompanhar o que está sendo acessado. Verificar histórico do computador, instalar filtros, ter acesso à senhas. No diálogo constante você verifica quais os sites/ambientes de rede que o filho mais gosta de acessar, o que mais o agrada ou desagrada. Dessa forma, você pode estar protegendo seu filho dos perigos que a rede manifesta e dos quais ele ainda não possui maturidade para identificar”, recomenda.



Segundo a especialista, é incontestável o “poder sedutor” e envolvente que a internet tem, principalmente em crianças e adolescentes. No entanto, para ela, é importante propor e envolver os filhos em atividades como leitura de bons livros, atividade lúdico esportiva, atividades culturais.


“Também é importante estabelecer regras como horário de estudo a ser cumprido, horário de uso da internet, de preferência em horários que os responsáveis possam estar em casa, perto de seus filhos”, orienta.



A psicopedagoga destaca ainda, que pais e escolas podem ser grandes aliados na construção e desenvolvimento de uma consciência crítica em relação aos perigos existentes na internet.



“A escola tem grandes possibilidades de forma interdisciplinar trabalhar essa temática, de orientar esses jovens sempre para o uso da ferramenta de forma positiva, trazer os pais para escola sensibilizando-os do quanto é necessário que estejam atentos aos perigos e orientá-los a trabalhar em casa com essa situação. Juntos, escola e família falando a mesma linguagem atingiriam mais rápido e positivamente esse aluno. Este precisa sentir-se pertencente e importante para sua escola e sua família, uma vez dotado do sentimento de pertencimento, dificilmente um “convite” destruidor vindo das redes sociais lhe atingirá”, ressalta. 



A exposição das crianças à internet, tem de ser feita de forma responsável e orientada. “Não é evitar, proibir, esquivar-se, não! Mas sim ser usada de forma responsável e orientada sempre por seu responsável. Desta forma, a exposição será mais tranquila, aproveitando os benefícios que a rede oferece, sem deixar de ser monitorada pelos pais”, alerta.


CRIANÇAS NA WEB, SIM!


Para Durban Guedes, pai da Maria Eduarda Guedes, mais conhecida como Duda Guedes, monitorar é maior forma de garantir a segurança. A filha, que completa 13 anos em julho deste ano, começou a gravar vídeos quando tinha apenas oito. Hoje, o canal tem mais de 1,2 milhão de inscritos, com público de todas as idades.



“A maior segurança ao meu ver é monitorar o que ela grava de conteúdo e ter também um grande cuidado com a caixa de comentários. Estamos em mundo hoje, onde se despeja ódio gratuito por perfis falsos, então a gente toma muito cuidado para que essa maldade sem sentido não chegue até a Duda, mas acredito que independentemente da criança ou adolescente possuir um canal, os pais e responsáveis tem a obrigação de acompanhar o que seus filhos estão postando nas redes sociais, observar quem pode estar se aproximando através de chats principalmente, tudo isso em paralelo com uma conversa franca com eles, sobre os perigos dos dias de hoje, para que possam saber também se defender de possíveis ameaças”, opina.



Duda Guedes tem o apoio da família. (Foto: Arquivo Pessoal)


Durban relembra que foi difícil a tarefa de o convencer a criar o canal para a filha, principalmente pela questão da segurança. Mas com a ajuda da noiva Brunna, a família embarcou junto no processo de criação.



“O canal começou mais ou menos em agosto de 2014. Em um dia começou a assistir vídeos no YouTube e em outro já estava gravando vídeos sozinha, depois começou a pedir para Brunna editar os vídeos. A tarefa mais difícil foi me convencer a criar o canal. Ela chegou a me dizer na época que não queria um presente de aniversário aquele ano, que o melhor presente seria abrir o tal canal no YouTube. Depois de tudo isso começamos a acompanhar, os seguidores vieram naturalmente, com o tempo nem eu conseguia acreditar no número de pessoas que assistia. O mais legal é que quando ela começou, o público tinha a idade dela, muitos foram crescendo junto, o conteúdo também foi mudando de acordo com os interesses dela. Hoje ela gosta muito de gravar o seu dia, conversar com os seguidores, compartilhar suas experiências, o que é muito verdadeiro e autêntico”, diz o pai orgulhoso.



Para Durban, as crianças hoje em dia passam por um bombardeio digital, onde alguns pais sonham com a fama para os filhos e outros enxergam um futuro financeiro promissor. No entanto, para ele, entrar nesse mundo com esses dois principais focos é provável que seja um fracasso.



“A naturalidade nesse processo é o principal. Hoje em dia vivemos em uma enxurrada de crianças entrando no YouTube e sempre tem pais que me procuram pra perguntar como tudo isso funciona, me pedem dicas e costumo dizer que a melhor dica é perceber se o seu filho ou filha realmente tem essa vontade. Administrar tudo isso hoje, pra mim passa basicamente em não deixar as pessoas se aproveitarem dela e de tudo isso que foi conquistado. Eu e a Brunna temos trabalhado por trás de tudo isso com ela, tanto tecnicamente quanto na orientação”, explica.



Duda Guedes tem um canal tem mais de 1,2 milhão de inscritos, com público de todas as idades. (Foto: Arquivo Pessoal)


O pai de Duda Guedes conta ainda que, com a proporção que o canal da filha atingiu, a família hoje conta com uma agência que cuida não só da parte de contratos, mas também da imagem da criança.



“No canal existem algumas outras pessoas que trabalham na engrenagem também, acho importante falar sobre isso, uma criança como ela, se diverte gravando vídeos e ao mesmo tempo leva uma vida totalmente normal, de escola, esporte e atividades. Gravar vídeos entra como lazer, ela ama gravar, só que o trabalho por trás de tudo, isso é feito por adultos e ninguém por aí trabalha de graça, então uma parte de todo rendimento financeiro precisa fazer a engrenagem continuar funcionando. A outra parte é investida na Duda, entre as coisas que eu como pai, julgo importante pra ela no momento. O lado bom de tudo isso é ver a felicidade dela, suas realizações, junto com seu crescimento social que é fantástico”, relata Durban.



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Coordenação: Gustavo Dutra/DOL


Multimídia: Gabriel Caldas/DOL


(DOL)

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