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Acidentes na infância: quedas e queimaduras em casa. Como evitar?

sexta-feira, 25/01/2019, 11:16 - Atualizado em 25/01/2019, 16:33 - Autor:


“Desce daí!”, “Tira a mão!”, “Não encosta nisso!”, “Cuidado!”. Certeza que quem tem criança em casa se identificou, pois sabe das dificuldades diários para proteger os pequenos dos inúmeros perigos que rondam uma casa.



Tomadas, escadas, produtos tóxicos, quinas, objetos pontiagudos e até aqueles que parecem inofensivos, mas se tornam uma grande ameaça para os pequenos que estão na fase de desbravar o mundo com as mãos e a boca.


Mais de 2 milhões de crianças, menores de 5 anos, foram atendidas, em emergências hospitalares, devido a lesões relacionadas a móveis macios e acolchoados, entre 2007 e 2016, segundo a pesquisa "Lesões Relacionadas com Cama e Sofá em Crianças Pequenas Tratadas em Departamentos de Emergência dos EUA, 2007-2016", apresentada na conferência nacional de 2018, da Academia Americana de Pediatria (AAP).



A pesquisa mostrou ainda que quedas são a fonte mais comum de lesões entre crianças pequenas. O estudo também apontou que 62% das crianças tiveram lesões na região da cabeça e da fase.


A investigação apontou também, que meninos (56% dos casos) são mais propensos a se machucar do que as meninas e que lesões na cama e no sofá, por exemplo, entre crianças menores de 5 anos, aumentaram em mais de 16% durante o período do estudo.




PERIGOS DENTRO DE CASA


Lorena Maciel, mão de Helena Maciel, de apenas 1 ano e 2 meses, recentemente vivenciou momentos de desespero em pleno Ano Novo. A filha teve queimaduras de 2º grau após encostar as mãos no fogão da cozinha.



“Era por volta das 15h da tarde, do dia 31 de dezembro de 2018, quando estávamos assando um perto no forno do fogão para a ceia do Ano Novo. Minha mãe estava na sala com a Helena, terminando de dar uma fruta a ela e eu estava na cozinha ajudando na preparação das comidas”, relembra Lorena.



A mãe conta que o acidente ocorreu em questão de segundos. “O peru já estava um bom tempo assando, logo o vidro do forno estava muito quente. E nossa cozinha não tinha uma grade de proteção na porta, ela tinha fácil acesso. Minha mãe terminou de dar a fruta e veio na cozinha jogar fora o que sobrou no lixo. Ela deixou Helena brincando na sala com os brinquedos, mas não viu que Helena veio atrás, foi tudo muito rápido. Só ouvimos os gritos e muito choro. Quando olhei, ela estava batendo a mãozinha no vidro desesperadamente, foi quando larguei o que estava fazendo e puxei ela. Ela havia se apoiado com uma das mãozinhas justamente no vidro do forno, que estava numa temperatura altíssima. Queimou na mesma hora a mão e os dedos”, conta.



Após o acidente com a filha Helena, Lorena adotou medidas de segurnaça por toda a casa. (Foto: Arquivo Pessoal)


Em meio ao desespero, Helen colocou a mão da filha dentro de uma vasilha com água e segui para a emergência.


“Só não queimou as duas mãos porque graças a Deus, na hora ela estava com um brinquedo na outra mão e só se apoiou com uma das mãos no fogão. A enfermeira do hospital nos informou que foi a atitude correta, pois não é recomendado passar nada em cima do ferimento. Nesse meio tempo, se formou logo uma bolha grande na palma da mão e também em todos os dedos. Segundo o traumatologista que a atendeu na urgência, ela teve uma queimadura de 2° grau, foi feito o curativo e ficamos um pouco mais de uma semana levando-a para fazer a troca de curativo todos os dias”, explica.



Após o acidente, Lorena conta que adotou algumas medidas de segurança por toda a casa. “Meu alerta é para que os mais fiquem mais atentos, pois nessa idade principalmente, eles gostam muito de explorar as coisas e os lugares. Além disso, tomar medidas de segurança, como grades/portões, escadas, dentre outras”.



Camila Tavares, mãe do João Guilherme Tavares, de 3 anos, passou pela mesma situação. O filho precisou passar por cirurgia após quebrar o braço durante uma brincadeira na cama.



“No feriado do dia 15 de novembro, já por volta das 22h30, estávamos indo descansar. Meu filho começou a brincar e pular em nossa cama, porque ele dorme com a gente. Dentre as brincadeiras, ele gostava de atravessar na beirada da cama, porém, eu sempre segurava sua mão. Num determinado momento, ele preferiu soltar e segurar sozinho, foi aí que ele caiu. Eu logo peguei ele do chão, chorando e quando vi o braço em formato de “S”, eu demorei a acreditar no que estava vendo”, conta.



Camila dedobrou a atenção com o filho João após o acidente. (Foto: Arquivo Pessoal)


Camila relembra o desespero da família e a bisca pelo socorro. “Tive um “choque”. Eu só acreditei quando meu marido viu e gritou desesperado dizendo que ele havia quebrado o braço. Foi um desespero total nosso. Ele pegou o carro, tremendo, fomos para o hospital e foi constatada a fratura. No dia seguinte, ele fez a cirurgia e os médicos pediram para ficarmos tranquilos, pois aquele tipo de procedimento era simples e frequente em crianças”.



Depois do acidente, Camila conta que redobrou a atenção dentro e fora de casa. “Hoje, a atenção está mais do que redobrada com ele, seja ao subir e descer da cama novamente, ao correr, ao brincar. Eu fiquei com aquele medo de acontecer novamente. Não podemos descuidar em nenhum momento, o perigo está em todo lugar”, alerta a mãe.



Sopas instantâneas queimam quase 10.000 crianças por ano


Sopa e macarrão instantâneos, feitos pelas crianças, no microondas, causam pelo menos duas de cada 10 queimaduras que as levam aos departamentos de emergência a cada ano, segundo o estudo “Ferimentos de Escaldaduras Causados por Sopas Instantâneas em Crianças”, apresentado no dia 5 de novembro, no Orange County Convention Center, em Orlando, Flórida.



A pesquisa apontou que as queimaduras estão entre as principais causas de lesões evitáveis em crianças. Os pesquisadores examinaram dados do Sistema Nacional de Vigilância de Lesões Eletrônicas, entre 2006 e 2016, para identificar pacientes pediátricos cujas queimaduras foram causadas por “sopa instantânea”, “macarrão instantâneo”, “xícara de sopa” ou “água para fazer sopa instantânea”.



Segundo o estudo, as queimaduras de escaldaduras afetam mais de 9.500 crianças anualmente, entre 4 e 12 anos. A idade de pico para lesões instantâneas causadas por derrames de sopa é de 7 anos. Os pesquisadores também descobriram que a área mais comumente queimada do corpo era o torso da criança, compreendendo 40% das lesões. Nesse caso, cerca de 57% das crianças queimadas eram do sexo feminino. 


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Reportagem: Andressa Ferreira/DOL


Coordenação: Enderson Oliveira/DOL

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