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'Meu filho ainda não fala': o que fazer? Quando devo procurar ajuda?

sexta-feira, 14/12/2018, 09:58 - Atualizado em 14/12/2018, 12:22 - Autor:


“Meu filho já está com 2 anos e ainda não fala”. Essa é uma das preocupações vividas por muitos pais e mães ao longo do crescimento da sua criança. No entanto, vale lembrar que cada uma tem sem próprio ritmo.



Segundo a fonoaudióloga infantil Lia Brenda Mendes, os vários fatores influenciam no desenvolvimento da criança, como estimulação em casa, ambiente favorável e convivência.


“Primeiramente, a criança começar a fazer sons e gritos com 3 meses. Depois disso, de 6 a 9 meses vem o balbuciar “mama” e depois de 1 ano começa a aperfeiçoar a fala. Entre 1 a 2 anos a criança fala com significado, porém, vários fatores influenciam no desenvolvimento, como estimulação em casa, o ambiente favorável, como brinca, música que ouve, ir a lugares diferentes, convivência com outras pessoas e crianças e muitos outros”, explica.



Até aprender a falar tudo, a criança pode trocar algumas letras e comer outras. É normal também que ela repita algumas palavras ou sílabas. Então, em que momento se preocupar? Quando consultar um especialista?


“O importante é que não existe esperar mais um pouco ou comparar que alguém da família falou mais cedo ou mais tarde. O recomendável é procurar ajuda e verificar os marcos do desenvolvimento e ver porque a criança ainda não está fazendo o que deveria fazer para sua faixa etária”, orienta a fonoaudióloga.




Por que meu filho ainda não fala?


Segundo a especialista, entre os problemas mais comuns que causam atraso na linguagem estão os adutivos, os neurológicos (como autismo e síndrome de Down) e os respiratórios.



“O que tem preocupado é que crianças estão chegando tarde para a terapia. Então, é importante que os pais vejam a idade do seu filho e verifiquem quais as habilidades já deveria estar fazendo, caso não esteja falando, por exemplo.”, recomenda.


Segundo a fonoaudióloga, conhecer a causa do atraso ajuda na intervenção e no prognóstico da criança.


“O tratamento vai depender da causa e do diagnóstico da criança, porque tem intervenções específicas para cada caso. Procure um fonoaudiólogo, que vai investigar a justificativa do possível atraso na fala e verificar o aspecto auditivo (avaliação audiológica), doenças genéticas, autismo (porque tem incidência de atraso na fala), deficiência intelectual e visual, falta de estímulo e apraxia de fala na infância (condição neurológica em que a pessoa é incapaz de realizar voluntariamente movimentos motores mesmo que seus músculos estejam normais e ela saiba como fazer o movimento)”, explica a especialista.



Para Mendes, o passo mais importante é buscar a ajuda de um especialista em linguagem para avaliar a criança individualmente. “Uma criança com apraxia de fala na infância, por exemplo, o tratamento é diferente porque é voltado para o planejamento e execução dos movimentos da boca. Então, uma terapia fonoaudiológica voltada para atraso simples de linguagem não irá funcionar”, alerta.



Fonoaudióloga destaca sinais que os pais devem ficar atentos e quando procurar ajuda profisisonal. (Foto: Arquivo Pessoal)


Intervenção precoce faz a diferença!


Segundo a fonoaudióloga, a primeira coisa que os pais devem ficar atentos são quantos aos conceitos de comunicação, fala e linguagem, para identificar as diferenças e procurar ajuda, se necessário.



“Os pais precisam entender que comunicação é uma coisa, fala é outra e linguagem é outra. Então, às vezes a criança se comunica verbal ou não verbal, ela aponta ou ela responde, sendo que a fala é mais a articulação, é motor. Já na linguagem, a língua é um código que está dentro da comunicação, que está dentro da fala. Os pais precisam saber ter esses conceitos principais na cabeça para poder procurar ajuda”, recomenda.


De acordo com a especialista, se a partir de um ano e meio a criança não começar a balbuciar ou soltar sons ou se com dois anos não emitir nenhum som é necessário procurar ajuda.



“A partir de um ano e meio a dois anos viu que seu filho não está falando nada, não espera mais um pouco, tem que procurar ajuda urgente. O que acontece, que eu percebo, é que as médicas dizem para esperar mais um pouco, tem profissional que não atende criança muito pequenininha, mas eu acho isso um erro porque a intervenção precoce não faz ruim para ninguém. Eu acho que tem que esse negócio de esperar é ruim porque a poda neural, que a gente chama, que ocorre de 2 a 3 anos, então se a criança não foi estimulado durante esse período vai ficar mais difícil”, alerta.


Atento aos sinais


Kaique Leal, hoje com cinco anos, não teve atraso de linguagem. Falou antes de um ano, desenvolveu normal a fala, mas por volta de 1 ano e 4 meses teve uma leve regressão.




Kaique ao lado da mãe Izabella e da avó Wanda Leal. (Foto: Arquivo Pessoal)


Wanda Leal, avó de Kaique, foi que ficou alerta com os sinais e convenceu a filha de procurar ajuda profissional. “Desde aí eu já suspeitava de austismo, mas a Izabella, mãe dele, me chamava de louca”, relembrou.



A família, então, seguiu a orientação da pediatra, que sugeriu que Kaique fosse colocado em contato com outras crianças para que fosse observado seu desenvolvimento.



Ajuda da família fez uma grande diferença: com os avós e o tio Carlos. (Foto: Arquivo Pessoal)


“Colocamos ele na escola e melhorou mesmo, mas ainda trocava algumas letras. Com 2 anos e meio mais ou menos, a pediatra sugeriu que procurássemos uma fonoaudióloga. Ele passou um semestre indo na fono. Notamos que passou a falar corretamente e passamos a não levar mais nem na fono, nem na neuro. Sempre eu sugeria, mas a mãe dele dava para trás”, conta.



No decorrer dos 3 anos de idade, a família começou a observar algumas características/traços de autismo. Kaique não atendia pelo nome, não brincava em grupo, não olhava nos olhos, não gostava de sair de casa, se incomodava com barulho e colocava as mãos no ouvido. Diante disso, por orientação da pediatra, a família procurou ajuda profissional novamente.



Kaique com o tio Paulo Henrique. (Foto: Arquivo Pessoal)



“A pediatra sugeriu levar na neuropediatra. Levamos ele por duas vezes, mas ela não fechou diagnóstico. E eu sempre esbarrava na negativa da mãe do Kaique, que dizia que era coisa da minha cabeça, que ele não tinha nada, que era normal da idade. Assim, o tempo foi passando e eu resolvi procurar uma especialista. Ela sugeriu autismo leve asperger e TDAH, que é transtorno de comportamento. Mas também com um QI alto de criança de sete anos, mas agora que ele está com cinco. A partir daí fomos buscando ajuda especializada. Hoje ele está sendo atendido por uma terapeuta ocupacional, psicólogo, já passou pela fono. Daqui há um mês volta na pediatra especialista em diagnostico de autismo para fechar o laudo”, conta Wanda, destacando a importância da intervenção precoce e da busca por profissionais especializados.


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Reportagem: Andressa Ferreira/DOL


Multimídia: Gabriel Caldas/DOL


Coordenação: Enderson Oliveira/DOL

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