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Campanha Outubro Rosa: pela prevenção do câncer de mama

domingo, 30/09/2018, 07:23 - Atualizado em 30/09/2018, 07:59 - Autor:


O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, depois do câncer de pele (não melanoma), respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), que estima a ocorrência de 59.700 novos casos apenas este ano. Amanhã começa, em nível nacional, a campanha Outubro Rosa, de prevenção ao câncer de mama.


A campanha busca conscientizar e alertar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e, mais recentemente, sobre o câncer de colo do útero. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente. A idade é um dos fatores de risco para a doença, já que quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos tem bom prognóstico.


O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença. O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. A oncologista clínica Juliana Nicolau diz que o rastreamento para o câncer de mama é a conduta preventiva que a mulher deve tomar quando não apresenta nenhum sintoma da doença. A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é a realização de mamografia anualmente a partir dos 40 anos.


MAMOGRAFIA


“Já o Ministério da Saúde recomenda o exame bianual a partir dos 50 anos. Só que 15% a 20% dos casos de câncer de mama ocorrem na faixa etária entre 40 a 49 anos. Por essa razão orientamos pela recomendação da Sociedade de Mastologia”, alerta. Ela lembra que o autoexame das mamas é uma boa estratégia de diagnóstico precoce da doença. “Se durante o exame a paciente notar alguma alteração na sua mama deve imediatamente procurar o serviço médico para fazer um exame que possa detectar o nódulo na sua fase inicial. Quanto mais cedo começar o tratamento mais chance de sucesso e de cura”.


Segundo ela, a redução do risco para o câncer de mama envolve uma alimentação saudável aliada a atividades físicas, evitar bebidas alcoólicas e conhecer bem a a mama para que se descubra possíveis alterações envolvendo nódulos, volume, pele, dor, desconforto. Uma fez feito o diagnóstico, existem vários tipos de tratamento dependendo do estágio em que a doença é identificada.


“Os casos mais precoces são muitas vezes resolvidos apenas com cirurgia sem mesmo a necessidade de quimioterapia. Em outros casos necessita o complemento com radioterapia, quimioterapia e bloqueio hormonal. Quanto mais cedo detectamos a doença, menos agressivo é o tratamento”, lembra Juliana.



Entidade presta apoio aos pacientes


A Associação Voluntária de Apoio à Oncologia (Avao) há 19 anos presta apoio a pacientes com câncer na fase ambulatorial do Hospital Ophir Loyola. “Damos café da manhã e almoço para os pacientes que vêm principalmente do interior do Estado fazer uma consulta ou um curativo, além de dar uma cesta básica aos pacientes que fazem quimioterapia e radioterapia”, explica Ilda Mota de Souza, tesoureira da entidade, ao citar alguns dos apoios obtidos na Avao.


Ela conta que muitas mulheres com câncer de mama procuram a Avao e lá podem participar de diversas atividades. A maioria é formada por mulheres mastectomizadas, que retiraram a mama.


ATIVIDADES


“Temos oficinas de crochê, corte e costura, macramê, pintura e musicoterapia. E todo o trabalho feito nessas oficinas é vendido no cantinho das artesãs mantido aqui. Também levamos os produtos para uma pequena tenda na praça da República. Todo resultado das vendas é revertido para as próprias pacientes”, explica.


“Não recebemos verba pública de qualquer esfera, seja municipal, estadual ou federal. Realizamos nosso trabalho de forma voluntária e nos mantemos com a ajuda de colaboradores, empresas, e promoções como bingos e rifas feitos pelas nossas voluntárias”, diz Ilda. A Avao fica na 14 de Abril, ao lado do Ophir Loyola.


NÚMEROS NO PARÁ


  • No ano passado, 267 mulheres morreram no Pará em decorrência do câncer de mama, 20 a menos do que em 2016.
  • O número de internações por câncer de mama em hospitais do Estado chegou a 386 entre janeiro e julho deste ano, segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). No mesmo período de 2017, o quantitativo foi de 436 e, no decorrer do ano todo, 749 foram internações.
  • Dados do Inca mostram que o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais recorrente entre as mulheres residentes no Estado, perdendo somente para o câncer de útero. As estimativas para 2018 e 2019 no Pará é que surjam 740 novos casos de câncer de mama.


EXAMES PELO SUS


  • Para fazer o exame de prevenção ao câncer de mama no Pará, a mulher deve procurar uma unidade de saúde para que possa ser encaminhada, caso haja necessidade, para um dos 28 locais com procedimento de mamografias, mantidos pelo SUS e/ou conveniados, espalhados em 15 municípios do Pará.
  • Entre esses locais, no interior do Estado destacam-se os serviços implantados de diagnóstico no Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém; no Hospital Regional do Marajó, em Breves; nos Hospitais Regionais de Altamira e de Marabá, no Hospital Regional de Paragominas e na região sudeste, o tratamento é disponibilizado pelo Hospital Regional de Tucuruí.
  • Em Belém, os locais de referência são a Unidade de Referência Especializada Materno Infantil (Uremia) e na Casa da Mulher.


(Luiz Flávio/Diário do Pará)

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