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Feliz com o próprio corpo e sem o peso da sociedade

segunda-feira, 10/09/2018, 23:06 - Atualizado em 11/09/2018, 00:03 - Autor:


“É você que vai usar esse corpete?”, perguntou a caixa de uma conhecida loja de departamentos em Belém no momento em que Pietra Pojo se preparava para comprar a peça, para si mesma. “Respondi prontamente: ‘Por que? Você acha que gorda não pode usar corpete? É pra mim, sim! E tenho outros’. Ela ficou surpresa com minha resposta e se tocou”, conta esta paraense de 21 anos, que se define como uma pessoa gorda e livre de qualquer padrão de beleza pré-estabelecido.


No Dia do Gordo, celebrado neste 10 de setembro, a história de Pietra serve para incentivar as pessoas a amarem mais a si mesmas e se manterem firmes diante do preconceito. A autoestima é a arma que Pietra usa para combater todos os dias uma sociedade que, apesar dos esforços de conscientização, viu as atitudes preconceituosas contra gordos aumentaram exponencialmente entre 2001 e 2010 até os dias atuais.


Apesar de poucas pessoas admitirem algo contra gordos, esse tipo de preconceito é frequente e aparece quase sempre travestido de elogio ou preocupação. Para Pietra, que sofre bullying desde a infância, o preconceito disfarçado é o mais comum, e ela "tira de letra".


“Já aconteceram e acontecem inúmeras situações. Outro dia uma pessoa me fez um elogio deste tipo. Ela disse: ‘Nossa! Você tem um rosto lindo, se emagrecesse ficaria maravilhosa’. Tem outros que sugerem pra eu emagrecer, com a desculpa de não ser por causa de estética, mas por questão de saúde. Enfim, tem cada uma!” diz.


Se Amar é o Remédio




Durante muito tempo Pietra acabou percebendo o papel de “amiga gorda” no círculo de amizade. O preconceito mal disfarçado, até mesmo entre os amigos, motivou a universitária chegou a incomodar, mas um “segredo” acabou ajudando a jovem paraense: se amar, e muito!


“Como toda mulher gosto de me maquiar, me vestir bem, sem nenhum tipo de restrição, me olhar no espelho e me achar linda do jeito que sou, e isso é a chave para combater qualquer tipo de ignorância” diz a alto astral Pietra.


 



Efeitos do Preconceito na Sociedade




Além de toda a discriminação diária a ser combatida, as pessoas gordas precisam encarar o desafio do mercado de trabalho, onde possuem grande probabilidade de ganhar um salário menor só por causa da aparência. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos em 2013 encontraram uma relação inversa entre obesidade e um salário elevado. Conforme estudo da Universidade Cornell, quanto mais rico você for, maior a probabilidade de ser saudável. E, se você é mulher e de alguma minoria racial ou étnica, você é mais propensa a ser obesa.

Segundo John Cawley, professor de Cornell e responsável pela pesquisa que analisa os efeitos econômicos da obesidade, a pobreza pode engordar algumas pessoas, mas a obesidade definitivamente empobrece as pessoas, em especial as mulheres. As obesas em geral têm 50% menos chances de frequentar o ensino superior, 20% menos chances de se casar, sete vez mais chances de ter depressão e recebem 9% a menos que mulheres não obesas.

Um outro estudo de 2015, desta vez da Universidade Vanderbilt, concluiu que mulheres obesas têm maior possibilidade de trabalhar em empregos com atividade braçal em detrimento daqueles voltados à interação com o público, uma tendência não observada com homens obesos. Mesmo quando elas atuam em postos que exigem interação física, mulheres obesas recebem menos do que mulheres não obesas.


Diante deste cenário de preconceito, muitas pessoas gordas acabam desenvolvendo algum tipo de complexo de inferioridade, entre outros transtornos. E é por isso que atitudes como a de Pietra possuem a capacidade de motivar inúmeras pessoas para enfrentar o preconceito de cabeça erguida. Se por um lado existem estes lamentáveis dados sobre a gordofobia, por outro a luta por inclusão nunca esteve tão valorizada como atualmente.


O amor próprio e a aceitação de quem se é em todas as formas contagia milhares de pessoas todos os dias. O movimento Plus Size que o diga. De acordo com dados da Associação Brasileira de Vestuário (Abravest), o mercado curvewear cresce 6% anualmente, movimentando cerca de R$5 bilhões. Uma parte da sociedade, que como Pietra, se ama cada vez mais e não baixa a cabeça para o preconceito.


(Igor Wilson/DOL)

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