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Emagrecimento de Marília Mendonça reabre debate sobre corpo e preconceito

terça-feira, 24/07/2018, 10:39 - Atualizado em 24/07/2018, 14:14 - Autor:


Opiniões distintas que vão da resignação de “esse é o padrão!” ao empoderamento feminino que prevê revisões sobre o próprio corpo. Assim funcionam as redes sociais atualmente. Entre a discussão que começa a existir para que as pessoas se aceitem independente dos padrões pré-existentes, as novas mídias, através dos influenciadores digitais, usam discursos confusos e polos contraditórios.


Um exemplo atual disso é a cantora Marilia Mendonça, 23 anos. A jovem, que sempre travou uma batalha contra a balança, e já chegou a usar balão gástrico para perder peso, iniciou uma reeducação alimentar e aos olhos de muitas pessoas, agora sim ela "está linda". Depois de emagrecer, por causa de problemas de saúde, parece que a jovem foi notada para além de sua carreira musical.


Em fotos que a cantora posta em seu perfil no Instagram, os comentários são: “Se gordinha já era linda agora assim o papai”, “Marília morreu e foi substituída!”, “Emagreceu ou Photoshop”, “Cm e bom ter dinheiro se eu tivesse taria cm vc magra”, “Já era bonita antes agora ficou muito mais diva”, entre outras.


BEM MAIS PERTO DO QUE SE IMAGINA


O caso não restringe ao "mundo dos famosos". Aqui em Belém mesmo, as coisas não são diferentes. A fisioterapeuta Clarissa Lima, 37, viveu bem isso desde a sua infância até a sua vida adulta. Mesmo vivendo o efeito sanfona, hoje ela encontrou o seu equilíbrio, mas ainda busca mais.


Tentando “ser magra” desde criança, a fisioterapeuta não ouvia frases sobre seu peso, mas sentia dentro de casa o compromisso de ser magra, principalmente por sofrer bullying na infância, ela se sentia excluída, se tornando uma adolescente reprimida e tímida. “Eu sempre tive relacionamentos amorosos, então era algo que não me incomodava, até que meu namorado da época começou a me trazer a pressão psicológica junto com a minha mãe. Ele dizia que não tinha me conhecido desse tamanho, ele chegava em casa e perguntava o que eu tinha comido. Eu achava que ele queria namorar uma pessoa nova e não me namorar ou talvez ele se preocupasse com a minha saúde e tivesse vergonha de me apresentar para os amigos por eu ser muito gorda”, contou.


Além disso, ainda tinha o questionamento de alguns amigos. “Quando eu fiz um curso na minha área, meus amigos brigavam comigo porque não conseguiam tocar nos meus ossos, então eles diziam que eu estava muito gordinha. O motivo inicial foi esse. Depois ao revelar as fotos do curso, me vi e me achei deformada”, explicou Clarissa.


Depois de tudo isso, ela decidiu mudar de vida aos 24 anos. O processo de emagrecer foi muito mais do que diminuir medidas e sim se amar. Clarissa imaginava que seria aceita pela sociedade se estivesse mais magra. Mas o pensamento de anos atrás, não mudou, e ela garante que esse processo ajudou sim no seu crescimento como pessoa. “Essa teoria se comprovou sim, se fosse gorda como eu era, talvez não fosse assim”, destacou.


Atualmente, Clarissa mantem uma dieta regrada com atividades físicas regulares, ela mudou ainda a alimentação dentro da sua casa. A fisioterapeuta quer emagrecer mais, porém, não se priva de um doce no fim de semana depois de manter uma alimentação semanal mais saudável.





Processos de emagrecimento que Clarissa passou. E abaixo como ela está atualmente (Fotos: Arquivo Pessoal) 


PARA SER ACEITA A PESSOA PRECISA SER MAGRA?


André Assunção, psicólogo do Hapvida Saúde, garante que a autoaceitação vai muito mais do que ter um corpo bonito. “O primeiro passo sempre é trabalhar a autoestima. Achar um ponto de equilíbrio na vida, isso pode ser encontrado nas relações com as pessoas, família, profissional”, analisou.


O psicólogo destaca que o mais importante é gostar de si. É interessante se aceitar e achar algo que seja orgulho para si, como sucesso profissional, relacionamentos familiares estáveis, vida amorosa feliz ou até no seu próprio corpo. “As redes sociais são para estabelecer relações, te aproximar de pessoas, além de ser um lugar de exposição. As pessoas se aproximam umas das outras de acordo com afinidades. Mas claro, que tudo depende da forma que você enxerga o mundo”, explicou.


A construção da autoestima é feita desde a infância e relações estabelecidas com o mundo. O “auto” vem de como a gente se vê, como lembra André Assunção. Quem não consegue adquirir essa confiança tem suporte de analises e terapias que ajudam de forma direta nesse processo.


Psicólogo André Assunção diz que analises e terapias podem ajudar no processo de autoaceitação (Fotos: Divulgação)  


O OUTRO LADO DA MOEDA


A estudante e empresária, Luciana Cantão, 30 anos, se ama: de dentro pra fora e de fora pra dentro! “Eu sempre fui gordinha desde criança, mas quando cheguei no auge dos 107kg, além da estética e balança, a minha saúde passou a me alertar e precisei mudar de padrão, tive uma doença hormonal causada também pelo sobrepeso, o que despertou meu lado materno, pois afetava na minha possibilidade de engravidar”, contou.


Ela realizou reeducação alimentar e enxergou a comida de forma diferente. Mas o objetivo de Luciana nunca foi ser magra. Na ocasião, ela perdeu 25kg, mas engordou 10 na gravidez. Hoje ela mantém 85kg.


“Me considero uma mulher grande, bem resolvida e feliz com seu corpo, aprendi a conviver com ele”, confessou. Ela ainda revelou que faz atividade física e se alimenta bem, ou seja, sua saúde anda perfeita.




Alguns trabalhos publicitários de Luciana Cantão (Fotos: Lucas Queiroz/Divulgação)  


Luciana se amou e conquistou muitas coisas, feliz consigo própria. O mercado da moda precisou expandir e abrir os olhos para os manequins pluz. Hoje, a loira é referência em publicidade em Belém. “Tudo começou sem pretensão nenhuma, já estava acostumada com o título da ‘gordinha do rosto lindo’. Como sempre gostei de fotografar, uma amiga me convidou pra fazer umas fotos das roupas G/GG da loja que ela era revendedora e aceitei na hora. Depois daí não parei mais”.


“Hoje me sinto muito mais à vontade, muito mais acolhida no mundo! Tenho orgulho de ser uma gordinha saudável, de ter domínio sobre o meu corpo! Meu biótipo é esse, é ser grande. Tenho 1,72 de altura, quadril largo ,até meu pé é enorme! Mas tenho certeza que fosse um problema na minha vida já teria feito algo pra mudar”, conta consciente.


Mais apaixonada por si e pelo mundo da moda, a estudante garante que a forma com que vemos o mundo pode interferir diretamente na nossa aceitação. “Acho que o principal é você se auto analisar ou tentar buscar melhoras cada vez mais, tanto por fora quanto por dentro! Só não vale ficar se comparando, ou se diminuindo. Em primeiro lugar devemos cuidar da saúde, tanto física quanto mental. A vida é muito mais que um corpo perfeito”, finalizou.


(Bruna Dias/DOL)

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