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Consumo de alcoól aumenta entre as mulheres de Belém

domingo, 22/07/2018, 09:52 - Atualizado em 22/07/2018, 09:52 - Autor:


A frequência de consumo abusivo de bebida alcoólica entre as mulheres sofreu aumento de 2,9% na capital paraense. Em 2017, o percentual de mulheres acima de 18 anos que fizeram uso abusivo de álcool em Belém foi de 11,4%, enquanto em 2016 o índice não ultrapassou os 8,5%. Os dados são apontados pelas pesquisas de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2016 e de 2017, realizadas pelo Ministério da Saúde (MS).


Com uma amostra mínima de 2 mil indivíduos por cidade, as pesquisas foram realizadas através do telefone em cada uma das capitais dos 26 estados e do Distrito Federal. Para efeito da pesquisa, foi considerado como ‘consumo abusivo de bebidas alcoólicas’ a ingestão, nos últimos 30 dias, de quatro ou mais doses (no caso das mulheres) ou de cinco ou mais doses (no caso dos homens) de bebida alcoólica em uma mesma ocasião.


Na pesquisa mais recente, a de 2017, quando observadas as capitais dos sete Estados que compõem a Região Norte, Belém aparece em segundo lugar dentre as que apresentam maior frequência de consumo abusivo de álcool. A segunda posição do ranking da região é ocupada pela capital paraense tanto em relação aos homens, quanto em relação às mulheres.


No caso dos homens, o percentual de consumo abusivo de álcool em Belém é de 26,8%, perdendo apenas para Palmas, que registrou 33,2%. Já no caso das mulheres, a capital paraense manteve um percentual de 11,4%, bem próximo dos 11,8% da primeira colocada no ranking, também Palmas.


Apesar de bem menor do que nos homens, o percentual de consumo entre as mulheres em Belém cresceu em 2017 em relação ao ano anterior – o que não aconteceu com os homens, que registraram percentual de 29,9% em 2016 e redução para 26,8% em 2017.


Para a psicóloga Francislaine Slamia, tal cenário exige que se analisem alguns fatores que podem contribuir para que as mulheres estejam fazendo uso de bebida alcoólica de forma abusiva. Para isso, Francislaine considera a constituição do indivíduo desde a adolescência. “Normalmente os pais pouco abordam a questão do álcool com relação à menina”, considera. “Quando pensam nos meninos, os pais batem muito em cima da questão da violência com o álcool, com as dragas, da criminalidade. Mas em relação à menina isso é pouco abordado: com a menina é mais abordada a questão da sexualidade. Pouco se fala em relação à bebida alcoólica”.


A psicóloga aponta, ainda, que já existem estudos que demonstram que o abuso de bebida alcoólica inicia ainda durante a adolescência. “Muitos pais, por acharem que têm o controle do comportamento desse adolescente, acabam incentivando o uso de bebida alcoólica na presença deles”, exemplifica. “Pesquisas mostram que, quanto mais cedo iniciar o consumo, maior é o risco de, mais tarde, você poder ser tornar até um dependente”.


ALCOOLISMO


O diretor-secretário dos Alcoólicos Anônimos no Pará, Reis, utiliza o próprio exemplo para ressaltar os riscos apontados pela psicóloga. Ele conta que o primeiro contato com a bebida foi muito cedo, ainda aos 8 anos de idade. “Depois dos 8 anos eu passei um período sem beber, mas, quando eu mudei para Belém, aos 13 anos, comecei a beber cerveja direto”, recorda o período em que ainda nem imaginava que manteria uma relação de dependência com o álcool.


Apesar de o abuso evidenciado pela pesquisa, não necessariamente, significar a presença da doença alcoolismo, o alerta é necessário já que o consumo excessivo pode ser a porta de entrada para o problema mais sério. Reis destaca que dificilmente o indivíduo se embriaga na primeira vez que faz uso de álcool. A falta de controle que pode levar à dependência é justamente progressiva. “É uma crescente. Muitas vezes a pessoa só vai reconhecer que tem um problema com a bebida quando já está com 50 ou 60 anos”.


Além da ameaça de vir a se tornar uma dependência, a ingestão de álcool em excesso pode ser prejudicial ao organismo também em outros aspectos. Psiquiatra e coordenador estadual de saúde mental da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Ângelo Barletta Crescente Júnior aponta que o consumo excessivo de álcool “não é uma questão apenas comportamental, mas de saúde pública”.


A pessoa que faz uso de álcool de forma excessiva por um período prolongado pode vir a ter um comprometimento hepático grave, podendo vir a necessitar de um transplante de fígado ou mesmo a morrer em decorrência de uma cirrose. “É um problema causado diretamente pelo uso excessivo do álcool em decorrência de seu efeito tóxico”, explica o psiquiatra. “Nos casos de alcoolistas graves, se a pessoa tenta interromper abruptamente o uso de álcool, pode ter a síndrome da abstinência alcoólica, que é gravíssima e que normalmente demanda hospitalização”.


No caso das mulheres, o médico aponta ainda outros riscos à saúde. “Se a mulher ingere álcool durante a gravidez, o álcool passa para o feto em uma quantidade muito maior, de até 10 vezes mais, do que a ingerida pela mãe”, alerta.


(Cintia Magno/Diario do Pará)

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