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No terceiro dia de SPFW, marcas mostram reação à 'gourmetização'

quarta-feira, 16/10/2019, 21:02 - Atualizado em 16/10/2019, 21:06 - Autor: Pedro Diniz/Folhapress


| AgNews

Desde que surgiram no horizonte a gastronomia molecular, a mixologia e o auto-tune, as caras da comida, dos drinques e da música não foram mais as mesmas. Tempo depois dessa "gourmetização" da vida se espraiar pelo comportamento, o "raw", ou seja, o que está em estado puro, apareceu como reação. O difícil, sabe-se hoje, é fazer um bom clássico. Na moda não seria diferente.

Foi assim, perseguindo a ideia de que não importa quanto zimbro o gim tônica leve, porque se a bebida não for boa a dor de cabeça será inevitável, que as grifes deste terceiro dia de desfiles da São Paulo Fashion Week botaram a mão no tecido para surfar entre o minimalismo e os básicos bem feitos do guarda-roupa.

A PatBo, por exemplo, abriu a programação desta quarta-feira (16) com um estudo bem amarrado da praia retrô, misturando símbolos do look duas peças criado por Louis Réard, em 1946, com brilhos, proporções e acessórios de cabeça dos chamados anos loucos de 1920.

Especializada em bordados costurados com esmero em sua marca homônima, a estilista mineira Patrícia Bonaldi limpou seus tecidos dessas aplicações e apostou em estampas de folhagem sobre base rosa-chá, aquele rosado envelhecido quase nude.

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Por mais que seu público a reconheça pela exuberância, a designer mostrou que plissados, técnicas de macramê aplicados em maiôs com mangas de tiras e vestidos de festa lisos podem ser tão exuberantes quanto os quilos de pedraria costurada em sua outra marca, homônima e focada na festa noturna.

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Curiosamente, a melhor parte dessa coleção de alto verão é a que Bonaldi menos rebusca, permitindo sua tesoura ser simples sem que para isso precise enveredar pelo minimal sonolento.

Foi por esses limites da roupa desinteressante que a carioca Lívia Campos se debruçou numa das coleções mais difíceis de analisar só pelo olhar. Para entender a potência de sua grife Beira, é necessário tocar suas peças para sentir o linho, a seda feita a partir de casulos descartados e as sobras de tecido que com o tempo se desfazem nas costuras.

O mar de azuis de diferentes tonalidades e tratamentos, desde os de tinta guache aplicada nos tênis Chuck Taylor até o celeste borrado em macacões cortados próximos à perfeição, enganam quem se dispõe apenas a ver a capa.

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Beiram o maçante tantas propostas parecidas desfiladas com uma trilha de ruídos eletrônicos robotizados, mas é exatamente isso a que essa estilista se propõe.

Modelagem afiada, que tanto veste homens quanto mulheres, é a mensagem por trás do discurso tido por muitos como vazio. De fato, uma apresentação nas coxias comunicasse melhor o intento de Campos, mas provocar uma plateia de fashionistas que ultimamente tem procurado mais a casca do que o miolo pode servir como uma bem-vinda desintoxicação.

Ironicamente, foi na tentativa de ampliar seu repertório minimalista para apostar em estampas, pontos de cor e algum brilho nos acessórios que a cabo-verdiana Ângela Brito escorregou em sua estreia na SPFW.

Numa coleção inspirada no sentimento de fuga, numa espécie de limpeza energética, ela não apenas se desconectou da boa mão para criar roupas com volumes e descontruídas, como também abusou de desenhos impressionistas aplicados pelo torso e florais perdidos em peplums na cintura.

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Estampas já são difíceis de costurar, porque qualquer excesso não calculado pode desembocar no mau gosto, e, nesta coleção, elas pareciam pontos de fuga que tiravam a atenção de peças simplórias, sem rigor estético.

Ficou evidente o desconforto de Brito nessa seara quando se olha as peças brancas, os tons lavados e os conjuntos mais doces, nos quais ela aplicou belíssimos detalhes de geometria. O que vale ser visto é exatamente aquilo que já fez de melhor quando integrava o evento Casa de Criadores.

Também na sanha por mostrar novidade, desconstrução de padrões e conexão com o estilo internacional norteou as duas marcas novatas do Projeto Estufa, focado em jovens talentos.

Mipinta e o estilista Victor Hugo Mattos, não nessa ordem, mostraram com quantas aplicações de pedras, visual maximalista da Gucci e alfaiataria Balenciaga com pitadas das corridinhas de passarela dos modelos da nova Margiela se pretende um desfile cool.

Detalhes da roupa caindo pela passarela, fendas sem motivo de existir e um trabalho manual deficitário de acabamento são avisos estridentes de que mais vale um recorte pontual, mas sincero, na mão do que o exagero de elementos decorativos, que são só zimbro no gim de quinta.

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