Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
25°
cotação atual R$

Notícias / Cultura

Cultura

Concurso escolherá o samba-enredo do Rancho

sexta-feira, 23/08/2013, 07:35 - Atualizado em 23/08/2013, 08:04 - Autor:


Passava pouco mais das três horas da tarde da última quarta-feira e o som do cavaquinho ecoava na casa de Paulinho Oliveira, anfitrião do sambista Dominguinhos do Estácio, 72 anos. Juntos, eles assinam a composição do samba-enredo que será apresentado ao público hoje à noite, na primeira eliminatória do concurso que vai escolher a canção que embalará o “Rancho Não Posso Me Amofiná” no desfile do ano que vem, quando a escola vai homenagear o centenário do Paysandu. 


A roda de samba montada à beira da piscina reunia amigos e celebrava a chegada de Dominguinhos a Belém, uma espécie de segunda casa para ele. “Sou paraense mesmo, recebi da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal o título de cidadão do Pará e cidadão belenense”, gaba-se, em meio a gargalhadas, o carioca que há 23 anos acompanha o Círio de Nazaré.


Grande final ocorre em setembro


Além do concurso de hoje, Dominguinhos também faz shows amanhã, na Casa D’Noca, espaço dedicado ao samba, e no domingo na sede do Rancho, quando vai subir ao palco com grandes intérpretes da velha guarda do carnaval paraense.


Em mais uma temporada na cidade, Dominguinhos está bem à vontade. Ele recorda que conheceu e adotou a cidade no início da década de 1980. “Minha relação com Belém começou por causa de um amigo que é padrinho do meu filho. Ele veio pra cá junto com outro amigo, o Castilho, na época goleiro do Paysandu. Na época eu era boleiro, tinha mania de jogador de futebol. O nome dele era Garcia. A gente sempre se comunicava. Um dia ele comentou com a diretoria do Quem São Eles sobre o meu trabalho no Rio de Janeiro. Aí me trouxeram pra fazer um show, em 1980. E o nosso querido irmão Bosco Moisés me convidou para cantar no Rancho em 1981”, puxa pela memória.


A ideia de inscrever a música no concurso veio do interesse que Dominguinhos tem pela história da cidade e por ser um apaixonado pelo Rancho. “Contar a história desses cem anos do Paysandu me despertou atenção, até por que já tinha alguns anos que eu não fazia samba pro Rancho. O último concurso que eu ganhei foi em 1982. Sou rancho até debaixo d’água”.O bamba contou com a colaboração de Paulinho Lima, que segundo ele vivenciou de perto a história do clube de futebol. “Com a contribuição dele foi tudo mais fácil, o samba fluiu”, admite. “Eu quero te amar e conquistar teu coração/ cem anos de Paysandu/ meu rancho/ minha paixão”, exalta o samba enredo.


O flamenguista de coração já vestiu em rede nacional a camisa do Paysandu e agora, por determinação do destino, também vai defender uma música que fala sobre a história do clube. “Sou flamengo, flamengo, flamengo”, bate o pé. “Só que eu fui ao programa da Regina Casé, o Esquenta, pra falar sobre o enredo do Pará, no carnaval desse ano. Fui com uma camisa do Paysandu que eu havia ganhado, quando o programa foi ao ar recebi uma ligação do presidente do clube. Isso me deixou muito feliz, pelo respeito que teve por mim, de me procurar depois de me ver com a camisa na TV”, comenta.


Fé para não se amofiná


Ele afirma que teve muitas alegrias no Rancho, e garantiu uma amizade sem tamanho com os diretores. “Gente como como o Bosco, Jango, Zé Manoel, essa turma toda foi muito bacana comigo, isso me conquistou. Nessa ida e vinda me tornei devoto de Nossa Senhora de Nazaré, a ponto de me apaixonar por uma carioca e trazê-la do Rio de Janeiro pra casar aqui na Basílica de Nazaré em 1998. Você sabia que a minha filha com ela se chama Nazaré? É justamente por causa da minha devoção”, faz questão de pontuar.


Sem dúvida, o maior presente que Belém pode ter dado ao sambista é a devoção a Nossa Senhora de Nazaré. “A fé em Nazaré é tudo pra mim. Tive dois enfartos e estou aqui conversando contigo. Não precisa falar mais nada. E tem também essa ligação muito forte. O carioca tem uma afinidade com o paraense e vice-versa, lá tem um Círio maravilhoso na Igreja dos Capuchinhos, e quando a gente chega aqui tem esse carinho especial”, completa.


Agora, conta Dominguinhos, ele vive um momento de muita emoção ao voltar para a escola de origem, a Estácio de Sá, por onde vai desfilar no próximo carnaval, e pela possibilidade de voltar ao estúdio para gravar novo disco. “Vou sair por lá e já está na pauta o meu novo CD, já tenho gravadas algumas músicas. Não tem título nem nada, está no nascedouro. Hoje é complicado gravar por que não existem mais gravadoras que patrocinam, que ajudam, então a gente tem que trabalhar, juntar o dinheiro pra gravar. Depois é que a gravadora analisa e vê se tem comércio para o produto e lança no mercado. Hoje estou no processo de trabalhar e juntar um ‘faz me rir’ e entrar em estúdio”, ironiza. 


SAIBA MAIS


O samba enredo que Dominguinhos do Estácio defende hoje na primeira eliminatória do concurso da escola de samba “Rancho Não Posso Me Amofiná”, além da parceria de Paulinho Oliveira, contou ainda com a colaboração de Tiaguinho Lobato, Gustavo Clarão, presidente da escola carioca Viradouro, e contará com os vocais de Ademar Carneiro e Hélio Moreno. Hoje, competem 14 sambas, a cada eliminatória serão eliminadas 03 canções até a grande final, em setembro, ainda sem data definida. Concurso de Samba Enredo do “Rancho Não Posso Me Amofiná”. Hoje, a partir de 20h. Ingressos: R$3.


> Amanhã, Dominguinhos faz show na Casa D’Noca (tv 9 de Janeiro, 1677, São Brás), a partir de 21h. Informações: 3229-1792. No domingo, ele participa de um show com veteranos do samba paraense no Rancho, a partir de 18h. Ingressos: R$3.


(Diário do Pará)

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS