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‘Elvismania’ segue com milhões de seguidores

sexta-feira, 16/08/2013, 07:41 - Atualizado em 16/08/2013, 07:50 - Autor:


“Antes de Elvis, não havia nada”. A frase atribuída ao beatle John Lennon propõe um marco na história da música, dividindo-a entre antes e depois do Rei do Rock. Se levada ao pé da letra, desconsidera artistas que desenvolveram, na era pré-Elvis, trabalhos que ecoam em diferentes gêneros musicais até hoje. Discussões à parte, Elvis Presley ainda mantém o trono ocupado, mesmo depois da morte, há exatos 36 anos. Com mais de 50 álbuns lançados e cerca de 20 filmes produzidos, até hoje Elvis é o artista solo com o maior número de hits nas paradas mundiais e recordista em vendas de discos, algo próximo de dois bilhões de cópias comercializadas. Alto, bonito, branco e de olhos azuis, o caipira de Mississipi, nos Estados Unidos, quebrou tabus e rompeu paradigmas em uma época em que homem não rebolava. Blues e gospel, gêneros que mais tarde o consagraria, eram ritmos de negros. 


O cantor encontra lugar cativo no coração de muitos fãs que perpetuam a “elvismania”. Entre eles Renato Cunha, 34 anos, que estampou na porta do apartamento uma imagem de Jesus Cristo com a cabeça de Elvis. A imagem resume a importância do artista para ele. “Não é em tamanho real, mas causa algum impacto. As reações são divididas. Assim como já causou alguns olhares atravessados de moradores do meu prédio, vez ou outra algum entregador de pizza confessa ser fã e para pra bater papo”, conta.


A primeira música a chamar atenção de Renato foi “Always on My Mind”. A partir de então começou a pesquisar sobre a vida do artista, comprar revistas, discos e tudo que encontrasse e estivesse ligado ao rei. “Chegou a um ponto em que quando as pessoas não sabem o que me dar de aniversário, elas compram algo relacionado ao Elvis, pois sabem que não tem erro”, ri.A relação com o cantor extrapolou a admiração e se tornou estilo de vida. Renato lembra que chegou a aderir ao uso das famosas costeletas, eternizadas pelo cantor. “A vendedora de marmita de perto da minha casa se referia a mim como o Elvis do [bairro] Telégrafo. Mas o mais legal ainda nessas histórias é o numero de pessoas que conheci graças ao Elvis, outros admiradores, alguns são amigos que tenho até hoje”, admite.


CDs, LPs, revistas, livros, DVDs, um boneco bobblehead, porta copos e quadros integram a coleção de Renato. “Mas o que mais me orgulha é uma tatuagem na perna, de uma foto do Elvis tirada nos anos 50”, orgulha-se. A música preferida é “That’s All right”, uma versão feita a partir de um blues de Arthur Crudup. “Além de ser uma canção incrível, ela representou o nascimento do Rockabilly, um dos meus estilos musicais preferidos”, diz.


Mas tanta admiração pela obra de Elvis não deixa de lado algumas críticas. “Apesar de fã incondicional eu reconheço que a obra de Elvis não me agrada totalmente. Alguns discos como o ‘Elvis Presley’ de 1956 são de uma importância imensurável para o rock e para a música em geral. Mas Elvis foi vítima de produtoras, de seu empresário e de si mesmo, e acabou lançando algumas coisas não muito relevantes. Sua filmografia, por exemplo, não me desperta interesse”, destaca Renato. 


Idolatria que não enxerga qualquer limite 


Artur Bestene, o Arturzão, 33 anos, garante que Elvis está envolvido em várias nuances da sua vida, desde os negócios – ele é dono do Circus Hamburgueria e do restaurante Buffalo Bill Boucherie – até no romance, que é embalado pelas canções do Rei. “Descobri pelos filmes que via na infância, depois pelas músicas. O universo ‘Elvis’ é muito vasto. Há fases em que ficou mais country, mais gospel, mais rock’n roll. Me inspira a fazer pratos, batizá-los, faço tudo como se fosse pro Elvis. Penso: será que ele gostaria de comer isso? Enfim, sou completamente fascinado”, ri.


O empresário recorda que decidiu confeccionar cópias de roupas do Elvis para os garçons usarem no primeiro estabelecimento que abriu, um bar no bairro do Jurunas. “Eles usaram por pouco tempo, argumentaram que o calor era insuportável. Nada a ver né?”, brinca.


Arturzão queria levar Elvis para o altar. Para consagrar a união com a esposa ele pretendia usar a mesma vestimenta que o rei usou no especial de 1968, para a TV CBS, quando cantou a canção “If I Can Dream”. “Na verdade fui barrado, a ideia era usar uma capa do Elvis, mas a noiva achou que ia chamar mais atenção que ela (risos). Pelo menos as músicas do casamento foram 100% Elvis. Ela já me prometeu que vamos nos casar em Las Vegas, e que lá ela permitirá que eu use não só a capa, mas o uniforme completo. Será meu prêmio consolação”, comemora.


Elvis não morreu. Pelo menos se depender de fãs como Artur, que leva essa paixão para os palcos. Não se trata de cover, já que segundo ele a proposta não é se fantasiar, mas de uma celebração ao Rei do Rock. “Não morreu e nunca morrerá, sua obra permanece atual, seus discos ainda são recordes de venda, sua casa é o segundo lugar mais visitado nos Estados Unidos, as exposições giram o mundo, ainda fatura-se bilhões com a marca Elvis. É uma religião com milhões de seguidores”, define. Há 17 anos Hely Júnior troca o terno e a gravata, usuais para quem escolheu a advocacia como profissão, pelo macacão, botas e óculos escuros, e encarna o “Elvis da Amazônia”. Ele ficou conhecido nacionalmente. Foi o único representante das regiões Norte e Nordeste do Brasil a participar da seletiva Sul Americana do concurso mundial “Elvis Festival”, em maio. Na época, ele chegou a se apresentar no programa Altas Horas, da Rede Globo.


“Hoje em dia sou mais Elvis que advogado”, conta Hely. A participação no concurso certamente foi um feito e tanto para quem cresceu fascinado pela vida do artista. “Fique feliz por ter sido convidado. Significa que já existia uma repercussão do trabalho que realizo aqui”. 


O rei na tela grande


A incursão de Elvis no cinema o projetou para o mundo. A afirmação é do crítico Marco Antônio Moreira. Segundo ele, os filmes estrelados por Elvis seguiam a linha ‘cinema juventude’, muito comum para o período. “Elvis não era um notório ator, mas dava conta do recado. Os filmes em geral eram bobos, mas tinha ali o carisma e a música de Elvis”, explica.De acordo com Marco, Elvis era um ídolo meteórico e o que fazia no cinema era o suficiente para alcançar proporções mundiais. Entre os que arriscavam um pouco além essa proposta, Marco aponta “Love Me Tender”. “Tinha uma história que unia drama, romance, e que foi dirigido por um veterano, Robert Webb”, diz.


Foi através dos filmes, segundo Marco, que Elvis influenciou uma geração de jovens aspirantes ao estrelado, como os Beatles. “Eles mesmos falavam sobre a importância de ter assistido Elvis e de como foram influenciados pelo que ele fazia. Sem dúvida o cinema é parte importante da trajetória dele, apesar de ter sido mais uma questão de marketing e de visão de carreira”, completa.


Para assistir“Louco por Garotas” (1965)“O Prisioneiro do Rock” (1957)“Elvis é Assim” (1970)“Amor a Toda Velocidade” (1964)


NÃO PERCA


Em celebração aos 36 anos sem o rei do rock, o cantor Hely Júnior se apresenta hoje, a partir de 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França). Entrada Franca. Informações: 4005-9584.


(Diário do Pará)

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