Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
27°
cotação atual R$

Notícias / Cultura

Cultura

Exposição ‘Mirada’ abre as portas hoje

terça-feira, 13/08/2013, 07:44 - Atualizado em 13/08/2013, 07:45 - Autor:


Já estava escrito. E não falamos aqui de acaso e destino, nada disso. As palavras no caderninho de capa estampada vieram antes de tudo: estava lá o desejo de mostrar, em uma galeria, as imagens que nascem do olhar aguçado, da delicadeza, dos ternos encontros. O caderno, uma espécie de agenda sem calendário, não abandona a fotógrafa Luiza Cavalcante. “Não tem datas e nem o ano, e eu gosto por isso. A partir do momento que tenho uma ideia, seja ela grande, pequena, possível ou impossível, eu coloco nele”.


Ali, devidamente anotados, blogs, livros, temas para futuras oficinas e ensaios dividem espaço com o sonho do laboratório de revelação próprio. Luiza tem apenas 23 anos. No papel, os planos repousam à espera de concretude. A primeira exposição individual, no entanto, tem nome, data e hora exatos: será aberta hoje, na Galeria de Arte do Mabeu, no Centro Cultural Brasil Estados Unidos (Ccbeu).


‘Mirada, 5 mulheres, 5 universos’ traz 53 imagens em preto e branco feitas com câmeras analógicas, em Belém e Buenos Aires - atual residência da artista. Entre musas e cenários que remetem ao cinema, Luiza flana como terceiro elemento, substantivo feminino.


A mostra é composta por cinco séries, realizadas ao longo de três anos, sem pretensão alguma, ela conta. “Eu simplesmente gosto de chamar uma amiga, colocar um filme preto e branco na câmera e fotografar. Sempre tenho uma ideia pré-concebida na cabeça, um universo diferente dos outros que já fiz, seja o local, a caracterização, a luz. E isso, no decorrer das fotos, vai tomando forma, realizando-se em uma única coisa”, diz.


O edital de ocupação da galeria já estava encerrando o período de inscrições quando Luiza decidiu que era chegada a hora. “Estava muito tentada em participar, mas sempre pensava que era muito cedo para ter uma exposição individual. E, pra mim, parecia que não tinha tantos trabalhos para expor em conjunto. Foi quando abri meu portfólio online para buscar um tipo de conceito e percebi nos ensaios em preto e branco uma identidade própria”, lembra. Selecionadas as fotos, veio a escolha do nome desta primeira mostra. “Queria um título forte, uma palavra. Queria remeter a fotografia, universo, queria que fosse um nome feminino e que depois da exposição o nome ainda vivesse. ‘Mirada’ soou completo”.


O olhar de Luiza então revela Clarisse, Diana, Luciana, Lilith e Yasmin. A opção pelos tons de cinza confere uma aura de devaneio às imagens. É como se as cinco mulheres falassem com os olhos.Fotógrafa adepta da luz natural


Graduada em artes visuais pela Universidade da Amazônia, Luiza deixou Belém em julho de 2012 rumo à Argentina, com o objetivo de estudar fotografia de maneira livre. Foi em busca das cores do lugar. “Assim como no cinema, onde o visual me prende muito a atenção, foi assim que decidi morar em Buenos Aires”, conta. “A cidade me inspira todos os dias, dentro e fora de casa. Tudo vira fotografia: as mudanças de estação, arquitetura, comida, a vida a dois”.


A internet é o destino primeiro das imagens que resultam desse encantamento. Na virtualidade, Luiza mantém um sem-número de projetos, pesquisas, experimentos. Em um deles, “200diasconpeli”, a fotógrafa se autoimpôs o desafio de postar uma foto por dia. Mas tem de ser feita com câmera analógica, película.
 


PROXIMIDADE


Para além do clique, a artista busca conhecer os processos. “Eu gosto de ter proximidade com o meu objeto, a modelo, a câmera, o espaço. Em alguns dos ensaios, eu mesma revelei os negativos. Eu que escaneei e digitalizei todas as fotografias de ‘Mirada’. Se eu pudesse, eu mesma imprimiria também. Isso é importante pra mim”, reforça.


Na página que reúne seus trabalhos no Facebook, apresenta-se como “fotógrafa analógica adepta da luz natural”. “O meu fotografar é resultado de tudo que já li, vi e ouvi. Principalmente o que vi, o cinema e a fotografia em si, são grandes inspiradores. A rua, as pessoas e as experiências são fatores cruciais no meu trabalho”, diz. “Os filmes que mais gosto na vida são bonitos, mas não que tenham um final feliz. Digo beleza no sentido visual mesmo”, explica.


“Paris, Texas”, de Wim Wenders, é um desses filmes inspiradores. Sobretudo pela personagem Jane, em seus olhos de enigma e vestidos monocromáticos. “Eu olhava a Natassja Kinski nesse filme e tinha vontade de fotografá-la”, ri. O mesmo impulso veio diante de Shoshanna, a judia vingativa vivida por Mélanie Laurent em “Bastardos Inglórios”. Não tem jeito, a força do feminino sempre desvia o olhar de Luiza e irrompe como componente vital em seus trabalhos, de maneira direta ou subjetiva.“Em ‘Mirada’, Luiza projeta um cenário, um argumento, para enfocar cada uma de suas personas-mulheres, envolvendo-as em um ‘ambiente-tempo-clima’”, diz Jorge Eiró, membro do Conselho Curador do CCBEU, no texto de apresentação da mostra. “Ela cria uma concepção visual que resulta em traduzir ou insinuar uma personagem no ensaio. Nesse processo, Luiza evoca os campos da moda e da publicidade, com os quais trabalha profissionalmente, e evidencia referências do cinema e de aspectos mundanos, descolados e deslocados da cena contemporânea”, observa.


Para Eiró, a consistência do traço autoral é uma das qualidades que mais chamam atenção na trajetória da artista, ainda tão jovem. “É uma autoria distinta, sensível, que alude à missão singular de todo artista em abordar universos que estão expostos aos olhos de todos, mas que cabe a ele, sob uma ótica, uma lente muito particular, revelar algo diferencial, extraordinário”, afirma. SAIBA MAIS


NÃO PERCA


Exposição “Mirada - 5 mulheres, 5 universos”, de Luiza Cavalcante. Abertura hoje, às 19h. Entrada franca. Visitação: 14/08 a 14/09, de segunda a sexta de 13h30 às 19h30. Sábados de 9h às 13h. Galeria de Arte do Mabeu (tv. Padre Eutiquio 1309). Informações: 3221-6100.


(Diário do Pará)

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS