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Corredor cultural movimentou entorno do Theatro

domingo, 11/08/2013, 11:59 - Atualizado em 11/08/2013, 11:59 - Autor:


Um palco com dois espetáculos. Assim estava a praça da República na noite de quinta-feira, o “Dia do Chega!”. Dentro do Theatro da Paz, a abertura do XII Festival de Ópera. Em frente ao marco da Belle Époque, o corredor cultural construído por integrantes do Movimento Chega!.

Há quatro semanas questionando o que vem sendo feito pela cultura e pedindo a exoneração do Secretário de Estado, Paulo Chaves, o Movimento Chega!, clama pela construção de uma política cultural de estado inclusiva. A crítica de privilegiar uma cultura elitista e de exportação, voltada para o mercado, atinge, sobretudo, o Festival de Ópera e o Terruá Pará, principais ações do Governo do Estado.

Afinal, o que é cultura? Para o estudante Maycon Negrão, 16, integrante do grupo de quadrilha Foguetos Anaraiê, é o que o faz dançar desde criança. “É pela emoção, vontade, por tudo. É por causa da cultura. Eu via as pessoas dançarem e me deu vontade, comecei a dançar. Eu defendo a quadrilha. Também é cultura!”. “A cultura é a essência humana, tudo o que é gerado pela raça humana: comida, hábitos, produção artística, forma de expressão estética, a forma lúdica de compreender o mundo”, define a professora Fátima Moreira, 42, que pretende levar o emaranhado cultural apresentado no “Dia do Chega!” para a sala de aula.

A diversidade cultural do Estado vai além do modelo defendido pela gestão de Chaves. É o que dizem os participantes do movimento. Grupos folclóricos, bois, apresentações circenses e teatrais, música, projeções e demais gêneros da cultura local ganharam espaço no corredor cultural formado em frente ao Theatro da Paz.

Na entrada para “Elixir de Amor”, de Gaetano Donizetti, ópera que abriu o festival, crianças carregavam um caixão simbolizando a morte da cultura. Artistas, em coro, gritavam “Chega! Chega! Chega!”. Em outro momento, os gritos pediam a renúncia de Paulo Chaves: “Fora! Fora! Fora!”. 

Cifras do festival estão no centro da polêmica 

“Há algo de podre no reino da Dinamarca e a Dinamarca hoje se chama Pará”, comparou o diretor Alberto Silva Neto, parafraseando Shakespeare. “Cortem as cabeças”, ordenava uma artista, inspirada na Rainha de Copas, de Alice no País das Maravilhas. A principal cabeça que o movimento pede é a Paulo Chaves. 

O XII Festival de Ópera do Theatro da Paz segue até 28 de setembro. Na noite inicial, os solistas paraenses Carmem Monarcha e Atalla Ayan mereceram todos os aplausos calorosos ao término da apresentação. “Excelente. Não só eles, todo o coro, orquestra, cenário. O conjunto ficou muito harmônico”, elogiava uma espectadora ao fim da ópera.

Com o fechar das cortinas, da parte mais alta dos camarotes, duas grandes faixas foram estendidas, em protesto. “Chega” e “Troca a fechadura da cultura” foram lidas pelos presentes, que se ignoravam o que era feito do lado de fora do Theatro, souberam das reivindicações do lado de dentro. 

Os integrantes do Movimento Chega! ressaltam que não são contra o gênero ópera, apenas questionam os altos gastos com o Festival - que teria custado R$ 5 milhões aos cofres públicos - e acreditam que é preciso incluir todas as formas de cultura na política pública. A opinião é compartilhada pelo estudante Rodrigo Gondim, 21, do grupo Ases da Patinação. “É necessário ter investimento para esses outros gêneros. É claro que não devem acabar com a ópera, mas outros segmentos têm sua importância e têm que ter investimento”, considera.

O diretor artístico paulista Mauro Wrona recebeu cachê de R$ 106 mil e foi convidado pelos manifestantes a contribuir com alguma quantia no chapéu do Chega!. O Secretário Paulo Chaves afirmou que o Festival tem oferecido espetáculos de qualidade com preços populares e diz ainda que fomenta a formação de artistas locais. “Estamos falando da formação de plateia de uma maneira qualificada e de uma grande oportunidade de aprendizado. Na ópera de hoje (quinta), por exemplo, temos, no fosso do Theatro da Paz, uma orquestra jovem, formada por meninos de 13 a 18 anos, que constitui a base sonora da ópera”. Ele ainda lembrou que os papéis principais de “Elixir do Amor” são ocupados pelos paraenses Carmen Monarcha e o Atalla Ayan. Em entrevista a uma emissora de televisão, Paulo Chaves destacou o trabalho de órgãos de cultura como a Fundação Tancredo Neves, Instituto de Artes do Pará (IAP) e Secretaria de Cultura (Secult). Sobre as manifestações do Movimento Chega!, Chaves desconversou com uma frase, no mínimo, infeliz. “Não vamos falar de coisas que não valem a pena”.

(Diário do Pará)

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