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XII Festival de Ópera começa nesta quinta-feira

quinta-feira, 08/08/2013, 07:50 - Atualizado em 08/08/2013, 07:56 - Autor:


Orçado em quase quatro milhões de reais, o XII Festival de Ópera do Theatro da Paz abre as portas hoje, com a apresentação de “Elixir de Amor”, de Gaetano Donizetti. O evento, que segue até o dia 28 de setembro, traz ainda as óperas “O Trovador”, de Guiseppe Verdi”; e “O Navio Fantasma”, de Richard Wagner. 


“Elixir de Amor” será executada às 20h pela Orquestra Jovem Vale Música, com regência de Emiliano Patarra. Antes disso, pela manhã, o público que aprecia o gênero pode acompanhar o ensaio aberto da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, que ocorre a partir das 11h, no Museu Histórico do Pará, MHEP, com entrada franca.


No repertório, a orquestra executará a abertura das óperas “A Força do Destino” (Verdi) e “O Guarany” (Carlos Gomes), além de dar uma palhinha do que será mostrado no encerramento do festival, executando também a abertura de “O Navio Fantasma” (Wagner), ópera que fecha a programação de óperas do festival.


A regência ficará a cargo do maestro assistente da OSTP, José Agostinho Jr., que fará comentários sobre as obras, preparando o público para a programação do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz. Ele também já esteve à frente da OSTP, durante a gravação do CD Centenário de seu avô, o Maestro Wilson Fonseca, produzido pela Secult. 


ALTAS CIFRAS


O festival é alvo de críticas dos artistas integrantes do “Movimento Chega!”, que contesta os gastos do evento, considerados por eles exacerbados, em detrimento da falta de investimentos em outras áreas. 


Há uma semana, durante entrevista coletiva, acompanhado do secretário de promoção social, Alex Fiúza de Melo, do diretor geral, Gilberto Chaves, e do diretor artístico - o paulista Mauro Wrona, detentor de um cachê de R$ 106 mil, de acordo com Diário Oficial do estado – o secretário de cultura Paulo Chaves discorreu sobre a necessidade de manutenção do evento e justificou o investimento na formação de artistas qualificados para atuar no cenário operístico internacional. 


Construção de ‘Arco Triunfal’ homenageará Antônio Landi 


Para engrossar o discurso, Chaves lembrou que o estímulo ao canto lírico proporcionado pelo festival apresentou ao mundo dois talentos paraenses: Carmem Monarcha e Atalla Ayan, que atualmente residem fora do Brasil e participam do festival como solistas. “São pessoas que surgiram aqui sob a égide, a atmosfera, a energia do canto lírico, eu lembro que há quatro festivais atrás, o Atala era membro do coro. Ele viveu aqui o clima, as condições favoráveis ao canto lírico. Evidente que tem um talento extraordinário, uma voz muito bonita. Ele fez carreira na Europa e estará aqui no ‘Elixir de Amor’, assim como Adriane Queiroz, que estará no ‘Navio Fantasma’. Eles aproveitaram essa atmosfera de valorização do artista lírico. É o Pará no mundo. Quantos estímulos não teremos por aí a partir disso? Novos músicos, diretores”, exalta.


Segundo os números apresentados pela organização, cerca de 80% dos profissionais envolvidos no festival são paraenses. “Alguns estão envolvidos há meses nos ensaios, figurinos, cenários. Daqui a pouco talvez a gente não precise ter esses quase 20% de pessoas de fora. Tem que procurar as vozes certas para o papel certo e a participação de artistas de fora é uma dessas formas”, explicou Chaves. A programação de 2013 comemora o bicentenário de nascimento dos compositores Giuseppe Verdi e Richard Wagner, o que, de acordo com a secretaria, insere o Theatro da Paz nas comemorações que ocorrem em grandes teatros do mundo inteiro.


ESTRUTURA


Para fazer a cenografia da ópera “O Trovador”, Chaves informou que foi realizado um convênio com a Universidade Federal do Pará que permitiu a vinda dos arquitetos italianos Pietro Lenzini e Giorgio Drioli, professores da Escola de Belas Artes de Bolonha - mesma instituição em que estudou o arquiteto italiano Antônio Landi. Eles realizaram palestra no dia 1º de agosto para explicar aos interessados o processo de criação do cenário, e permitem desde então constantes visitas monitoradas ao local onde são confeccionados. 


“Com esse acordo, além deles construírem o cenário que utiliza da técnica de ilusão de ótica, da perspectiva, que através do desenho cria a sensação de verdadeira grandeza, eles farão, também, o projeto para o arco triunfal que será construído bem em frente ao Theatro da Paz, que era uma das especialidades do Landi, em homenagem ao rei Dom José”, revela Chaves. De acordo com o secretário, a obra foi concebida para ser construída em frente ao palácio Lauro Sodré, mas não foi possível. “Agora, vamos ter aqui em frente, em alto relevo, esse extraordinário trabalho do Landi. Em tamanho natural, no encerramento do festival, quando mostramos aquela grande apresentação ao ar livre, vamos fazer essa relação arquitetônica entre o Theatro Da Paz e a obra de Landi”, destacou.


“Eventos como o Festival de Ópera são fundamentais, seminais. Podem parecer caros, mas o que criam de alternativas e oportunidades de investimentos, nós não somos capazes de imaginar. Isso é um dever de Estado. Não dá pra retroagir, sob pena de ficarmos nas coisas miúdas, perdermos o bonde da história e irmos pra vala dela”, argumenta o secretário de promoção social, Alex Fiúza de Mello.


Manifesto sob a forma de ‘corredor cultural’


Para abertura do festival, o Movimento Chega! pretende realizar um grande corredor cultural em frente ao Theatro da Paz. A ideia, segundo o cineasta Adriano Barroso, é dispor no mesmo espaço onde ocorre o evento “que custou milhões aos cofres públicos” outras manifestações que, de acordo com eles, não são alvos de recursos. “Teremos teatro, dança, capoeira, boi, pássaro junino, artistas plásticos pintando, shows musicais. Quem sabe o público que vier ao teatro não fique pela praça assistindo às apresentações?”, diz.


A programação marcará mais uma ação do movimento, que há quatro semanas realiza atos e protestos para criticar as políticas públicas para o setor praticadas pelos atuais governos estadual e municipal. O ato, em forma de protesto artístico, batizado como “Dia do Chega!” busca agregar mais artistas, grupos artísticos, entidades culturais e representantes de movimentos sociais em torno de um debate a ser realizado durante um encontro de três dias agendado para próxima semana, no Teatro Universitário Cláudio Barradas. “Com mais esse ato público, que, como os demais, pretende ser pacífico e jamais prejudicar o Festival de Ópera, pretendemos mostrar a diversidade artística e cultural paraense e reafirmar nossa indignação diante da forma como o setor cultural está sendo gerido pelos atuais governos. Mas, além disso, mostrar que estamos, sim, abertos ao diálogo, desde que no intuito de elaborar propostas claras e objetivas que possam verdadeiramente contribuir para a democratização da cultura no Pará”, completa Alberto Silva Neto. 


PARTICIPE


Abertura do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz. Hoje, às 20h, com a ópera “Elixir de Amor”. Ingressos: R$ 20 a R$ 60. Informações: 4009-8750.


(Diário do Pará)

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