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Arthur Nogueira retrata o período de 1970

terça-feira, 06/08/2013, 08:20 - Atualizado em 06/08/2013, 08:23 - Autor:


A vista para o mar no Rio de Janeiro, de orlas como a de Ipanema e Copacabana, foi a inspiração para a música “Antigo Verão”, parceria de Arthur Nogueira com o poeta Antonio Cícero. A letra retrata o período dos anos de 1970, vivido por Cícero e imaginado por Nogueira. “Eu e Antonio Cícero conversávamos muito durante o tempo que morei no Rio de Janeiro, sobre como era essa rotina dos 70 e eu adoro todo esse universo”, lembra o cantor e compositor paraense que lançou mês passado o compacto “entremargens”. 


Com duas canções inéditas, “Antigo Verão” e “Preciso Cantar”, feita em parceria com o poeta paraense Dand M., o compacto é uma prévia do novo trabalho de Arthur Nogueira, com previsão de lançamento para o fim deste ano. O projeto nasceu a partir da própria trajetória de Arthur, que se mudou no ano passado para o Rio de Janeiro, depois viajou para Lisboa e agora está morando em São Paulo por conta dos novos projetos. “O último trabalho que lancei foi ‘Mundano’, de 2009. Toda essa movimentação dos últimos meses me deixou com vontade de voltar a mostrar coisas novas”, conta o artista.


Para esse novo trabalho em fase de produção, o palco foi transformado em laboratório. É nele que as músicas vão sendo construídas aos poucos até estarem prontas para as gravações. “A convivência com os músicos no palco e nas viagens para os shows é muito produtiva para o disco. Eu acho que os arranjos e as intenções vão estar muito mais maduras para a gravação a partir das apresentações”, explica Arthur. Depois de fazer shows em Belém e no Rio de Janeiro, a ideia é fazer mais três para que então sejam iniciadas as gravações. 


PARALELO


Enquanto isso, Arthur Nogueira, em parceria com a produtora “Filmes duma égua”, de Victor Souza e Fábio Alexandre Alves, lançou dois vídeos que tentam captar os sentimentos e os significados presentes em cada música que compõe o “entremargens”. Em “Antigo Verão”, o mar do Rio de Janeiro mostrado de várias formas, do nascer ao por do sol, é o que embala a música, o que dá a sensação de calmaria e conforto. Já em “Preciso Cantar”, composta por Dand M. após assistir a um show de Nogueira, as imagens são mais abstratas, mas ainda têm a água como foco principal. 


“As duas músicas têm imagens que eu gosto muito. Quando eu encontrei o Victor Souza no Rio, conversamos muito e eu achei que ele seria ideal para realizar esse vídeo por trabalhar com texturas, com coisas abstratas. Quando você conta uma história em um videoclipe, você meio que limita e interpretação da música por quem ouve”, justifica Arthur. Assim, as imagens musicadas dão um certo clima de mistério e se mostram sensíveis ao público. “A questão da imagem está tão forte hoje em dia que muita gente ouve música pela internet. Também por isso eu pensei que seria legal ter esse complemento audiovisual”, diz o artista. 


A “Filmes duma égua” tem feito também um registro dos shows de Arthur Nogueira para acompanhar o processo criativo e produtivo do novo disco. As imagens serão lançadas depois para que o próprio público possa perceber o que mudou ao longo do tempo, ao longo dos shows, em aspectos como as sonoridades, os arranjos e até mesmo a relação entre os músicos. 


PERCURSO


Desde a infância, Arthur conserva uma relação especial e próxima à água do rio e do mar e à forma como esta compõe o horizonte. “Eu não sei se era assim pra você, mas quando eu era criança eu achava que a linha do horizonte era o limite do mundo. Eu não sabia o que havia depois dali, era o inesperado”, relembra o cantor. A margem, além de remeter ao limite, remete também, para Arthur, ao papel que dá vida à poesia. 


Depois de ter saído de Belém para trabalhar em novos projetos, com novas parcerias, Arthur tem vivido experiências que refletem a música que ele canta hoje. “Eu nunca tinha morado fora, nunca tinha morado sozinho. Quando eu morava em Belém eu tinha toda a estrutura da banda e quando eu me mudei para o Rio era eu e o meu violão. Tudo isso me deixou muito à vontade para criar. Comecei a tocar nos shows, algo que não fazia antes, e também a compor mais”, revela o artista. 


Além dos shows, das composições e das parcerias musicais que aos poucos vão dar vida ao novo disco, Arthur trabalha também em outros projetos como a organização do livro sobre o carioca Antonio Cícero, que será lançado em breve pela editora Azougue,. A publicação traz uma série de entrevistas com o poeta, feitas desde a década de 80 por jornalistas e intelectuais como Francisco Bosco, Santuza Cambraia Naves, José Castello e Marcus Preto. 


(Diário do Pará)

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