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Rapper Lurdez da Luz faz show em Belém

sábado, 03/08/2013, 11:25 - Atualizado em 03/08/2013, 11:44 - Autor:


Lurdez da Luz tem pinta de punk. Além dos braços tatuados, um enorme coração em chamas adorna o peito. No rap “Levante”, ela se mostra mais dura ainda com as palavras. “O que eu quero é ver/ Meu povo com poder/ Pra mudar pra vencer/ A violência covarde/ A falta de direito/ O excesso de dever”, canta no single que virou clipe em 2012. Inclusive, o vídeo mostra outra faceta da cantora: a de mulherão. Maquiada e de roupa curta, ela dança esbanjando sensualidade.


“Ainda existe certo preconceito no rap, de acreditar que é uma futilidade uma mulher explorar a sexualidade, dançar, ser feminina. Mas as coisas vêm mudando. As meninas não estão mais nessa de se vestir como homens para serem respeitadas. As mulheres vêm ocupando um papel de protagonistas no rap”, afirma a cantora paulistana de 31 anos, em entrevista por telefone.


Uma posição de destaque que a própria Lurdez ajudou a alcançar. Começou na música há 10 anos em um grupo punk que formou com as amigas, até desbancar para a black music, cantando em grupos como Mamelo Sound System e o projeto 3naMassa. Desde 2010, segue em trabalho solo, com o lançamento do EP “Lurdez da Luz”.


No trabalho, apresentou uma visão muito particular para o gênero marcado pela crítica social e a violência. Suas letras apresentam uma ótica feminina, falando de relacionamentos, desilusões amorosas, família, machismo, sexo. No caso de “Ah Uh (Onomatopéias)”, Lurdez segue para o outro lado da cabeceira da cama e interpreta uma experiência sexual do ponto de vista da mulher. 


Estreia com turnê ‘Levante’ 


“Rap não tem uma cartilha a ser seguida. Tem a ver com as coisas que você acaba vivendo. Rap fala da realidade, é uma crônica do cotidiano. E quando a sua realidade é marcada pela violência, é inevitável que você acabe falando. Na década de 90 em São Paulo, a periferia estava sendo exterminada. Isso marcou muito a produção daquela época. Essa veia de denúncia faz parte da minha produção também. Mas gosto de MPB, tive outras influências. Isso acaba se refletindo no meu estilo”, defende a cantora que se apresenta hoje (3) pela primeira vez em Belém com a turnê “Levante”, com patrocínio do Programa Natural Musical.


Ela refuta rótulos, principalmente o de rap feminino. Na opinião da artista, a nova geração de rapper mulheres como Karol Conká, MC Flora Matos, Dryca Ryzzo, por exemplo, tem a ver com a maior aceitação do rap como gênero musical. “O rap está deixando o gueto pra virar até trilha de novela (em referência a música ‘Zoião’, de Emicida, na novela ‘Sangue Bom’). Nomes como Criolo, MV Bill, são referências nacionais. Isso abriu espaço para que um novo público fosse formado, novos cantores surgissem. Inclusive, mulheres. Quando eu comecei a rimar, eu não tinha referenciais femininos. Não me lembro de nenhum disco lançado por um grupo composto inteiramente por mulheres. Mas não acho que exista um rap feminino, mas um rap que toca em temas do universo feminino. Mesmo porque a experiência da mulher é diferente”, define.


Essa pegada diferente de Lurdez da Luz também pode ser sentida na melodia. Desde “Levante”, ela vem investindo em beats pesados, pendendo muito mais para música eletrônica. “Sempre quis um ‘set up’ que permitisse interação no palco entre ‘scratchs’, colagens, timbres. O novo disco que pretendo lançar em outubro vai seguir nessa trajetória. Vai ser diferente do EP tanto na linguagem quanto na produção. Não mudei de estilo musical, mas a batida ficou com um peso maior. E é um disco mais dançante, quero isso cada vez mais presente nos shows”, comenta. 


Confira


O show da rapper paulistana Lurdez da Luz será hoje (3), a partir das 20h30, no Teatro Waldermar Henrique (Av. Presidente Vargas, 645, Campina). Ingresso: R$ 5.


(Diário do Pará)

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