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Dona Onete terá biografia publicada

sábado, 27/07/2013, 09:43 - Atualizado em 27/07/2013, 17:41 - Autor:


Antônio Maria de Souza Santos não tirava os olhos do palco. Diante da senhora de passos lentos e presença arrebatadora, ele se rendeu. Após o show, partiu incauto em busca de um CD com registros daquele trabalho, até então inédito para ele. Sem sucesso. O estoque havia acabado nos primeiros minutos da apresentação. Combinou então de ir buscar na casa da própria cantora uma cópia daquele álbum sem grandes produções.


A cena representa o momento do primeiro encontro do paraense com Dona Onete, a rainha do “carimbó chamegado”, e aquele que viria a ser o biógrafo da trajetória da artista. Era final de 2011 e a cantora fazia um show no Centur. “No outro dia fui até a casa dela para pegar o disco e vi que era algo ainda muito caseiro. Começamos a conversar e fiquei encantado com as histórias que ela contava. Sou antropólogo e logo fui pego pela veia científica e soltei um: sua vida dá um livro”, lembra esse pesquisador de História Social da Música.


Quase dois anos depois, Antônio publica pela iniciante editora Carpe Diem, de Belém, o livro “A Menina Onete: Travessias & Travessuras”, escrito em parceria com a pedagoga Josirane de Castro Rodrigues, neta da artista. No livro, o foco é a infância da garota que aos quatro anos de idade já fazia parte da manifestação popular “Pastorinha” e cantava nas rodas marajoaras de carimbó. O lançamento oficial da obra foi realizado no município de Igarapé-Miri, no último dia 16, durante as comemorações do Círio de Sant’Anna, padroeira da cidade. “Embora tenha esse título, a ideia é pincelar também a vida adulta de Dona Onete, mostrar essa gênese do Marajó, para Igarapé-Miri, onde cantava às margens do rio das Flores. Depois para o bairro da Pedreira, onde teve contato com manifestações culturais populares e ganhou reconhecimento depois dos 70 anos”, diz. 


Segundo o antropólogo, Onete tem uma forte ligação com a natureza, que ganha forma e som nos trabalhos musicais. Por isso, ele quis estampar na capa do livro um momento narrado por ela. “Ela diz que cantava para os botos e para a pororoca do rio Moju ainda menina e que essa cantoria pode ser encontrada na introdução da canção ‘Feitiço Caboclo’, do álbum homônimo. Isso está lá”, completa.


O livro conta ainda com ilustrações de Arthur Dias, com quem Antônio trabalhou em outros projetos. “A proposta é chamar atenção de pessoas de todas as idades. Resolvemos inserir símbolos que a acompanharam durante sua trajetória, como o boto, os rios, elementos da Pedreira, como o samba”, comenta Antônio.


Páginas também narram a fase adulta 


Na obra, o leitor vai conhecer uma Onete menina, que aprendeu ainda muito jovem os valores da cultura popular e se envolveu ainda na adolescência com a organização das manifestações artísticas folclóricas. “Ela foi militante dos movimentos sociais, da Igreja Católica. Chegou a ser secretária de Cultura Municipal. Ela foi também professora a vida toda, isso precisava estar ali”, diz.


É o primeiro registro literário sobre a carreira de Dona Onete. A artista conquistou o holofote da mídia nos últimos anos após a crítica musical inclinar o olhar – e os ouvidos, para a produção paraense e eleger nomes como Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro e Lia Sophia como legítimos representantes dessa nova safra. Antônio conta que a descoberta do potencial da artista veio com a participação em shows com o Coletivo Rádio Cipó. Com o avanço da carreira, ela criou e autointitulou o ritmo que fazia como Carimbó Chamegado. 


No ano passado, ela gravou o primeiro disco. Com o título ‘Feitiço Caboclo’, todas as canções do álbum são de autoria de Onete e carregado de influências. “Tem muito de carimbó, ritmos caribenhos, brega, toada de boi-bumbá, o que mostra muito da sua trajetória, dessas travessias e um pouco dessas travessuras da menina Onete”, conta.


Em Belém, o livro será lançado dia 13 de agosto, no hall de entrada da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, o Centur, às 19 horas. São 48 páginas, em que o autor se propõe a narrar a uma parte da vida. “Após o lançamento em Belém, o título vai estar a venda na livraria Fox da Doutor Moraes, na banca do Alvino, na Praça da República, e na loja Na Figueiredo da Estação das Docas”, comenta. 


PRESTIGIE


Lançamento do livro “A Menina Onete: Travessias & Travessuras”. Dia 13 de agosto, às 19h, na Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, o Centur. Avenida Gentil Bitencourt, nº 650, Nazaré.


(Diário do Pará)

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