Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
27°
cotação atual R$

Notícias / Cultura

Cultura

Líder dos Rolling Stones chega hoje aos 70 anos

sexta-feira, 26/07/2013, 07:29 - Atualizado em 26/07/2013, 08:14 - Autor:


Entrou para a mitologia do rock a entrevista em que provocado por um repórter, Mick Jagger, o vocalista dos Rolling Stones, afirma que não se via cantando ‘(I can’t get no) Satisfaction’, maior sucesso da banda, aos 40 anos. Muito menos aos 50. O chiste foi lembrado pelo diretor Cameron Crowe no excelente filme ‘Quase Famosos’, quando um novo empresário surge para dar conta da carreira da crescente banda ‘Stillwater’. Aos 70 anos, Mick Jagger ainda saracoteia o esqueleto ao som da canção em estádios lotados. Sinal dos tempos?


Nos anos 60 fazia sentido a frase de Jagger. Havia um muro abissal separando jovens e velhos (ou coroas, como se dizia no Brasil). Uma nova ordem parecia tomar conta dos rumos mundiais. A banda inglesa The Who vociferava que era melhor morrer que envelhecer em ‘My Generation’. E Mick encarnava como poucos esses novos tempos. O rosto angelicalmente diabólico era sexualmente ambíguo, anunciando uma androginia que seria moda na década seguinte, principalmente pelas mãos de outro inglês, David Bowie. O rumoroso caso entre as duas estrelas do rock, ora confirmado ora negado por ambos, renderia um clássico: ‘Angie’, composta para a mulher de Bowie, Ângela. Nos anos 80, Mick e Bowie encetariam outro momento histórico, no clip ‘Dancing in the streets’.


Sexualidade dupla, rosto entre o anjo e o demônio, voz inclassificável. Mick Jagger foi um dos primeiros a usar o corpo como arma nos palcos. À lascívia do rebolado unia declarações que mitificavam a própria imagem. Era rebelde, infrator, sexual e dândi. 


Nos anos 60, a banda polarizou com os Beatles a preferência maior do público. O marketing usava os polos opostos de cada grupo. Bonzinhos uns, arruaceiros os outros. Musicalmente, os Stones passaram do blues ao psicodelismo para depois retornar ao rock and roll mais básico. 


CAMALEÔNICO


Com o fim dos Beatles o mundo do rock só não pertenceu totalmente aos Rolling Stones porque a década de 70 veria o apogeu do Led Zeppelin. Os Rolling Stones estavam sempre na mídia. O Led não. Mesmo assim, a banda de Jimmy Page vendia cinco vezes mais que a de Jagger. E até nos excessos, o Led criou lenda. Na biografia ‘Quando os gigantes caminhavam sobre a terra’, do Led Zeppelin, se diz que nem Keith Richards conseguia acompanhar as estripulias de Jimmy Page no terreno sexo e drogas. 


Mas na virada dos anos 60 para os 70, os Stones produziram os melhores discos da carreira. Mick Jagger, brilho nos olhos, nas roupas e no sangue, extrapolava energia em shows históricos, para o bem e para o mal. Como em Altamont, onde um negro foi assassinado por Hell’s Angels na frente das câmeras para horror da banda.


Culto e bem educado, Mick Jagger se transformou no principal executivo da banda. Com isso, levou os Stones a um patamar de riqueza conduzida por ele à mão de ferro. Mick sempre soube cuidar dos negócios e interesses comerciais do grupo.Se nos anos 70 cultivou a ambiguidade sexual, a partir dos 80 fez questão de se impor como o conquistador de belas mulheres. Modelos principalmente. Se a banda oscilava entre discos medianos e ruins, com uma ou outra canção digna de se tornar clássico, as grandes turnês, como a de 1981, inseriam um capítulo novo no rock. O dos mega espetáculos. 


Foi assim que a banda veio pelo menos três vezes ao Brasil. Na última, em 2006, levou cerca de um milhão a Copacabana. Se a banda hoje se tornou sinônimo de espetáculo seguro e bem produzido, mesmo assim vez em quando ainda consegue espalhar uma centelha da antiga chama que perdura. E aos 70, Mick Jagger ainda consegue ter energia para extasiar plateias de pelo menos quatro gerações. Ela, ‘Satisfaction’, está lá. Sempre.


(Diário do Pará)

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS