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Grupo carioca fala sobre a relação com Belém

quinta-feira, 25/07/2013, 07:30 - Atualizado em 25/07/2013, 07:30 - Autor:


“Eu vou pra Belém, meu bem/ Vou numa perna só/ Vou dançar um carimbó/ Vou tomar um tacacá”, promete o grupo Do Amor, na faixa “Eu vou pra Belém” do novo álbum “Piracema”.


Antes mesmo de botar os pés na capital paraense, o grupo carioca já sentia saudades. “Eu nem tinha ouvido [o carimbó] e já virei fã só de ver uma capa de disco. Trazia o Pinduca sorridente, com aquele chapelão cheio de coisa pendurada”, conta Marcelo Callado (bateria e voz), em entrevista por telefone do Rio de Janeiro.


Nas influências da banda - composto ainda por Gabriel Mayall (guitarra e voz), Ricardo Dias Gomes (baixo e voz), e Gustavo Benjão (guitarra e voz) - ainda existem mais referências paraenses como a guitarrada e o brega. Que são misturadas sem dó com a psicodelia, o rock, punk e baladas. Esse ímpeto experimental é o que acaba dando contornos ao nome “Piracema”. “Como a gente lançou um disco longo, com 18 músicas, nos sentimos remando contra a maré também assim como os peixes”, compara.Antes de formarem o grupo em 2006, os integrantes do Do Amor eram figurinhas carimbadas do cenário musical brasileiro, tocando como banda de apoio e inúmeros projetos paralelos. O que garantiu ao álbum participações de Marcelo Jeneci, Moreno Veloso, Lucas Santtana, Rodrigo Amarante e Kassin. 


“Todos amigos nossos, surgidos dessas inúmeras bandas que a gente tocou. O Moreno é filho do Caetano, com o qual tive oportunidade de tocar junto na Banda Cê, na divulgação do álbum “Zii e Zie”. Participei na gravação do disco do Lucas Santtana, “O Deus que devasta também cura”. Com o Kassin a gente já trabalhou em um milhão de coisas, desde o Orquestra Imperial, até dando canja no disco dele”, conta Callado.


Confira abaixo o bate-papo sobre os bastidores do disco e inspiração para “Piracema”. 


P: Qual o significado do título “Piracema”? 


R: Esse nome tem dois motivos. O primeiro tem a ver com o local que rolou a produção do disco, a fazenda do avô do Gabriel Bubu (guitarra e voz), uma fazenda centenária, localizada no município de Três Rios, no Rio de Janeiro. Lá passava uma antiga rota de trem, que agora só sobrou o antigo prédio da estação desativado, que se chama “Piracema”. As ruínas acabaram indo parar na capa do álbum. O disco foi praticamente todo composto lá. Até as músicas mais antigas acabaram ganhando arranjos novos nessa viagem.O segundo motivo remete ao significado de Piracema, mesmo, que é o movimento dos peixes contra a maré durante seu período de reprodução. Como a gente lançou um disco longo, com 18 músicas, nos sentimos remando contra a maré também assim como os peixes.Se fosse um vinil, seria um álbum duplo.


P: Por falar em vinil, a intenção de vocês foi fazer um disco temático, apesar das diferentes referências? 


R: Não é um disco temático. Mas ele definitivamente conta uma história entre uma música e outra. Foi uma coisa que surgiu na pós-produção. Como o disco é muito grande e as músicas muito diferentes entre si, não podíamos deixar muito tempo entre as músicas. Daniel Carvalho, que gravou e produziu o disco, nesse ponto foi muito fundamental. Por exemplo, o barulho de chuva que fecha a faixa “Piracema” e acaba se juntando à próxima música, “Undum”. Esses barulhos de bicho, de mata, foram gravados no sítio. Um áudio que acabou vazando e foi usado para costurar as músicas. Sem dúvida uma das referências mais fortes foi o disco de vinil. Pensamos o “Piracema” como uma obra fechada, para se ouvir em sua integridade. Todos da banda são grandes colecionadores de disco. Há 20 anos a gente começou a comprar muito vinil porque era muito barato. E a maioria desse material não tinha em CD - hoje em dia é raro de achar até na internet. E você ia em sebo e era ridículo: cada coisa boa por R$2.


P: Como você compara a produção desse novo álbum e o disco homônimo de estreia da banda, de 2010?


R: No primeiro disco pegamos de base o repertório de uma antiga banda nossa, o Carne de Segunda. Foi daí que surgiram composições como “Morena Russa”, “Meu Coração”. Eram músicas que a gente já estava tocando fazia algum tempo. Entramos no estúdio e gravamos tudo ensaiadinho: primeiro todas as baterias, depois todas as guitarras, e assim por diante.Já com “Piracema”, era a loucura de entrar no estúdio pra bolar uma música. Foi tudo gravado em fita, com mesas analógicas. Apesar de adorar o primeiro, acho que esse disco ficou mais a ver com a banda. E outra, é um disco diferente porque acabamos mudando também. Quando gravamos o ‘Do Amor’, todo mundo estava na casa dos 20, hoje estou com 33 anos. A banda rodou a beça, nos apresentamos fora do país. Eu sou pai de uma menina, a Cora, de apenas nove meses. O Ricardo virou pai também. Nos sentimos mais maduros, as letras são mais introspectivas . 


P: No balaio de referências, gostaria de ressaltar os ritmos paraenses como o carimbó e a guitarrada. Como conheceram?


R: O meu primeiro contato com o carimbó também foi com uma ida ao sebo. Me lembro que o pessoal do Acabou La Tequila [espécie de big band carioca, formada nos anos 1990 por um ex-amigo de banda de Marcelo, Renato Martins, do Canastra] tinha uma cover de “Sinhá Pureza”, do Pinduca. Nome do cantor e música anotados, cacei por alguns sebos até achar meu tesouro. Antes mesmo de ouvir já virei fã pela capa. Com o Pinduca sorridente, com um chapelão cheio de coisa pendurada.Depois chegamos a tocar com ele como parte do projeto Compacto Petrobrás. O Do Amor serviu de banda base dele tocando duas músicas. “Garota do Tacacá”, do álbum “Pinduca no embalo do carimbó e sirimbó v.6”. E “Isso é Carimbó”, canção do disco de estreia. A gente adorou tocar com ele. O Pinduca acabou até sugerindo uma alteração do nome da nossa música. Achou que deveria se chamar ‘Balanço Maneiro’, por causa do refrão.


Já o que chama atenção no carimbó é essa pegada de música caribenha, algo gostoso de ouvir, de dançar. E conhecer esse pessoal da velha guarda é uma realização, é um sonho. Um dos shows que mudou a nossa vida como músicos foi o do Mestres da Guitarrada, por exemplo.


CONHEÇA


'Piracema' pode ser ouvido na íntegra nos serviços de streaming Rdio e Deezer, e baixado no iTunes.


(Diário do Pará)

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