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Em cortejo, grupo de artistas protestam

quarta-feira, 17/07/2013, 09:44 - Atualizado em 08/08/2013, 22:20 - Autor:


“Eles fecharam os portões. Covardes!”, praguejou um dos manifestantes ao se deparar com as grades cerradas do prédio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), no bairro de São Brás, em Belém, vigiadas de perto por um cordão de Policiais Militares. Batizados de “Movimento Chega!” o grupo de quase 100 manifestantes, segundo estimativas da organização, exigia a exoneração do secretário de estado de cultura Paulo Chaves.


A dura recepção só fez aumentar ainda mais a frustração do grupo de artistas que protestavam na manhã de ontem, parando parcialmente o trânsito da cidade, desde a avenida Presidente Vargas, passando pela Nazaré, até culminar na Magalhães Barata.


“Não é surpresa. Esse portão sempre esteve fechado pra gente. Mas estamos aqui pra garantir que os portões vão se abrir ‘pro’ povo”, anuncia o ator Adriano Barroso, fantasiado com uma capa e chapéu de mago, dando um tom quase profético ao discurso. “Só queríamos entregar uma carta ao digníssimo. Mas não tem problema: vamos lê-la para que não fiquem dúvidas”.


Em seguida, o artista se pôs a ler a “carta de demissão simbólica” de Paulo Chaves, no qual enumera os seguintes motivos para o afastamento “por justa causa” e “pelo bem do serviço público”: “ter permanecido por quase 20 anos à frente da secretaria sem nunca democratizar o acesso à arte e à cultura; jamais ter descido de seu pedestal de arrogância e autoritarismo, o que sempre impediu um diálogo verdadeiro; e realizar sistematicamente uma política irresponsável de eventos dispendiosos e excludentes, que não deixam nada de concreto e ainda por cima relegam outros segmentos ao abandono”.


Ao final da leitura, cada manifestante depositou uma rosa de papel no portão do prédio, simbolizando o sepultamento da secretaria e das políticas culturais no Pará. “O retrato mais emblemático do descaso do Paulo Chaves é que em frente ao palácio em que ele trabalha, fica o antigo Teatro São Cristovão, em ruínas. Por quase 20 anos ele veio trabalhar aqui, passa em frente ao prédio, e não faz nada. Só negociamos com o governo depois da saída desse cara”, afirma o ator Alberto Silva.


‘Política de Balcão’


A saída do arquiteto da pasta de cultura é tido como emblemática pelos manifestantes. Chaves está à frente da secretaria desde 1995, quando assumiu o cargo na gestão de Almir Gabriel (1932-2013) - deixando a pasta apenas entre 2007 e 2011, período em que o PT exerceu o governo. 


O grupo ainda reivindica melhor distribuição dos recursos, reformulação das leis de incentivo cultural e maior representação política. No último dia 9, o mesmo grupo tomou o palco do Teatro Margarida Schivasappa durante as apresentações do festival de música Terruá Pará, produzido pela Secretaria de Estado de Comunicação (Secom).


“Reiteramos que não somos contra o Terruá. A proposta é democratizar a arte, promover o acesso para todos. Tanto para o artista quanto para a população. E o que acompanhamos nos últimos anos é que não existe política cultural. É apenas a política de balcão, favorecendo os amigos. E o governo virando produtor de eventos. A arte deve ser produzida pela sociedade civil”, afirma a atriz Ester Sá.


A passeata teve concentração no Teatro Cuíra, localizado na rua Riachuelo. Apesar de tomar apenas meia pista, provocou pontos de congestionamento no final da manhã, obrigando a polícia a desviar o trânsito da avenida Magalhães Barata pela 3 de Maio.


Os manifestantes não eram típicos. Alguns seguiam fantasiados como Adriano, outros desfilavam de perna de pau. Uma banda de beruimbaus e bumbos marcava o compasso dos gritos de “Fora Paulo Chaves”.


“Esse Chaves só pode ser chave de cadeia”, desabafa a cearense Isabela Bastos, que há 18 anos interpreta a personagem Mamãe Noel. Vestida a caráter, com um pesado vestido de veludo azul, a sua voz fina e delicada quase se perdia em meio à gritaria. “Ele nunca ligou pra gente, nunca abriu as portas. Eu sou palhaça, mas nunca fiz ninguém de palhaço como ele faz. Melhor eu parar de falar se não eu vou perder a razão”. O ato terminou com o hino nacional executado pelo gaitista Amaury Scerni, de 79 anos. Trabalhando por décadas na Praça Batista Campos como desenhista e pintor, ele se juntou ao grupo ao avistar a manifestação na avenida Nazaré. “É justo, é justíssimo. Já vi muito governante mandar do alto da janela, com a porta trancada. Eles passam”.


(Diário do Pará)

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