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Grupo convoca artistas e público para debate

quinta-feira, 11/07/2013, 07:52 - Atualizado em 08/08/2013, 22:18 - Autor:


“Faz quase 20 anos que estamos sendo assombrados pelo Paulo Chaves. A nossa principal e mais urgente reivindicação é a saída dele da Secult (Secretaria de Estado de Cultura)”, afirma o dramaturgo e jornalista Edyr Augusto Proença. A insatisfação com a gestão do secretário de estado de cultura do governo Simão Jatene (PSDB) fez com que ele e um grupo de aproximadamente 30 artistas invadisse, na noite da última terça-feira o palco do Teatro Margarida Schivasappa, durante as apresentações da Mostra Terruá Pará. Artistas jovens e também veteranos como Adriano Barroso, Zê Charone, Danilo Brachi e Waldete Brito.


Chaves está à frente da secretaria desde 1995, quando assumiu o cargo na gestão de Almir Gabriel (1932-2013) - deixando a pasta apenas entre 2007 e 2011, período em que o PT exerceu o governo. Responsável por grandes complexos turísticos como a Estação das Docas e o Hangar, além de eventos como a Feira Pan-Amazônica do Livro e o Festival de Ópera do Theatro da Paz, o arquiteto é hoje criticado justamente por sua omissão. 


“Não existe uma política de fomento à cultura. Não há processo de regionalização. Nenhuma ocupação dos teatros locais. A Secretaria de Cultura se resume hoje em dia à Lei Semear [mecanismo que oferece isenção fiscal para o financiamento de projetos na área], e que instituiu um grande dilema ao artista: se consegue patrocínio, quase sempre tem que se submeter a algum acordo por debaixo dos panos com o empresário para que saia do papel”, afirma Edyr.


Protesto


A Mostra Terruá de Música, produzida pela Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), foi escolhida como momento-chave para o recado aos responsáveis pela pasta da cultura, já que estava sendo transmitido ao vivo pela rádio e TV Cultura, emissoras públicas do Estado.


Na ocasião, o ator Alberto Silva leu uma carta-manifesto. O documento critica a postura dos órgãos de cultura classificados de “meros produtores de eventos, desvirtuando suas verdadeiras funções e gastando exorbitantes verbas públicas em benefício de uns poucos” (Leia no quadro abaixo). Após a leitura, houve um princípio de confusão quando os manifestantes tentaram abrir os portões do teatro para o público que havia ficado de fora. “Nosso problema não é com a Funtelpa, apesar de acreditarmos que não é papel da Secom estar fazendo as vezes de secretaria de cultura, colocando editais. Essa é a nossa crítica contra o Terruá, assim como criticamos o Festival de Ópera, no qual se gasta milhões pra trazer só gente de fora. E acaba restrito a uma parcela de público bem pequena. Nada contra a ópera como manifestação artística, mas em um local tão precário de arte e cultura, existem outras prioridades no setor”, defende Edyr. 


Reunião ocorre logo mais, no Teatro Cuíra


Está prevista para a tarde de hoje mais uma reunião do grupo, na qual serão estabelecidas novas ações. Dentre os pontos de discussão, cogita-se até uma ocupação do prédio da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), na Praça Frei Caetano Brandão.“Não há nada definido. Vamos discutir propostas, definir pontos, marcar novas manifestações, sim. Mas nosso foco agora é tirar o secretário de cultura, simplesmente”, define o jornalista.


A Fundação Paraense de Radiodifusão (Funtelpa), responsável pela realização da Mostra Terruá Pará, se pronunciou via e-mail sobre o ocorrido afirmando que a “Mostra Terruá teve seu processo aberto à classe musical do Pará, através de edital público e seleção feita por curadoria. O processo da Mostra Terruá em nenhum momento foi excludente, realizando suas apresentações todas as terças totalmente abertas ao público, através da retirada de ingressos gratuitos no Teatro Margarida Schivasappa”.


A nota conclui dizendo que “as apresentações, como todos podem ter observado, tem lotado o Teatro e formado público que vem consumindo, cada vez mais, a música autoral paraense e de todos os estilos. A Cultura Rede de Comunicação acredita que políticas públicas culturais bem sucedidas devem ter continuidade, em respeito aos cidadãos e artistas envolvidos”.Nossa reportagem tentou entrar em contato com o secretário de cultura Paulo Chaves através da assessoria da Secult, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.


PARTICIPE


A reunião ocorre hoje a partir das 17h, no Teatro Cuíra (Rua Riachuelo. Esquina com Travessa Primeiro de Março, Campina). 


(Diário do Pará)

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