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A retomada do debate sobre o doc ‘Roda Peão’

quinta-feira, 11/07/2013, 07:41 - Atualizado em 11/07/2013, 08:03 - Autor:


Há 30 anos foi exibido pela primeira vez, na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o documentário “Roda Peão”, do fotógrafo Patrick Pardini e do economista José Alberto Colares. O filme é uma projeção de fotografias em slide sincronizada com a narração em áudio de fita K7 com imagens e relatos sobre os impactos da construção da indústria de alumínio em Barcarena e em Abaetetuba. 


Uma nova exibição do documentário está programada para agosto, em Belém, com as fotografias digitalizadas e a fita de áudio remasterizada. Sobre essa nova sessão, haverá hoje um bate-papo com Patrick Pardini, no Museu da UFPA direcionado a jornalistas, fotógrafos, documentaristas e interessados no assunto para dar mais detalhes sobre o trabalho antes da reexibição. A entrada é franca. 


As fotografias que compõem vídeo foram feitas em junho de 1983 na região das ilhas e também no canteiro de obras da Albrás-Alunorte. Nesse período também foram colhidos depoimentos dos trabalhadores que resultaram na fita de áudio. Na primeira parte da projeção é abordada a vida dos ribeirinhos e as principais atividades econômicas das cidades. Em seguida, o documentário trata de aspectos de dentro da indústria, da condição de vida dos operários, mostrando inclusive a parte de lazer dos trabalhadores. “Eles gastavam o dinheiro do trabalho na Vila do Conde onde havia prostituição, bares, locais de dança e música ao vivo. Era o momento em que eles conversavam livremente. Tem depoimentos de alegria, emoção e raiva”, explica o fotógrafo. 


Na época em que foi lançado, o vídeo chegou a ser exibido em Belém, em Barcarena e também em cidades de outros estados. “Era um momento muito forte e intenso de discussão política. O áudio serviu de mote para gerar debates em torno dos grandes projetos industriais. Fomos convidados por várias entidades para exibir o filme”, conta Pardini que ficou responsável pelas fotografias enquanto que José Colares fez as gravações e a montagem. 


Entre os principais impactos sentidos pelos dois produtores no período em que trabalharam no projeto “Roda Peão” foi a expulsão dos moradores do local onde seria construída a indústria. “Os projetos primeiro expulsavam as pessoas para depois atraí-las de volta para o local para trabalhar na obra. A gente encontrou moradores que viviam da pesca e depois passaram a trabalhar na construção da indústria”, lembra o produtor. 


A nova exibição do filme será feita, de acordo com Pardini, em um momento de avaliar e repensar a questão dos grandes projetos industriais na Amazônia em que o audiovisual ocupa um papel fundamental na documentação desse processo.


(Diário do Pará)

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