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Movimento HotSpot aporta em Belém

quinta-feira, 04/07/2013, 07:21 - Atualizado em 04/07/2013, 08:04 - Autor:


Depois de um longo período de curadoria, que analisou projetos relacionados a diversas frentes de criação no país inteiro, chegou a hora de uma das etapas mais divertidas do Movimento HotSpot: a circulação das produções escolhidas por cidades brasileiras através de um festival integrado. E Belém é uma das capitais que vai receber a programação, amanhã e sábado. O evento ocorre na Estação das Docas e reúne selecionados locais – que depois deste momento podem ir para a final nacional da premiação - e convidados especiais. Música, artes visuais, biodesign, comunicação, entre outras boas ideias, marcam a passagem do HotSpot pela cidade das mangueiras.


A edição local do festival itinerante – que já percorreu as cidades das demais regiões do país, com público estimado em mais de 25 mil pessoas - é a oportunidade ideal para os paraenses conferirem de perto os projetos que representam o Estado na competição. Na programação que toma de assalto diversos espaços da Estação das Docas (Boulevard das Feiras, Cine-Teatro Maria Sylvia Nunes e Anfiteatro São Pedro Nolasco) haverá exposição de fotografia, oficinas, shows musicais e mesas de debate. Tudo gratuito, tendo como critério para participação apenas a ordem de chegada em relação à lotação do ambiente. Então, fique ligado nas datas e horários dos próximos dois dias de intensas atividades do evento.


Fotografia: nosso carro-chefe no festival


Das 11 categorias do Movimento HotSpot, uma se formou prioritariamente por paraenses. Em “Fotografia”, dos sete projetos selecionados, 4 são de Belém. As fotógrafas Evna Moura e Débora Flor submeteram ao Movimento a série “Ecos de Rio”. Nas imagens, sobreposições feitas com equipamento analógico fazem referência à relação do homem com a natureza, tendo como fio condutor as águas tão presentes na vida dos amazônidas. “Depois que fomos selecionadas para a fase de circulação do Hotspot tivemos nosso trabalho em evidência, o que desde o anúncio, feito em novembro, já nos trouxe bons frutos. Agora, chegou o momento de expormos nosso trabalho em Belém e isso também é uma satisfação”, considera Débora.


O fotógrafo Emídio Contente – selecionado por meio do projeto “Cobogó”, transformou tijolos em caixa preta – também já colhe bons frutos pela participação. Depois da classificação no Movimento, veio também o destaque em uma das categorias do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, com o mesmo trabalho. “Acreditei na ideia do Movimento HotSpot desde o início por conhecer os bons frutos que tiveram visibilidade e viabilidade através da então incubadora ‘HotSpot’, como as grife Neon, Amapô, Os Gêmeos do grafite, a banda Cansei de Ser Sexy, dentre muitos outros... Ter passado para a etapa dos festivais está sendo muito bom, pois as pessoas estão entendendo mais o meu trabalho assim como eu estou conhecendo muita coisa nova. Descobrir talentos do Brasil e da tua própria cidade que não conhecias é maravilhoso”, diz o artista. A exposição fotográfica também conta com os paraenses Jeyson Martins e Adan Silva e está percorrendo todos os festivais itinerantes – assim como as mostras de vídeo, ilustração, moda, beleza, arquitetura, cenografia e design gráfico. 


Ideias, música e muito bate-papo


Na categoria “Ideia” é hora dos classificados locais defenderem seus projetos para as comissões. A designer Elisa Kunz é uma dos 79 propositores que passaram para a fase de circulação. Ela concedeu um método para a reutilização do tetra park, material usado na maioria das embalagens dos produtos, na criação de sketchbooks, agendas comumente usadas por desenhistas para esboçar suas ideias. “Esta fase de festival é para que os classificados desta categoria sejam avaliados. Os selecionados irão para o ‘tanque de ideias’, onde serão desafiados criativamente”, explica a designer paraense, uma dos seis nortistas classificados na categoria.


Som para animar a programação. A agenda em Belém inclui shows musicais com grupos Strobo, Projeto Charmoso e Allan Carvalho, artistas selecionados, e dos convidados Luê e Gang do Eletro. Nanna Reis, vocalista do Projeto Charmoso, também evidencia os pontos positivos da classificação. “O Charmoso começou em 2011 e rapidamente já conseguimos nos firmar com a realização de shows locais. A aprovação no HotSpot veio para ajudar ainda mais no crescimento da banda, foi uma vitória que nos deu visibilidade. Agora, é tocar aqui para o nosso público e torcer para que sejamos selecionados para a fase final”, diz a cantora.


O evento conta ainda com a exibição do filme “Até Oxalá vai à guerra? – Uma História de Racismo e Intolerância Religiosa”, seguido de bate papo com o coletivo Nangetu; oficina de stencil com Drika Chagas, que também fará intervenção com grafite em espaços nos arredores da estação das Docas. Haverá também intervenção cênica do grupo “Periféricos”, no Ver-o-Peso; e projeções em árvores do projeto Symbiosis, de Roberta Carvalho.


Além disso, haverá também rodas de conversa. O jornalista Caio Tulio Costa, fundador da UOL, falará sobre “Redes Sociais e Mobilizações Sociais. Outro bate -apo que marca o festival é o organizado pelo coletivo Mulheres Líquidas. “Nosso grupo surgiu quando decidimos montar uma exposição só com artistas mulheres. Para o HotSpot, a ideia é discutir a participação do feminino nas artes visuais produzidas na Amazônia”, explica Isabela do Lago, integrante do coletivo. Participam do papo as artistas Bruna Suelen, Glauce Santos e Sissa Assis.


Haverá ainda uma conversa sobre a nova cena cultural do Pará, com Nando Lima, Vlad Cunha, Dj Jaloo, DJ Waldo Squash e representantes da Casa Fora do Eixo Amazônia; e também outra roda sobre alternativas de financiamento e patrocínio, com os fundadores do site Eu Patrocino (sistema crownfoundig), Marcelo Damaso e Renee Chalu, do Festival Se Rasgum e Caio Mota, da Casa Fora do Eixo da Amazônia.


Com a palavra, o criador


Desenhado a partir do conhecimento e legado da primeira incubadora de moda do País, o HotSpot conseguiu inserir, entre 2000 e 2005, novos designers no mercado. Nos últimos quatro anos, o projeto foi reformulado e ganhou um formato mais abrangente, tornando-se um prêmio nacional de inovação para revelar novos talentos em arquitetura, design, beleza, cenografia, design gráfico, filme e vídeo, fotografia, ilustração, moda, música e ideia.


Toda essa engrenagem que se alimenta de conexões criativas é fruto de um projeto que começou com o paulista Paulo Borges. O estilista é conhecido por ser o criador do São Paulo Fashion Week - uma das semanas de moda mais conceituadas do mundo. A equipe de reportagem do Caderno Você teve dificuldades em contatar a organização do evento para uma entrevista mais abrangente, porém acompanhe a seguir algumas considerações de Paulo, cedidas pela assessoria de imprensa do HotSpot. 


P: Com o festival itinerante acontecendo, como vocês analisam a primeira edição do Prêmio Movimento HotSpot?


R: Tivemos 1.642 candidatos em todo o Brasil, um indicador bastante relevante para a primeira edição de um prêmio tão diferente que abrange 11 categorias. O número surpreendeu todos os parceiros e curadores do Movimento HotSpot e até mesmo o Ministério da Cultura. Todos os 25 curadores ficaram entusiasmados com o conteúdo enviado pelos participantes. O nosso objetivo não é premiar um trabalho, mas avaliar o talento por trás das criações apresentadas no perfil de cada candidato. Mesmo assim, fomos descobrindo que alguns escolheram criar trabalhos especialmente para apresentar ao Movimento HotSpot. O mais inspirador é perceber a força que a criação dessa rede online/off-line ganha no decorrer do processo e na capacidade dos candidatos criarem conexões entre si, com outras áreas, com os curadores, com a imprensa, com lideranças locais. 


P: Muitos paraenses inscreveram projetos no Movimento HotSpot, o que representou um número significativo de classificados oriundos do Estado...


R: Como estamos passando por uma etapa de um prêmio, não posso fazer comentários específicos sobre os projetos inscritos. Mas, de uma maneira geral, o fio condutor que aproxima todos os projetos selecionados nacionalmente é o aspecto inovador, criativo e empreendedor de cada proposta, dentro da área escolhida pelo candidato. Claro que tivemos talentos de destaque em música, onde já existe uma tradição no estado, mas também encontramos revelações em fotografia, na ilustração, no design gráfico, na moda, em cenografia, em design de produto e também na arquitetura. Somados a esses, temos oito candidatos da região norte que concorrem ao prêmio máximo do Movimento HotSpot, o capital semente de até R$200.000,00 (duzentos mil).


P: O movimento HotSpot tem uma pegada não só de divulgação de projetos criativos como também inserções de boas ideias no mercado, não é?


R: O Movimento HotSpot aposta nos negócios criativos e em uma nova dinâmica econômica, sustentada em rede, onde o valor maior está na relação, na capacidade de se conectar e construir novas possibilidades e parcerias. Temos muitas pessoas de talento, com muita capacidade criativa, mas pouco espaço de visibilidade e oportunidade, sem conhecimento de gestão e quase nenhum capital. Precisamos incluir esses talentos no mundo formal dos negócios, e o Movimento HotSpot cria o ambiente e fornece as condições ideais para isso.


P: O que é mais interessante dessa fase de circulação do projeto? O que o público pode esperar? 


R: O Festival Movimento HotSpot leva a cada capital uma programação diferente, oportunidades para selecionados e público estarem em contato com conteúdos e criativos inspiradores. É em meio a essa descontração que surgem novos projetos. Durante os festivais, já tivemos candidatos de design que fecharam negócio com lojistas, candidatos de filme e vídeo criando videoclipe para selecionados de música... E nesse ambiente a cidade se envolve com o projeto de uma forma realmente participativa, que vai além de uma visita a uma exposição. Essa etapa faz parte da estratégia do projeto para possibilitar o intercâmbio de informação, referências, ideias e contatos, enquanto sensibiliza as lideranças e conecta criadores com público, investidores e outros canais possíveis de fomento e visibilidade. 


(Diário do Pará)

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