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Cantora mergulha em múltiplas sonoridades

terça-feira, 02/07/2013, 07:34 - Atualizado em 02/07/2013, 07:34 - Autor:


No palco, uma jovem cantora de cabelos e olhos negros acalanta o público com sua voz suave, porém firme. A beleza genuinamente amazônica, muito bem comportada em um vestido colorido, dá contornos à artista que extrapola a musicalidade regional. Junto com as influências do carimbó e da guitarrada caribenha, vem também o peso dos bits, inspirações que vão do dub ao techno – vertentes mundiais da música eletrônica. “Gosto de cantar o meu lugar, minha terra, mas prezo por uma linguagem universal. Gosto da música do mundo”, diz Nanna Reis, artista que se revelou em 2010 no Festival da Música Paraense e três anos depois já é comumente citada como uma das mais expressivas cantoras da nova cena paraense.


Esse astral inegável tanto da sonoridade como da estética totalizante do trabalho de Nanna pôde ser conferido pelo público no show realizado na última sexta (28), no teatro Margarida Schivasappa. Resultado de ímpetos que marcam a carreira solo da cantora, que integra o grupo Projeto Charmoso, o espetáculo “Entre Cores” deixou todos que estavam ali sentados com os pés agitados, afoitos para entrar no ritmo suingado das canções.


Entre crenças e cores


Canções para reverenciar o sincretismo étnico-religioso que marca a história do país e a identidade de quem vive por aqui. Assim como muitos brasileiros, Nanna cresceu envolta de uma indiscutível pluralidade cultural dentro de casa. “Tenho familiares evangélicos, tios que frequentam terreiros, espíritas... Enfim, todas essas crenças acabam fazendo parte de mim. E isso também vem da música, de ter referências que chegam de diversos lugares. O ‘Entre Cores’ é uma homenagem a todas essas expressões que me formam como pessoa e como artista”, diz a cantora, que acabou de completa 22 anos.


Apesar da tenra idade, Nanna acumula experiências musicais desde a infância. Filha do compositor e músico Alfredo Reis, ela iniciou os estudos musicais aos 8 anos, aprendendo flauta doce em um curso no Conservatório Carlos Gomes. Depois, fez canto popular e lírico. “Desde que comecei a cantar, não quis mais parar. Larguei a flauta, fiz canto popular e depois fiz lírico – que, apesar de não ser minha praia, é um aprendizado que me acrescentou demais, principalmente em técnica. No meio de tudo isso, fui descobrindo qual era o meu estilo”. 


Na tentativa de quebrar paradigmas que afastam a música erudita da popular, em meados de 2011 Nanna resolveu apostar em um projeto ousado, que reflete a busca por uma identidade musical da jovem cantora. Junto com o DJ Proefx, ela convidou instrumentistas de sopro e criou o Charmoso. “Vi uma base do Proefx, bem simples, e resolvi compor em cima. Gravamos juntos e adoramos o resultado. E a ideia sempre foi a de agregar diferenças musicais num mesmo som. Ou seja, usamos metais com batidas eletrônicas, em cima de letras que vão para o regionalismo, como também falam do mundo”, considera. E a resposta veio rápida. O grupo foi um dos selecionados para o movimento Hotspot, que mobilizou artistas de todo o país, e em setembro lança seu primeiro disco.


“Com o Projeto Charmoso consegui ampliar ainda mais meu conhecimento musical, porém não deixei de compor coisas para minha carreira solo. Nessas voltas que já dei por festivais, fiz muitos amigos e parceiros e canalizo tudo isso para a música. O ‘Entre Cores’ ainda deve rodar por aí, principalmente por municípios do interior. Até lá, vamos aí tentando grana para gravar e fazendo as coisas como dá. O mais gostoso mesmo é ter seu trabalho reconhecido, isso para mim é a grande felicidade de cantar”, conta Nanna. Enquanto isso, a gente torce e acompanha.


(Diário do Pará)

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